Infraestrutura é destino — e Altman quer controlá-la
OpenAI iniciou campanha multitrilionária com governos e investidores em EUA, Ásia, Oriente Médio e Europa para expandir poder computacional de IA. Custos da OpenAI (US$ 7 bilhões) superam receitas (US$ 3 bilhões), impulsionando busca por financiamento de US$ 6,5 bilhões e infraestrutura massiva.
- Sam Altman buscou trilhões de dólares com governos e investidores em EUA, Ásia, Oriente Médio e Europa
- OpenAI gasta US$ 7 bilhões anualmente enquanto arrecada US$ 3 bilhões em vendas
- Altman propôs 36 fábricas de semicondutores e data centers custando US$ 7 trilhões no total
- Pressões de segurança nacional dos EUA forçaram mudança de estratégia para focar em data centers americanos
- Promessa de até 500 mil empregos através de centros de dados de IA nos Estados Unidos
Sam Altman busca trilhões de dólares para construir fábricas de chips e data centers globais, reduzindo ambições iniciais após pressões de segurança nacional dos EUA.
Sam Altman saiu do escritório da OpenAI com um plano que soava impossível mesmo para os padrões da tecnologia: ele precisava de trilhões de dólares. Não centenas de bilhões. Trilhões. E ele estava disposto a viajar pelo mundo inteiro para conseguir.
No final do ano passado, o CEO de 39 anos começou a fazer as rondas. Emirados Árabes Unidos. Taiwan. Coreia do Sul. Japão. Alemanha. Washington. Em cada parada, ele apresentava a mesma visão: a inteligência artificial precisava de infraestrutura em escala nunca antes vista — fábricas de chips gigantescas, data centers espalhados pelo globo, um reservatório global de poder computacional que funcionasse como a eletricidade. Assim como a energia elétrica havia transformado a sociedade, Altman acreditava que a IA poderia fazer o mesmo, mas apenas se houvesse máquinas suficientes para alimentá-la.
A ambição inicial era descomunal. Quando visitou a sede da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company em Taiwan, Altman disse aos executivos que seriam necessários sete trilhões de dólares e muitos anos para construir 36 fábricas de semicondutores e centros de dados adicionais. Os executivos da TSMC ficaram tão incrédulos que começaram a chamá-lo de "bro de podcast" — uma alusão às promessas vazias que imaginavam estar ouvindo. Adicionar apenas algumas fábricas de chips era incrivelmente arriscado; 36 era absurdo.
Mas havia um problema maior que o ceticismo dos fabricantes de chips. Washington começou a se preocupar. Funcionários da Casa Branca e líderes do Congresso temiam que permitir que os Emirados Árabes Unidos desempenhassem um papel central na construção dessa infraestrutura crítica pudesse dar à China uma porta de entrada para tecnologias vitais. Pesquisadores de segurança nacional encontraram evidências de colaborações entre universidades dos Emirados e instituições chinesas com ligações a Pequim. A ideia de que uma tecnologia considerada essencial para a economia e a guerra fosse desenvolvida fora do controle americano começou a parecer politicamente impossível.
Altman recuou. Não completamente — ele ainda acredita na visão — mas estrategicamente. Reduziu suas ambições de trilhões para centenas de bilhões e mudou o foco para os Estados Unidos. Em uma reunião na Casa Branca no início de setembro, apresentou um estudo chamado "Infraestrutura é Destino". O plano pedia novos centros de dados americanos, cada um custando cem bilhões de dólares, abrigando dois milhões de chips de IA e consumindo cinco gigawatts de eletricidade. Enquanto falava, sentado em frente a um retrato de Franklin D. Roosevelt — o presidente que havia despejado dinheiro em projetos de infraestrutura massivos — Altman disse aos funcionários da Casa Branca, incluindo a secretária de Comércio Gina Raimondo e o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan, que esses centros de dados seriam um catalisador para a reindustrialização americana, criando até 500 mil empregos.
A urgência por trás dessa campanha é real. A OpenAI arrecada mais de três bilhões de dólares em vendas anualmente, mas gasta cerca de sete bilhões. Os custos superam as receitas por uma margem assustadora. A empresa está buscando seis bilhões e meio de dólares em novo financiamento, uma rodada que avaliaria a startup em 150 bilhões de dólares. Potenciais investidores incluem Microsoft, Nvidia, Apple e Tiger Global, além da MGX, um veículo de investimento dos Emirados focado em IA.
Os detalhes de como tudo isso funcionaria ainda permanecem vagos. A OpenAI tentou montar uma federação informal de empresas — construtoras de data centers como a Microsoft, investidores, fabricantes de chips — mas quem pagaria, quem receberia e o que exatamente seria construído continuam sem resposta clara. Enquanto isso, a empresa contratou Chris Lehane, advogado da Casa Branca durante a administração Clinton, como vice-presidente de política global, junto com dois ex-funcionários do Departamento de Comércio que trabalharam na Lei Chips. Um deles administrará futuros projetos de infraestrutura. A conversa entre o presidente Joe Biden e o xeque Mohammed bin Zayed dos Emirados Árabes Unidos na Casa Branca esta semana resultou em instruções para que altos funcionários desenvolvessem um memorando detalhando colaboração futura em IA. O jogo está longe de terminar.
Notable Quotes
Sam está pensando em como a OpenAI pode permanecer relevante. Ela precisa de mais capacidade de computação, mais conectividade, mais energia.— Daniel Newman, CEO do Futurum Group
Não estamos, nem nunca estivemos, considerando projetos de vários trilhões de dólares. O que a OpenAI está explorando especificamente é na escala de centenas de bilhões.— Liz Bourgeois, porta-voz da OpenAI
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Por que Altman começou pedindo trilhões quando sabia que seria ridicularizado?
Porque ele estava testando o que era possível. Quando você quer algo verdadeiramente grande, você começa grande. Depois você negocia para baixo. Mas também porque ele acredita que a escala é real — que a IA realmente precisa de poder computacional em uma magnitude que a maioria das pessoas não consegue imaginar.
E por que os Emirados Árabes Unidos eram tão atraentes no começo?
Energia. Eles têm excesso de eletricidade. Nos Estados Unidos, as empresas têm dificuldade em construir novos data centers porque não há energia suficiente. Nos Emirados, você constrói e liga. É simples assim.
Mas Washington disse não.
Washington disse que tinha medo. Medo de que a China conseguisse acesso a uma tecnologia que consideram crítica para a segurança nacional. Então Altman teve que mudar de estratégia — não abandonar a visão, mas reembalá-la como um projeto americano.
Ele está mentindo sobre os números agora?
Não está mentindo. Está sendo mais honesto. Sete trilhões era uma cifra de abertura. Centenas de bilhões é o que ele realmente acredita que precisa. Mas ainda é uma quantidade de dinheiro que a maioria das pessoas não consegue compreender.
E se ele conseguir o dinheiro? O que muda?
Tudo. Se a OpenAI conseguir construir essa infraestrutura, ela controla o poder computacional que toda a próxima geração de IA dependerá. Não é apenas sobre ter melhores máquinas. É sobre ter as únicas máquinas que importam.
Parece um jogo de poder.
É. Sempre foi. Altman apenas deixou isso claro ao viajar pelo mundo inteiro para dizer a todos que se não colaborassem com ele, colaborariam com a China.