OpenAI planeia transformar-se em organização com fins lucrativos

A organização sem fins lucrativos é fundamental, mas a divisão lucrativa é onde o poder real reside
A OpenAI promete manter a sua missão original, mas a reestruturação coloca o lucro no centro do negócio.

A OpenAI, nascida como contrapeso ético às grandes corporações tecnológicas, prepara-se para abandonar a sua estrutura sem fins lucrativos e abraçar plenamente a lógica do mercado. Sam Altman lidera uma reestruturação que transformaria o núcleo da empresa numa entidade lucrativa, avaliada em até 150 mil milhões de dólares, enquanto a missão original sobreviveria apenas como divisão minoritária. É o momento em que uma ideia sobre como a inteligência artificial deveria ser governada encontra a pressão inevitável do capital.

  • A OpenAI está a converter o seu núcleo operacional numa empresa com fins lucrativos, abandonando a estrutura que definia a sua identidade desde a fundação.
  • Sam Altman, que já foi expulso e reintegrado pelo próprio conselho, receberá agora ações da divisão lucrativa — um benefício pessoal que a estrutura anterior tornava impossível.
  • A saída de Mira Murati e o afastamento de Greg Brockman alimentam dúvidas sobre se esta transformação reflete consenso interno ou uma imposição da liderança.
  • Fontes anónimas alertam que a mudança pode enfraquecer a supervisão independente sobre os riscos do desenvolvimento de inteligência artificial em larga escala.
  • A empresa responde com linguagem cautelosa, garantindo que a missão continua — mas a arquitetura que a protegia está prestes a tornar-se minoritária.

A OpenAI, criadora do ChatGPT e uma das forças mais influentes na corrida à inteligência artificial, funciona atualmente sob uma estrutura sem fins lucrativos. Essa configuração está prestes a mudar de forma fundamental: Sam Altman lidera um plano para transformar o núcleo operacional da empresa numa organização lucrativa, mantendo apenas uma divisão sem fins lucrativos com participação minoritária.

O objetivo declarado é tornar a empresa mais atraente para investidores, com uma avaliação que poderá atingir os 150 mil milhões de dólares. Para Altman, a mudança traz também um benefício direto — receberá ações da nova divisão lucrativa, algo que a estrutura anterior não permitia. A Reuters avançou a notícia com base em fontes próximas das negociações.

A reestruturação surge num momento de turbulência interna. Mira Murati, diretora tecnológica, anunciou a sua saída; Greg Brockman, presidente, está afastado das operações diárias. Estas ausências levantam questões sobre se a transformação reflete uma visão partilhada ou uma decisão imposta de cima.

Fontes anónimas alertam para o que está verdadeiramente em jogo: numa estrutura orientada para o lucro, quem garante a supervisão independente sobre os riscos da inteligência artificial? A OpenAI respondeu com uma declaração cautelosa, sublinhando que a organização sem fins lucrativos 'continuará a existir' e que a missão permanece central. Mas a empresa que nasceu como contrapeso ideológico às grandes corporações tecnológicas está, ela própria, a tornar-se uma máquina de mercado. Os próximos meses dirão se o equilíbrio entre ambição comercial e responsabilidade é possível — ou apenas uma promessa.

A OpenAI, a empresa que criou o ChatGPT e se tornou uma das forças mais influentes no desenvolvimento de inteligência artificial, funciona atualmente sob uma estrutura sem fins lucrativos. Mas essa configuração está prestes a mudar de forma fundamental. Sam Altman, o director executivo da empresa, está a liderar um plano de reestruturação que transformaria o núcleo operacional da OpenAI numa organização com fins lucrativos, mantendo apenas uma divisão sem fins lucrativos com participação minoritária.

O objectivo declarado é tornar a empresa mais atraente para os investidores. A reestruturação poderia elevar a avaliação da OpenAI para 150 mil milhões de dólares — cerca de 135 mil milhões de euros. Para Altman pessoalmente, a mudança traria um benefício directo: ele receberia acções da divisão lucrativa, algo que não era possível na estrutura anterior. A notícia foi avançada pela Reuters, que falou com fontes próximas do processo de negociação.

Esta não é a primeira vez que Altman enfrenta tensões sobre a direcção da empresa. No ano passado, demitiu-se da OpenAI após diferendos ideológicos com o conselho de administração sobre como a inteligência artificial deveria ser desenvolvida. Regressou poucos dias depois, mas a saída sinalizou fraturas internas sobre a missão fundamental da organização.

A OpenAI respondeu oficialmente às notícias sobre a reestruturação com uma declaração cautelosa. Um porta-voz da empresa afirmou que os trabalhadores continuam focados em "construir inteligência artificial que beneficia a todos" e que estão a trabalhar com o conselho de administração para garantir que a empresa está "melhor posicionada para ter sucesso na nossa missão". A organização sem fins lucrativos, sublinhou, "é fundamental para a nossa missão e continuará a existir".

Mas as fontes anónimas que falaram com a Reuters levantam uma questão mais profunda: como será gerido o risco? O desenvolvimento de inteligência artificial de grande escala coloca questões éticas e de segurança que muitos argumentam exigem supervisão independente e orientação não comercial. Uma estrutura onde o lucro é o motor principal poderia comprometer essa vigilância.

A reestruturação surge num momento de turbulência na liderança da OpenAI. Mira Murati, a directora tecnológica da empresa, anunciou recentemente a sua saída. Greg Brockman, o presidente, mantém o cargo mas tem estado de baixa e afastado das operações diárias. Estas partidas levantam questões sobre a estabilidade interna da organização e sobre se a mudança estrutural reflete uma visão partilhada ou uma imposição de cima para baixo.

O que está em jogo é mais do que uma simples reorganização corporativa. A OpenAI foi fundada com uma missão explícita de desenvolver inteligência artificial de forma segura e benéfica. A conversão para uma estrutura lucrativa marca um ponto de viragem — o momento em que uma empresa que começou como um contrapeso ideológico às grandes corporações de tecnologia se torna, ela própria, uma máquina de lucro. Os próximos meses dirão se essa transformação consegue manter o equilíbrio entre ambição comercial e responsabilidade.

Estamos a trabalhar com o nosso conselho para garantir que estamos melhor posicionados para ter sucesso na nossa missão. A organização sem fins lucrativos é fundamental para a nossa missão e continuará a existir.
— Porta-voz oficial da OpenAI
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que a OpenAI precisa de fazer isto agora? Não estava já a ganhar dinheiro?

Model

Estava, mas não da forma que os investidores querem. Numa estrutura sem fins lucrativos, não há acções para vender, não há dividendos. Os investidores colocam dinheiro mas não têm propriedade real. Isto muda isso.

Inventor

E Sam Altman recebe acções. Isso não é um conflito de interesses?

Model

Tecnicamente, sim. Ele tem agora um incentivo financeiro pessoal para maximizar o valor da empresa. Antes, era apenas o salário. Agora, se a empresa vale 150 mil milhões, ele fica rico.

Inventor

A empresa diz que a missão sem fins lucrativos continua. Acredita nisso?

Model

As palavras estão lá. Mas uma divisão minoritária tem pouco poder sobre uma divisão maioritária lucrativa. É como dizer que o conselho de ética tem voz — mas a voz é fraca.

Inventor

Porque é que Mira Murati saiu?

Model

Não sabemos ao certo. Mas saiu quando isto estava a ser negociado. Pode ser coincidência. Pode não ser.

Inventor

O que é que isto significa para o futuro da IA?

Model

Significa que a empresa que criou o ChatGPT está agora a jogar o jogo corporativo como todos os outros. Isso pode ser bom — mais dinheiro, mais recursos. Ou pode ser perigoso — menos supervisão, mais pressa.

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