Dinâmica melhor que a média dos chineses, mas deixou falhas no acabamento
No cruzamento entre a ambição industrial chinesa e o apetite brasileiro por SUVs eletrificados, o Omoda 5 híbrido se apresenta ao mercado como um desafiante calculado — não perfeito, mas deliberadamente competente onde mais importa. Com 224 cavalos combinados, consumo próximo a 19 km/l e preço entre R$ 164.990 e R$ 184.990, o modelo da Chery convida o consumidor a repensar o que significa valor em um segmento dominado por nomes consagrados. É a história recorrente da inovação periférica que pressiona o centro: imperfeita nos detalhes, mas perturbadora o suficiente para mover o debate.
- Toyota Corolla Cross e Jeep Compass ganham um rival chinês que combina eletrificação sem tomada, desempenho esportivo e lista farta de equipamentos de série — uma combinação rara na faixa de preço.
- O sistema híbrido inverte a lógica convencional: o motor a combustão age como gerador, cedendo a tração ao elétrico e entregando 0 a 100 km/h em 7,9 segundos sem abrir mão de cerca de 19 km/l em condições favoráveis.
- O interior trai a ambição: telas curvas, som Sony e bancos ventilados convivem com apliques cromados e plásticos que imitam madeira no estilo de sedãs coreanos de duas décadas atrás.
- O porta-malas de 371 litros, a ausência de estepe e o assistente de faixa ainda impreciso revelam onde a marca optou por não competir — priorizando dinâmica em detrimento de refinamento.
- Com suspensão que inspira confiança em curvas e um pacote tecnológico robusto na versão topo, o Omoda 5 se posiciona como a alternativa eletrificada mais acessível do segmento para quem aceita trocar polimento por desempenho.
O Omoda 5 híbrido chega ao Brasil com uma missão declarada: perturbar Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e até versões mais caras do T-Cross e Nivus. Seu argumento central é duplo — eletrificação sem necessidade de recarga externa e uma lista generosa de equipamentos de série a um preço que começa em R$ 164.990.
O coração do carro é um sistema híbrido que combina motor 1.5 turbo a gasolina com propulsor elétrico, totalizando 224 cavalos e 30 kgfm de torque. A filosofia difere do Corolla Cross: aqui, o motor térmico funciona principalmente como gerador, deixando a tração elétrica assumir o protagonismo. O resultado é uma aceleração de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos e consumo próximo a 19 km/l em condições favoráveis — equilíbrio raro no segmento.
Visualmente, o SUV tem identidade própria: grade em diamante, faróis divididos, perfil de cupê na traseira e rodas de 18 polegadas de série. Com 4,44 metros, rivaliza em tamanho com Compass e Corolla Cross. Internamente, quatro adultos cabem com conforto, mas o porta-malas de 371 litros decepciona frente aos concorrentes, e a ausência de estepe pode afastar consumidores mais conservadores.
A cabine aposta em sofisticação com duas telas curvas de 12,3 polegadas, carregador por indução refrigerado, iluminação ambiente e, na versão Prestige, bancos com ventilação, aquecimento e som Sony de oito alto-falantes. Mas apliques cromados e plásticos que imitam madeira destoam do conjunto, evocando carros coreanos de 2005. O sistema de câmera troca automaticamente a visão traseira por uma projeção aérea durante manobras — recurso que dificulta a percepção real da distância.
A suspensão é um dos pontos altos: filtra irregularidades sem comprometer o controle e transmite confiança em curvas rápidas, qualidade rara entre os SUVs chineses recém-chegados ao país. A marca fez uma escolha consciente — priorizar dinâmica e aceitar falhas de refinamento. Para quem busca um SUV eletrificado sem pagar o preço dos híbridos tradicionais, o Omoda 5 é uma das apostas mais provocadoras do momento.
O Omoda 5 híbrido chega ao mercado brasileiro com uma proposta clara: incomodar os líderes consolidados do segmento de SUVs médios. Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e até versões mais caras do Volkswagen T-Cross e Nivus agora têm um concorrente chinês que aposta em dois argumentos cada vez mais pesados na decisão de compra — ser híbrido sem exigir tomada para carregamento e oferecer uma lista generosa de equipamentos de série.
Mas o Omoda vai além da simples redução de consumo. Seu sistema híbrido combina um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cavalos com um propulsor elétrico de 204 cavalos, totalizando 224 cavalos de potência combinada e 30 kgfm de torque máximo. A diferença fundamental em relação ao Corolla Cross Hybrid está na filosofia: enquanto o SUV japonês usa o motor a combustão com frequência para tracionar as rodas, no Omoda o propulsor térmico trabalha principalmente como gerador de energia, entrando na tração apenas quando necessário. O resultado é um carro que acelera de 0 a 100 km/h em apenas 7,9 segundos, mas consegue registrar consumo próximo a 19 km/l em condições favoráveis — uma combinação impressionante que equilibra desempenho e eficiência.
Visualmente, o Omoda 5 estabelece identidade própria apesar de compartilhar origem com outros produtos do grupo Chery. A dianteira impressiona com uma enorme grade em formato de diamante, faróis divididos e luzes diurnas em LED integradas ao acabamento preto que percorre toda a frente. Na traseira, o caimento do teto lembra SUVs de perfil cupê, enquanto lanternas horizontais reforçam a sensação de largura. Com 4,44 metros de comprimento, o SUV fica muito próximo de Compass e Corolla Cross em tamanho externo, posicionando-se acima dos utilitários compactos tradicionais. Rodas de 18 polegadas vêm de série nas duas versões disponíveis, assim como teto solar e retrovisores com acabamento escurecido.
O espaço interno acomoda confortavelmente quatro adultos, embora um quinto ocupante no banco traseiro encontre menos conforto devido ao túnel central e porta-copos integrado ao apoio de braço. O porta-malas, porém, decepciona: com apenas 371 litros de capacidade, fica abaixo dos principais concorrentes e mais próximo do T-Cross. A ausência de estepe, substituído por kit de reparo, também pode desagradar consumidores que preferem a garantia de um pneu extra para emergências.
Ao entrar na cabine, a intenção de transmitir sofisticação é evidente mas o resultado é misto. Duas telas curvas de 12,3 polegadas — uma para quadro de instrumentos e outra para sistema multimídia — oferecem Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador de celular por indução refrigerado, comandos por voz e iluminação ambiente configurável. Na versão Prestige, bancos dianteiros contam com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, além de sistema de som Sony com oito alto-falantes. Mas alguns apliques cromados e peças plásticas que imitam madeira destoam do restante do interior, lembrando carros coreanos de 2005 com qualidade inferior. O pacote de segurança é vasto na versão topo de linha, concentrando praticamente todos os sistemas de assistência à condução disponíveis no segmento, embora o assistente de permanência em faixa ainda apresente atuação menos refinada que alguns concorrentes.
O sistema de câmera oferece boa resolução e múltiplos ângulos, mas possui uma característica irritante: ao se aproximar de obstáculos durante manobra, o software troca automaticamente a imagem traseira por uma visão superior com projeção virtual, dificultando a percepção exata da distância até o objeto. O volante possui diâmetro grande e posição muito inclinada, parecido com volante de van, exigindo adaptação do motorista. O sistema de regeneração de energia, quando configurado no nível máximo, provoca desacelerações bruscas abaixo de 15 km/h.
A suspensão filtra bem irregularidades sem comprometer o controle da carroceria e transmite confiança em curvas de alta velocidade — um dos acertos mais convincentes entre SUVs chineses avaliados recentemente. O Omoda 5 híbrido chega ao Brasil com preço entre R$ 164.990 e R$ 184.990, oferecendo desempenho superior ao de boa parte dos rivais e bom nível de consumo de combustível, mas acabamento abaixo da média dos chineses que desembarcaram recentemente no país. A marca fez uma escolha clara: priorizar dinâmica de condução superior à média dos concorrentes conterrâneos, aceitando falhas de refinamento no caminho. Para quem procura um SUV eletrificado sem pagar os valores dos híbridos tradicionais, o Omoda 5 surge como uma das opções mais interessantes da categoria.
Citas Notables
O conjunto foi claramente calibrado pensando também no gosto do consumidor brasileiro— Avaliação do Jornal do Carro sobre a suspensão e dinâmica do Omoda 5
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o Omoda escolheu essa arquitetura híbrida diferente do Corolla Cross?
Porque quer priorizar resposta do acelerador e eficiência. Deixando o motor a gasolina trabalhar como gerador, reduz ruído e melhora a reação — o motorista sente a diferença na prática.
Mas o acabamento interior parece ser o ponto fraco?
Exatamente. Alguns plásticos e cromados parecem saídos de outro tempo. É uma escolha clara: gastaram recursos em dinâmica e equipamentos, deixando refinamento de lado.
O porta-malas pequeno é problema sério?
Depende do uso. Para viagens longas, sim. Mas para compras e rotina urbana, 371 litros funcionam. É menos espaço que Compass e Corolla Cross, isso é fato.
E aquele sistema de câmera que muda de ângulo sozinho?
Frustrante. Quando você está tentando estacionar, o software tira sua visão traseira e coloca uma projeção que não mostra a distância real. Você acaba selecionando a câmera várias vezes.
Então vale a pena?
Se você gosta de dirigir e quer desempenho híbrido sem pagar caro, vale. O prazer de dirigir compensa os detalhes irritantes. Mas não é perfeito.