Numa entrevista exclusiva à Folha, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel atribuiu ao embargo americano a responsabilidade quase total pela pobreza e pelo colapso econômico de Cuba — uma explicação que, embora não seja falsa, encobre décadas de escolhas políticas domésticas e de uma estrutura econômica que nunca foi autossustentável. O colapso soviético nos anos 1990, a dependência energética da Venezuela e usinas em ruínas compõem um quadro de fragilidade que nenhuma sanção externa, por si só, poderia ter criado. Cuba enfrenta agora o desafio de reformar, tardiamente, um modelo que a própria h
Os problemas de Cuba vão além do embargo americano
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Impacto Geopolítico
Análise revela que os problemas econômicos de Cuba transcendem o embargo americano, refletindo também política anacrônica, gestão pública deficiente e dependência de subsídios externos insustentáveis.
O embargo americano permanece como instrumento de pressão geopolítica, mas sua efetividade é limitada pela gestão interna cubana. A invasão da Venezuela por Trump em 2025 reposiciona a dinâmica regional, cortando a principal fonte de petróleo de Cuba e fortalecendo a hegemonia americana no Caribe. A dependência histórica de subsídios externos (URSS, depois Venezuela) expõe a fragilidade estrutural do modelo cubano e reduz sua autonomia geopolítica.
Semelhante ao colapso econômico pós-1991 quando a queda da URSS eliminou subsídios soviéticos, Cuba enfrenta novo choque externo com a interrupção do fornecimento venezuelano, evidenciando a insustentabilidade de modelos econômicos baseados em dependência de potências externas.
Lente Económico
Os problemas econômicos de Cuba transcendem o embargo americano, refletindo também política anacrônica, gestão pública deficiente e dependência insustentável de subsídios externos.
A população cubana enfrenta apagões diários de até 20 horas, escassez de combustível, deterioração da infraestrutura e redução do acesso a bens e serviços básicos, resultando em queda significativa da qualidade de vida.
O artigo sugere que políticas de embargo, embora questionáveis, não são a única solução necessária. Reformas estruturais na gestão pública, modernização da infraestrutura energética, diversificação econômica e abertura comercial com múltiplos parceiros internacionais seriam essenciais para resolver a crise. Também indica necessidade de reavaliação de modelos econômicos socialistas centralizados.