Palmeiras e USP firmam convênio de 24 meses para pesquisas em neurociência esportiva

O atleta aprende a se entender melhor através de suas próprias atividades cerebrais
Daniel Gonçalves explica como a neuromodulação permite que jogadores reconheçam e regulem padrões de pensamento negativo.

Em um momento em que a ciência e o esporte se entrelaçam com crescente intimidade, o Palmeiras firmou uma parceria de 24 meses com a Escola de Educação Física e Esporte da USP para aprofundar pesquisas em neurociência esportiva. O acordo, que amplia o trabalho já iniciado com a inauguração do Centro de Recovery e Neurociência em 2025, reflete uma compreensão cada vez mais difundida de que o desempenho humano não se limita ao corpo — passa, inevitavelmente, pela mente. Ao unir a prática de alto rendimento com o rigor acadêmico, o clube paulista aposta que o futuro do esporte será moldado tanto em laboratórios quanto em gramados.

  • O Palmeiras não se contenta com a vantagem já conquistada: após inaugurar um centro dedicado à neurociência em 2025, o clube agora busca transformar experiências práticas em conhecimento científico validado.
  • A parceria com a USP cria uma tensão produtiva entre o mundo acadêmico e o esporte profissional, onde a urgência por resultados encontra a lentidão necessária da pesquisa rigorosa.
  • Técnicas como neuromodulação permitem que atletas aprendam a regular estados mentais durante sessões controladas — e depois acessem esse controle em momentos críticos de jogo, como após um erro decisivo.
  • O convênio de 24 meses prevê tanto o desenvolvimento de pesquisas quanto a capacitação dos profissionais do Núcleo de Saúde e Performance, criando um ciclo contínuo de aprendizado institucional.
  • O clube posiciona a neurociência não como um recurso auxiliar, mas como um eixo central do futuro do esporte — e a USP ganha, em troca, um laboratório vivo de alto nível para suas investigações.

O Palmeiras construiu nos últimos anos uma reputação de pioneirismo tecnológico na preparação de atletas, e esse caminho ganhou novo impulso em 2025 com a inauguração do Centro de Recovery e Neurociência. O espaço reúne desde técnicas de neuromodulação até pilates e acupuntura, com o objetivo de otimizar tanto a recuperação física quanto o equilíbrio mental dos jogadores.

Agora, o clube dá um passo além ao formalizar um convênio de 24 meses com a Escola de Educação Física e Esporte da USP. A parceria tem dois focos principais: desenvolver pesquisas sobre neurociência esportiva e capacitar os profissionais do Núcleo de Saúde e Performance — tudo isso respaldado pela credibilidade internacional da universidade.

O coordenador de saúde e performance Daniel Gonçalves já havia explicado, na inauguração do centro, como a neuromodulação funciona na prática: o atleta aprende a identificar padrões cerebrais ligados à ansiedade e aos pensamentos intrusivos, e descobre que esses padrões podem ser regulados por meio de respiração e pensamentos positivos. Mais do que isso, o estado mental desenvolvido nas sessões pode ser acessado em situações reais de jogo — como após um erro — porque o corpo humano responde a estímulos hormonais e químicos que influenciam diretamente concentração, qualidade muscular e atividade motora.

Com a USP como parceira, o Palmeiras espera converter essa experiência prática em ciência refinada e compartilhável. A universidade, por sua vez, ganha acesso a um ambiente profissional de alto nível onde suas pesquisas podem ganhar vida real.

O Palmeiras construiu nos últimos anos uma reputação internacional como pioneiro na adoção de tecnologias sofisticadas para a recuperação e preparação de seus atletas. Essa trajetória ganhou um novo capítulo em 2025, quando o clube inaugurou o Centro de Recovery e Neurociência, um espaço dedicado a otimizar tanto a recuperação física quanto a mental dos jogadores através de um conjunto variado de atividades, técnicas e terapias que vão desde a neurociência propriamente dita até pilates e acupuntura.

Agora, o Verdão dá um passo adicional ao firmar um convênio de 24 meses com a Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo. O acordo, formalizado nos últimos dias, representa uma continuidade natural do trabalho que o clube já vinha desenvolvendo, mas agora com o respaldo e a expertise de uma instituição com credibilidade reconhecida tanto no Brasil quanto internacionalmente. A parceria tem dois objetivos principais: desenvolver pesquisas específicas sobre as atividades ligadas à neurociência do esporte e capacitar profissionalmente os membros do Núcleo de Saúde e Performance do Palmeiras.

O conceito por trás dessa iniciativa é mais profundo do que pode parecer à primeira vista. Daniel Gonçalves, coordenador de saúde e performance do clube, explicou durante a inauguração do centro em 2025 como funciona a neuromodulação, uma das técnicas centrais. Através dela, o atleta aprende a usar suas próprias atividades cerebrais para compreender seu comportamento diante de pensamentos intrusivos que podem gerar negatividade e ansiedade. Mais importante ainda, ele descobre que esses padrões são reguláveis, podendo ser contrabalanceados por pensamentos positivos e técnicas de respiração. Esse pensamento holístico é potencializado pelo ambiente relaxante do centro, permitindo que o jogador desenvolva um autoconhecimento mais profundo.

Os equipamentos instalados no Centro de Recovery são de última geração e servem para ajudar os atletas a desenvolver técnicas de autorregulação e autoconhecimento. Segundo Gonçalves, quando um atleta atinge um determinado estado mental ou padrão de onda cerebral durante essas sessões, essa experiência é transferível para situações reais de jogo. Após um erro, por exemplo, o jogador consegue acessar aquele estado de controle que havia desenvolvido no centro. O corpo humano, como ele ressaltou, funciona através de hormônios e inúmeras manifestações químicas que contribuem para melhor concentração, qualidade muscular e atividade motora. A neurociência oferece um caminho amplo para explorar essas possibilidades, e o Palmeiras acredita que o futuro do esporte passará cada vez mais por essas questões.

Com a parceria com a USP, o clube espera aprofundar ainda mais esses processos já implementados, transformando experiências práticas em conhecimento científico que possa ser compartilhado e refinado continuamente. A universidade, por sua vez, ganha acesso a um laboratório vivo onde pesquisas em neurociência esportiva podem ser desenvolvidas em um ambiente profissional de alto nível.

O atleta consegue, por meio de suas atividades cerebrais, entender seu comportamento em relação a pensamentos intrusivos que podem gerar negatividade e ansiedade
— Daniel Gonçalves, coordenador de saúde e performance do Palmeiras
O futuro passará muito por essas questões da neurociência
— Daniel Gonçalves
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Inventor

Por que um clube de futebol precisa de um convênio com uma universidade para pesquisas em neurociência? Não era suficiente ter o centro funcionando?

Model

O centro funciona, sim, mas há uma diferença entre aplicar técnicas e entender cientificamente por que elas funcionam. A USP traz credibilidade, metodologia rigorosa e a capacidade de transformar o que o Palmeiras está fazendo em conhecimento que pode ser replicado, melhorado e compartilhado.

Inventor

E o que exatamente muda na vida de um jogador quando ele passa por essas técnicas de neuromodulação?

Model

Muda a forma como ele lida com o próprio medo e a ansiedade. Um jogador aprende a reconhecer quando está entrando em um padrão de pensamento negativo e consegue interromper isso antes que afete seu desempenho. É como dar ao atleta um controle remoto sobre sua própria mente.

Inventor

Isso soa como meditação ou mindfulness. Qual é a diferença?

Model

A diferença é que aqui há equipamentos de última geração monitorando a atividade cerebral em tempo real. O atleta não está apenas tentando se acalmar; ele está vendo seu próprio cérebro funcionar e aprendendo a reconhecer os padrões que o colocam em um estado ótimo de desempenho.

Inventor

E a USP vai pesquisar o quê, especificamente?

Model

Como essas técnicas impactam o desempenho real em jogo, como os hormônios e as manifestações químicas do corpo se alteram, e como tudo isso pode ser medido e otimizado. Basicamente, transformar experiências em dados.

Inventor

Isso dá ao Palmeiras uma vantagem competitiva?

Model

Por enquanto, sim. Mas a ideia é que, com a pesquisa sendo feita em parceria com uma universidade, o conhecimento eventualmente se dissemina. O que importa agora é que o Palmeiras está dois passos à frente.

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