Dezenas de papas buscaram refúgio no lago durante séculos
Há séculos, os papas buscavam refúgio nas colinas ao sul de Roma quando o verão tornava a cidade insuportável. O papa Leão 14, eleito em maio para suceder Francisco, retoma essa tradição ao passar quinze dias em Castel Gandolfo em julho — um palácio apostólico à beira do lago Albano, onde o ar é dez graus mais fresco. A decisão sinaliza não apenas uma preferência climática, mas uma reorientação simbólica em relação às práticas tradicionais do papado, após anos em que Francisco optara pelo ar condicionado do Vaticano.
- Com Roma ultrapassando 35°C no auge do verão, o Vaticano anunciou que Leão 14 deixará a capital italiana no início de julho para um retiro de quinze dias nas margens do lago Albano.
- A mudança rompe com o estilo de Francisco, que havia abandonado as peregrinações sazonais e permanecia no Vaticano durante o verão — uma escolha que durou todo o seu papado.
- Todas as audiências públicas e privadas serão suspensas de 6 a 20 de julho, retomando apenas no dia 30 — uma prática herdada de Francisco que Leão 14 decidiu manter.
- O palácio de Castel Gandolfo, transformado em museu por Francisco em 2016, continuará aberto ao público mesmo durante as visitas do novo pontífice, segundo o porta-voz do Vaticano.
- Mesmo em férias, Leão 14 celebrará missas e rezará o Angelus em datas específicas, equilibrando descanso pessoal com as obrigações espirituais que definem o cargo.
Quando o termômetro romano ultrapassa os 35°C, até o papa precisa de alívio. No início de julho, Leão 14 — eleito em 8 de maio para suceder Francisco — deixará a capital italiana para um retiro de quinze dias no Castel Gandolfo, palácio apostólico situado à beira do lago Albano, ao sul de Roma, onde as temperaturas costumam ser cerca de dez graus mais frescas. O pontífice também planeja retornar ao local por pelo menos um fim de semana em agosto.
A decisão representa uma mudança simbólica no estilo papal. Francisco preferia permanecer no Vaticano com ar condicionado, abandonando as peregrinações sazonais que marcaram séculos de tradição católica. Dezenas de papas ao longo da história buscaram refúgio no lago Albano durante os meses quentes, e Leão 14 retoma esse costume antigo como sinal de reorientação em relação às práticas tradicionais do papado.
O Castel Gandolfo é uma propriedade vasta e histórica — cinquenta e cinco hectares que incluem apartamentos oficiais, jardins renascentistas, uma floresta e até uma fazenda leiteira. Francisco transformou o palácio em museu em 2016, e o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou que ele continuará funcionando como tal mesmo durante as visitas do novo papa.
O cronograma foi cuidadosamente planejado: Leão 14 se hospedará de 6 a 20 de julho, com todas as audiências suspensas até o dia 30. Ao partir, celebrará missa na Catedral de Albano e rezará o Angelus na praça da Liberdade. Em agosto, retornará nos dias 15 e 17, coincidindo com a festa de Maria, Mãe de Deus. Mesmo em descanso, o papa manterá celebrações religiosas regulares — um equilíbrio deliberado entre repouso humano e responsabilidade espiritual.
Quando o termômetro em Roma ultrapassa os 35°C no auge do verão europeu, até o papa precisa de alívio. No início de julho, o papa Leão 14 deixará a capital italiana para um retiro de quinze dias no Castel Gandolfo, um palácio apostólico situado numa pequena vila à beira do lago Albano, ao sul de Roma. A mudança foi anunciada pelo Vaticano na terça-feira passada. Leão 14, eleito papa em 8 de maio para suceder Francisco, também planeja retornar ao lago para pelo menos um fim de semana em agosto, consolidando uma prática que havia sido abandonada por seu antecessor.
A decisão marca uma mudança significativa no estilo de vida papal. Durante o papado de Francisco, o pontífice preferia permanecer na residência do Vaticano, equipada com ar condicionado, evitando as peregrinações sazonais que caracterizaram séculos de tradição católica. Dezenas de papas ao longo dos séculos buscaram refúgio no lago Albano durante os meses quentes, aproveitando temperaturas que costumam ser cerca de dez graus Celsius mais frescas do que as de Roma. Leão 14 está revivendo esse costume antigo, sinalizando uma volta a práticas tradicionais do papado.
O Castel Gandolfo é uma propriedade vasta e histórica. O Vaticano possui o palácio e seus terrenos desde 1596, acumulando ao longo dos séculos um complexo de cinquenta e cinco hectares que inclui apartamentos oficiais, jardins elaborados no estilo renascentista — entre eles os famosos Jardins Barberini — uma floresta e até uma fazenda leiteira em funcionamento. Francisco transformou o palácio papal oficial em museu em 2016, como parte de sua abordagem mais austera em relação aos símbolos tradicionais do papado. O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou à Reuters que o palácio continuará funcionando como museu, mesmo durante as visitas de Leão 14.
O cronograma das férias foi cuidadosamente planejado. O pontífice se hospedará de 6 a 20 de julho, período durante o qual todas as audiências públicas e privadas foram suspensas — uma prática que Francisco havia instituído e que Leão 14 mantém. As reuniões serão retomadas em 30 de julho. Leão retornará ao Vaticano na tarde do dia 20, após celebrar missa na Catedral de Albano e rezar o Angelus na praça da Liberdade, em frente ao Palácio Apostólico. Em agosto, o papa voltará ao lago para os dias 15 e 17, coincidindo com a festa católica de Maria, Mãe de Deus, um feriado na Itália quando muitos italianos aproveitam para passar tempo na praia.
Apesar do caráter de descanso, as férias não significam uma pausa completa nas obrigações religiosas. No domingo, 13 de julho, Leão 14 celebrará a eucaristia na Paróquia Pontifícia de São Tomás de Vilanova, localizada em Castel Gandolfo, e rezará o Angelus na praça da Liberdade. O retorno em julho incluirá missa na Catedral de Albano no dia 20. Em agosto, o papa celebrará novamente nos dias 15 e 17. A decisão de manter essas celebrações durante o período de descanso reflete o equilíbrio que Leão 14 busca entre o repouso necessário e as responsabilidades espirituais que definem o papado.
Citações Notáveis
O palácio continuará sendo um museu— Matteo Bruni, porta-voz do Vaticano
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que um papa precisaria sair de férias? Não é uma posição que exige dedicação constante?
Exige, sim. Mas até papas envelhecem, e o calor de Roma em julho é implacável — acima de 35°C. Francisco simplesmente ignorava a tradição e ficava no Vaticano com ar condicionado. Leão 14 está escolhendo retomar o que dezenas de papas fizeram durante séculos.
E por que Castel Gandolfo especificamente? Não poderia ser qualquer lugar?
É propriedade do Vaticano desde 1596. Cinquenta e cinco hectares à beira de um lago, com jardins renascentistas, apartamentos oficiais. É um lugar que já conhece, que já pertence à Igreja. E o lago Albano é dez graus mais fresco do que Roma.
Francisco transformou o palácio em museu. Isso não complica as coisas?
Não. O museu continua funcionando. Leão 14 vai se hospedar lá, mas o público ainda pode visitar as áreas abertas. É possível fazer as duas coisas.
Ele realmente descansa, ou continua trabalhando?
Descansa, mas não completamente. Celebra missas, reza o Angelus. As audiências públicas e privadas param — isso é novo para ele, uma prática que Francisco estabeleceu. Mas as obrigações espirituais essenciais continuam.
Qual é o significado real dessa volta à tradição?
Que Leão 14 está sinalizando uma mudança de tom em relação ao papado. Francisco evitava símbolos tradicionais. Leão está reabilitando alguns deles — não de forma radical, mas deliberada. É um papa que escolhe respirar fundo no lago, como seus antecessores fizeram.