Pais de atirador de escola na Sérvia são condenados novamente por negligência

Dez pessoas mortas no ataque de 2023 (sete meninas, um menino, um funcionário e uma vítima que faleceu no hospital); cinco crianças e um professor feridos.
Disparou 66 vezes em pouco mais de dois minutos
O adolescente de 13 anos matou dez pessoas na escola Vladislav Ribnikar em 2023, usando armas retiradas do cofre do pai.

Em Belgrado, um tribunal voltou a condenar os pais do adolescente responsável pelo massacre na escola Vladislav Ribnikar em 2023 — tragédia que ceifou dez vidas e abalou profundamente uma sociedade que não estava preparada para tal violência. Vladimir Kecmanović recebeu 14 anos e meio de prisão por negligência e crime contra a segurança pública; sua esposa, Miljana, quase três anos. O caso, que já passou por uma anulação e um segundo julgamento, lembra que a busca por responsabilidade coletiva diante de uma catástrofe raramente encontra um ponto final limpo — e que a justiça, quando envolve crianças mortas, carrega um peso que nenhuma sentença consegue, sozinha, aliviar.

  • Um adolescente de 13 anos matou dez pessoas em dois minutos com armas retiradas do cofre do próprio pai — um ato que transformou para sempre a percepção de segurança nas escolas sérvias.
  • O primeiro julgamento dos pais, em 2024, foi inteiramente anulado por uma corte de apelação que identificou inconsistências na fundamentação, obrigando o país a reviver o processo.
  • A defesa argumenta que a nova condenação não traz elementos substancialmente diferentes da sentença já derrubada, questionando a solidez das provas e a ausência de laudos técnicos.
  • Representantes das famílias das vítimas descrevem o processo como uma 'longa batalha' ainda em curso, enquanto tanto acusação quanto defesa já recorreram das sentenças mais recentes.
  • O caso segue para instância superior com o país ainda digerindo não apenas o que aconteceu, mas como foi possível que acontecesse.

Em uma sala de tribunal em Belgrado, Vladimir e Miljana Kecmanović ouviram pela segunda vez as acusações que os tornaram responsáveis pela morte de dez pessoas. O novo julgamento, realizado em 2026, foi consequência direta da anulação das sentenças originais de 2024 por uma corte de apelação que apontou inconsistências na fundamentação.

O massacre aconteceu em 2023, na escola Vladislav Ribnikar. O filho do casal, então com 13 anos, entrou no prédio com duas armas retiradas do cofre do pai e, em pouco mais de dois minutos, disparou 66 vezes. Sete meninas, um menino e um funcionário morreram no local; uma décima vítima faleceu depois no hospital. Cinco crianças e um professor ficaram feridos. Por ser menor de idade, o adolescente não enfrentou julgamento criminal — foi internado em instituição psiquiátrica.

Na sentença mais recente, o pai recebeu 14 anos e seis meses de prisão por negligência, maus-tratos e crime grave contra a segurança pública — incluindo ter treinado o filho no uso de armas e falhado no armazenamento seguro. A mãe foi condenada a dois anos e onze meses por negligência, respondendo em liberdade até o início do novo julgamento, em janeiro de 2026.

A defesa contestou a condenação, afirmando que ela não diferia substancialmente da sentença já anulada e que faltaram provas técnicas suficientes. A advogada das famílias das vítimas descreveu o processo como uma 'longa batalha' ainda sem fim. Ambos os lados recorreram, e o caso segue para análise em instância superior — enquanto a Sérvia ainda tenta compreender como uma tragédia desse porte foi possível.

Em uma sala de tribunal em Belgrado, um casal ouviu novamente as acusações que os tornaram responsáveis pela morte de dez pessoas. Vladimir e Miljana Kecmanović foram condenados em um novo julgamento realizado em 2026, quase três anos após o ataque que seus filhos facilitaram em uma escola da capital sérvia.

O massacre aconteceu na escola Vladislav Ribnikar em 2023. Um adolescente de 13 anos entrou no prédio com duas armas retiradas do cofre do pai, colocadas em sua mochila. Em pouco mais de dois minutos, disparou 66 vezes. Matou sete meninas, um menino e um funcionário. Uma décima vítima foi socorrida mas morreu depois no hospital. Cinco crianças e um professor ficaram feridos. O país, onde tiroteios em escolas eram praticamente desconhecidos, entrou em choque.

Por ser menor de idade, abaixo da maioridade penal na Sérvia, o adolescente não enfrentou julgamento criminal. Foi internado em uma instituição psiquiátrica. Seus pais, porém, responderam por negligência e maus-tratos contra um menor. O pai também foi acusado de crime grave contra a segurança pública. Na sentença mais recente, Vladimir Kecmanović recebeu 14 anos e seis meses de prisão. Miljana foi condenada a dois anos e onze meses.

Este não é o primeiro julgamento. Em 2024, o tribunal já havia condenado o casal. Naquela ocasião, o pai foi responsabilizado por treinar o filho no uso de armas e por falhas no armazenamento seguro. A mãe foi absolvida da acusação de posse ilegal de armas, mas condenada por negligência. Um instrutor de estande de tiro também foi considerado culpado por falso testemunho. Mas a corte de apelação anulou tudo em novembro de 2025, apontando inconsistências na fundamentação. O pai permaneceu preso; a mãe respondeu em liberdade até o novo julgamento, que começou em janeiro de 2026.

Durante as audiências recentes, a acusação argumentou que responsabilizar os pais ajuda a explicar a dimensão social da tragédia, considerada uma das mais graves da história recente do país. A defesa contestou, afirmando que a nova condenação não diferia substancialmente da sentença anterior, já anulada. Os advogados também disseram que não houve comprovação suficiente das acusações e que faltaram laudos técnicos demonstrando negligência.

O ataque de 2023 desencadeou uma onda de choque que se aprofundou dois dias depois, quando outro ataque armado em área próxima a Belgrado deixou nove mortos. Milhares de pessoas foram às ruas em protesto. O governo respondeu com anistia para entrega de armas e endurecimento das leis de controle de armamentos. Zora Dobričanin, advogada representando familiares das vítimas, descreveu o processo como uma "longa batalha" que ainda não chegou ao fim. Tanto a defesa quanto a acusação recorreram das sentenças mais recentes. O caso segue para análise em instância superior, com o país ainda processando o que aconteceu e como permitir que acontecesse.

Uma longa batalha que ainda não chegou ao fim e seguirá sendo discutida na corte
— Zora Dobričanin, advogada representando familiares das vítimas
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Por que os pais estão sendo julgados novamente se já foram condenados em 2024?

Model

A corte de apelação anulou a primeira sentença porque encontrou inconsistências na fundamentação. Não era uma absolvição — era um reconhecimento de que o julgamento anterior tinha falhas procedimentais. Então tudo recomeçou do zero em janeiro deste ano.

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O adolescente não pode ser julgado criminalmente na Sérvia. Como isso muda a dinâmica do caso?

Model

Muda tudo. Porque não há responsabilidade criminal para menores, a culpa recai inteiramente sobre os adultos que o cercavam. Os pais se tornam o centro do processo — não como cúmplices, mas como negligentes. A pergunta não é "ele fez?", é "vocês deixaram isso acontecer?"

Inventor

Qual é o argumento da defesa?

Model

Que não há comprovação suficiente. Que faltam laudos técnicos demonstrando negligência específica. Eles dizem que a nova sentença é essencialmente a mesma da anterior, que já foi anulada. É uma estratégia de procedimento, não de inocência.

Inventor

Como a Sérvia reagiu ao ataque?

Model

Com pânico e mobilização. Dois dias depois houve outro ataque armado. Milhares foram às ruas. O governo respondeu com anistia para entrega de armas e leis mais rigorosas de controle. Mas o trauma permanece — tiroteios em escolas eram praticamente inexistentes lá antes.

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O que significa para as famílias das vítimas que o caso continue em apelação?

Model

Significa que a batalha não terminou. A advogada que as representa chamou de "longa batalha". Cada novo julgamento é uma chance de que a sentença seja aumentada, diminuída ou anulada novamente. É um processo que não oferece fechamento.

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