Muitos receberão apenas a definição da tarifa que terão de pagar
Com 45 dias restantes antes do fim da trégua tarifária imposta por Donald Trump, dezenas de nações correm para Washington em busca de acordos que possam definir o futuro de suas economias. O prazo de 9 de julho não é apenas uma data no calendário — é um momento de triagem geopolítica, no qual os mais próximos dos Estados Unidos garantirão assento à mesa e os demais receberão apenas números impostos. Por trás da urgência diplomática, paira uma incerteza mais profunda: a de um mundo que ainda não sabe sob quais regras comerciais viverá amanhã.
- Apenas 45 dias separam dezenas de países de tarifas definitivas impostas unilateralmente pelos Estados Unidos, criando uma corrida diplomática sem precedentes recentes.
- Trump e seu secretário do Tesouro deixaram claro que quem não negociar de boa-fé receberá uma carta com a tarifa final — sem espaço para contestação.
- Enquanto Reino Unido já fechou acordo e China reduziu suas tarifas de 145% para 30%, países como Vietnã, Tailândia e Coreia do Sul ainda estão em rodadas iniciais de negociação.
- A União Europeia enfrenta impasse, com diplomatas europeus descrevendo as exigências americanas como uma 'lista de desejos irrealista', sem perspectiva de avanço imediato.
- A incerteza tarifária pressiona o Federal Reserve a manter juros elevados, criando um ciclo que afeta investimentos, inflação e o crescimento econômico global.
Quarenta e cinco dias é o tempo que resta para que países ao redor do mundo tentem fechar acordos comerciais com os Estados Unidos antes que a trégua tarifária de 90 dias expire em 9 de julho. A corrida é intensa: negociadores viajam constantemente para Washington, ministérios trabalham contra o relógio e a incerteza paira sobre empresas e bancos centrais.
Trump foi direto ao ponto: das 150 nações que querem negociar, apenas as mais relevantes conseguirão acordos reais. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou a mensagem — quem não negociar de boa-fé receberá simplesmente uma carta com a tarifa que terá de pagar. Analistas estimam que cerca de 18 parceiros comerciais principais terão negociações substantivas; os demais aceitarão ou rejeitarão documentos prontos, sempre sob a sombra de alíquotas alternativas.
O Reino Unido já fechou seu acordo em maio, mantendo uma tarifa-base de 10%, mas com exceções para setores automotivo e siderúrgico. A China viu suas tarifas caírem de 145% para 30%, com negociações previstas até agosto. Índia, Japão, Vietnã, Tailândia e Coreia do Sul estão em diferentes estágios, com prazos e complexidades distintas.
A União Europeia é o ponto de maior tensão. Acusada por Bessent de ter um 'problema de ação coletiva', Bruxelas enfrenta dificuldades para apresentar uma posição unificada, e diplomatas europeus descrevem as exigências americanas como irrealistas. Canadá e México, apesar do acordo trilateral vigente, ainda enfrentam ameaças tarifárias em setores específicos.
A dimensão econômica da crise vai além das mesas de negociação. As tarifas pressionam a inflação e travam decisões do Federal Reserve sobre juros — quanto mais os acordos se arrastam, maior a tendência de taxas elevadas e menor o dinamismo da economia global. O que virá depois de 9 de julho ainda é incerto: alguns países terão acordos, muitos receberão apenas números, e o mundo seguirá se adaptando a uma nova ordem comercial ainda em construção.
Quarenta e cinco dias. Esse é o tempo que resta para que dezenas de países consigam fechar acordos comerciais com os Estados Unidos antes que a trégua tarifária de 90 dias imposta por Donald Trump expire em 9 de julho. O cenário é de correria contida, de negociadores em voos constantes para Washington, de ministérios trabalhando contra o relógio — e de uma incerteza que paira sobre empresas, consumidores e bancos centrais em todo o mundo.
Trump já deixou claro que nem todos sairão vitoriosos dessa disputa. "Cento e cinquenta países querem negociar", disse o presidente, "mas muitos receberão apenas a definição da tarifa que terão de pagar". Scott Bessent, secretário do Tesouro, foi ainda mais direto: quem não negociar de boa-fé receberá uma carta com a tarifa final, sem margem para discussão. A mensagem é simples — nem todo mundo tem assento à mesa. Apenas os principais parceiros comerciais dos EUA conseguirão, provavelmente, fechar pactos substantivos. O resto terá de aceitar o que lhe for imposto.
Para Kelly Ann Shaw, ex-assessora de comércio de Trump, o que virá nos próximos 45 dias será uma onda de acordos nos últimos momentos antes do prazo final. Ela descreve 90 dias como um prazo "incrivelmente ambicioso" e prevê que cerca de 18 principais parceiros comerciais conseguirão negociações reais. Os demais, que ficarem para trás, receberão documentos com compromissos que poderão aceitar ou rejeitar — mas sempre sob a ameaça de uma tarifa alternativa.
O Reino Unido já fechou acordo em 8 de maio, celebrado por Trump como "amplo e completo", embora mantenha uma tarifa-base de 10% sobre produtos britânicos. O pacto inclui exceções para setores automotivo e siderúrgico, que enfrentavam alíquotas de 25%. A China, sob pressão de mercados instáveis, viu suas tarifas caírem de 145% para 30% em 12 de maio, abrindo espaço para negociações que devem se estender até meados de agosto. A Índia, com tarifa de 26%, planeja um acordo em três fases, começando em julho com acesso a mercados industriais e produtos agrícolas. O Japão, com 24%, espera fechar em junho. Vietnã, com 46%, anunciou avanços na segunda rodada. Tailândia, com 36%, se prepara para negociar em breve. Coreia do Sul, com 25%, está na segunda rodada de discussões técnicas.
A União Europeia, porém, enfrenta dificuldades. Bessent acusou Bruxelas de sofrer de um "problema de ação coletiva" que atrapalha as negociações. Uma ligação estava agendada para 23 de maio, mas a expectativa de avanços era baixa — um diplomata europeu descreveu a proposta americana como uma "lista de desejos irrealista". Canadá e México, ambos signatários do USMCA, conseguiram isenções parciais, mas ainda enfrentam ameaças tarifárias sobre setores específicos como automóveis, aço e alumínio.
Por trás dessa corrida comercial há uma dimensão que vai além das negociações bilaterais. Para o Federal Reserve e outros bancos centrais, as tarifas são um entrave ao crescimento econômico, afetam mercados financeiros e pressionam a inflação — fatores decisivos para decisões sobre juros. Quanto mais os acordos se arrastam, maior a tendência de que o Fed mantenha os juros elevados, criando um ciclo de incerteza que afeta a economia global.
O que acontecerá após 9 de julho permanece nebuloso. Alguns países terão seus acordos. Muitos outros receberão apenas uma carta com números. E o mundo seguirá negociando, ajustando-se a uma nova realidade comercial que ainda está sendo escrita, dia a dia, em salas de reunião em Washington.
Citas Notables
Cento e cinquenta países querem negociar, mas muitos receberão apenas a definição da tarifa que terão de pagar— Donald Trump
Se não estiverem negociando de boa-fé, vão receber uma carta dizendo 'esta é a tarifa'— Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump está tão confiante de que consegue impor tarifas sem acordos?
Porque tem o poder econômico. Os EUA são o maior mercado do mundo. Ninguém pode ignorar isso. Mas ele também sabe que alguns países são mais importantes que outros — por isso está negociando com China, Índia, Japão. Os outros recebem a tarifa e pronto.
E o Federal Reserve nessa história? Por que os juros entram nessa conversa?
Tarifas aumentam preços. Preços altos significam inflação. Inflação força o Fed a manter juros altos para controlar. Enquanto a incerteza tarifária continua, o Fed não consegue baixar os juros. É um círculo vicioso que afeta todo mundo.
A Europa está perdendo essa negociação?
Está tendo dificuldade. Bessent disse que Bruxelas tem um "problema de ação coletiva" — significa que os países europeus não conseguem falar com uma voz única. Enquanto isso, China e Índia já estão fechando acordos.
Então nem todos os 150 países que Trump mencionou têm chance real?
Não. Ele foi bem claro sobre isso. Apenas os principais parceiros comerciais — uns 18 — conseguirão negociar de verdade. O resto recebe a tarifa e fim de história.
Qual é o risco se isso continuar assim até julho?
Incerteza econômica prolongada. Empresas não sabem quanto vão pagar. Consumidores enfrentam preços mais altos. Mercados financeiros ficam nervosos. E o Fed fica preso, sem conseguir cortar juros.