Pacientes denunciam dificuldades em marcar consultas com anestesista no HU-UFPI

Pacientes aguardam cirurgias necessárias por meses ou anos, impactando sua saúde e qualidade de vida, como casos de cálculo renal e vesical não tratados.
São três anos lutando por uma cirurgia
Paciente aguarda há três anos para consulta com anestesista antes de cirurgia para remover cálculo renal.

No Piauí, pacientes que dependem do Hospital Universitário da UFPI para cirurgias eletivas se veem presos em uma antessala burocrática: a consulta obrigatória com o anestesista, etapa que deveria ser rotineira, tornou-se uma espera de meses ou anos. O caso revela uma tensão antiga entre a capacidade limitada dos hospitais públicos de alta complexidade e a vastidão da necessidade humana que bate à sua porta — onde cada fila de espera esconde uma história de dor adiada.

  • Pacientes como Danyelle e Eliana acumulam meses e até três anos tentando agendar uma única consulta pré-operatória, sem a qual nenhuma cirurgia pode avançar.
  • A rotina de tentativas frustradas — inclusive de madrugada — expõe o desgaste físico e emocional de quem já convive com dor e adoecimento enquanto aguarda.
  • O hospital reconhece o gargalo, mas atribui o problema à escassez estrutural de hospitais de alta complexidade no Piauí, não a falhas internas de gestão.
  • Uma nova contratualização firmada em janeiro com a Fundação Municipal de Saúde ampliou o número de cirurgias eletivas realizadas, sinalizando um caminho possível.
  • Sem prazos ou metas concretas anunciadas, a promessa de melhora no médio prazo deixa pacientes em situação crítica sem horizonte claro de resolução.

No Hospital Universitário da UFPI, em Teresina, uma etapa aparentemente simples — a consulta pré-operatória com o anestesista — tornou-se o principal obstáculo para pacientes que aguardam cirurgias eletivas. Sem essa avaliação obrigatória, nenhum procedimento pode ser agendado, e a fila para consegui-la se estende por meses ou anos.

Danyelle Pires, pensionista, soube em setembro do ano passado que tinha cálculos na vesícula. Encaminhada para cirurgia em março, ela passou a frequentar o hospital diariamente — às vezes de madrugada — sem conseguir a consulta. Eliana Santiago, dona de casa de 60 anos, enfrenta situação ainda mais prolongada: há três anos tenta remover um cálculo renal e ainda não ultrapassou a barreira do anestesista. Para ela, a espera não é apenas burocrática — é uma questão de saúde que se deteriora com o tempo.

O HU-UFPI respondeu às denúncias informando que conta com 39 anestesistas operando na capacidade máxima. A administração aponta que o Piauí dispõe de poucos hospitais de alta complexidade, o que concentra uma demanda desproporcional na instituição e alimenta o crescimento gradual das filas.

Como medida de alívio, o hospital destacou que, desde janeiro, uma nova contratualização com a Fundação Municipal de Saúde permitiu ampliar o número de cirurgias eletivas realizadas. A expectativa é de melhora no médio prazo — mas sem prazos definidos, os pacientes que já esperam há anos seguem sem uma resposta concreta sobre quando será a vez deles.

No Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí, pacientes que aguardam cirurgias enfrentam um obstáculo inesperado: não conseguem marcar a consulta obrigatória com o anestesista que deve preceder qualquer procedimento. A dificuldade transformou-se em denúncia, com histórias de meses e anos de espera por um atendimento que deveria ser rotineiro.

Danyelle Pires, uma pensionista, descobriu em setembro do ano anterior que tinha cálculos na vesícula. Recebeu o encaminhamento para cirurgia no início de março, mas meses depois ainda não havia conseguido passar pela avaliação do anestesista. "Passou a Semana Santa e nada do anestesista e todo dia estou vindo para cá, até de madrugada e nada", desabafou, descrevendo uma rotina de tentativas frustradas.

O caso de Eliana Santiago, uma dona de casa de 60 anos, é ainda mais grave. Ela precisa de uma cirurgia para remover um cálculo renal, mas a luta para conseguir a consulta pré-operatória com o anestesista se estende por três anos. "Chego no HU para dar entrada ao anestesista e não consigo e fica difícil. São três anos lutando por uma cirurgia", relatou, evidenciando como a demora afeta não apenas o agendamento, mas a saúde e a qualidade de vida de quem aguarda.

O Hospital Universitário respondeu às denúncias com uma nota explicativa. A instituição informou que possui 39 anestesistas trabalhando na capacidade operacional máxima. Segundo a administração, o estado possui poucos hospitais de alta complexidade, o que torna a demanda insuficiente para o número de pacientes que procuram atendimento. Esse desequilíbrio, segundo o hospital, resulta no crescimento gradual das filas de espera.

A instituição também mencionou uma mudança recente. Desde janeiro, por meio de uma nova contratualização com a Fundação Municipal de Saúde, o HU conseguiu aumentar o número de cirurgias eletivas realizadas, o que ajuda na redução das filas cirúrgicas. A administração acredita que essa estratégia trará melhorias no médio prazo, embora não tenha especificado prazos ou metas concretas para resolver o gargalo atual.

Passou a Semana Santa e nada do anestesista e todo dia estou vindo para cá, até de madrugada e nada
— Danyelle Pires, paciente aguardando cirurgia de vesícula
São três anos lutando por uma cirurgia
— Eliana Santiago, paciente aguardando cirurgia de cálculo renal
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a consulta com anestesista é tão crítica? Não poderia ser feita em outro lugar?

Model

A avaliação pré-operatória com o anestesista é obrigatória por lei. O médico precisa conhecer o histórico do paciente, seus medicamentos, alergias, para planejar a anestesia de forma segura. Não é burocracia — é segurança.

Inventor

E por que especificamente no HU-UFPI isso virou um problema tão grande?

Model

Porque é um hospital de alta complexidade. Concentra os casos mais difíceis, as cirurgias mais complicadas. E o estado não tem muitos desses hospitais. Todo mundo acaba indo para lá.

Inventor

Mas eles têm 39 anestesistas. Isso não é suficiente?

Model

Não, quando você tem uma fila de milhares de pessoas aguardando cirurgia. Trinta e nove anestesistas trabalhando no máximo da capacidade significa que não há folga, não há margem. Uma licença, uma doença, e o sistema colapsa.

Inventor

Então a culpa é do estado por não ter mais hospitais?

Model

É mais complexo. Sim, faltam hospitais de alta complexidade. Mas também há um problema de gestão de filas, de priorização. Pacientes com cálculo renal não deveriam esperar três anos.

Inventor

E essa nova contratualização vai resolver?

Model

Pode ajudar, mas é uma solução parcial. Aumentar cirurgias é bom, mas se o gargalo é a avaliação pré-operatória, você precisa de mais anestesistas ou de uma forma mais eficiente de fazer essas consultas.

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