Continua alugando espaço nos mesmos sites que vende
Em meio a um longo processo de recuperação judicial, a Oi recebeu uma oferta formal de até R$1,697 bilhão pela venda de oito mil sites de sua infraestrutura de telefonia fixa à NK 108, subsidiária da Highline do Brasil. A transação, estruturada em duas parcelas e condicionada ao uso futuro da infraestrutura pela própria Oi, segue a lógica já estabelecida pela venda das operações móveis: converter ativos em liquidez para honrar dívidas e reconstruir a empresa. Como toda grande movimentação no setor, o acordo ainda aguarda o julgamento dos guardiões do mercado — Cade e Anatel —, que decidirão se o caminho está livre.
- A Oi, ainda sob recuperação judicial, recebe uma oferta vinculante de R$1,697 bi — sinal de que o mercado ainda enxerga valor em seus ativos, mesmo diante da crise.
- A estrutura do pagamento em duas parcelas, com a segunda condicionada ao uso real da infraestrutura, cria uma tensão entre o caixa imediato que a Oi precisa e a incerteza sobre seu próprio futuro operacional.
- A empresa não abandona completamente os sites vendidos: um contrato de compartilhamento garante que a Oi continue operando na mesma infraestrutura, equilibrando a necessidade de vender com a de sobreviver.
- O negócio só se concretiza com aval do Cade e da Anatel, e ambos os órgãos podem impor condições ou até barrar a transação, mantendo o desfecho em aberto.
A Oi anunciou que recebeu uma proposta vinculante da NK 108 — subsidiária da Highline do Brasil — para a compra de oito mil sites de sua infraestrutura de telefonia fixa por até R$1,697 bilhão. O modelo prevê a transferência dos ativos para uma empresa de propósito específico, que seria então adquirida integralmente pela compradora. Mesmo após a venda, a Oi continuaria presente: um contrato de compartilhamento garantiria à operadora o direito de alugar espaço nos próprios sites vendidos para manter suas operações.
O pagamento seria dividido em duas etapas: R$1,08 bilhão no fechamento do negócio e até R$609 milhões adicionais até 2026, valor esse atrelado ao quanto a Oi efetivamente utilizar a infraestrutura — um mecanismo que alinha os interesses de ambas as partes.
A transação se insere no plano de recuperação judicial da empresa, que já havia vendido suas operações de telefonia móvel à TIM, Telefônica Brasil e Claro por R$16,5 bilhões. A venda da infraestrutura fixa segue a mesma estratégia: transformar ativos em caixa para quitar dívidas e estabilizar o negócio. O fechamento, porém, ainda depende da aprovação do Cade e da Anatel, que avaliarão os impactos concorrenciais da operação antes de dar sinal verde.
A Oi anunciou na segunda-feira que recebeu uma proposta vinculante para vender oito mil sites de sua infraestrutura de telefonia fixa. A oferta, feita pela NK 108 — uma subsidiária da Highline do Brasil — chega a 1,697 bilhão de reais e representa mais um passo na longa reestruturação da operadora, que enfrenta dificuldades financeiras há anos.
O acordo funciona de forma estruturada. A Oi transferiria os ativos para uma empresa de propósito específico, que seria então adquirida integralmente pela NK 108. Mas a operadora não sairia completamente de cena: o contrato inclui um arranjo de compartilhamento pelo qual a Oi continuaria alugando espaço nesses mesmos sites para suas operações. É um modelo que permite à empresa manter presença na infraestrutura enquanto levanta caixa.
O pagamento viria em duas parcelas. A NK 108 desembolsaria 1,08 bilhão de reais no fechamento do negócio. Os 609 milhões restantes seriam pagos até 2026, mas com uma condição: o valor depende de quanto da infraestrutura a Oi realmente usar no futuro. Quanto maior o uso, maior o pagamento — um mecanismo que alinha os interesses das duas partes.
Esta transação se encaixa no plano de recuperação judicial da Oi, um processo que começou há alguns anos quando a empresa enfrentou uma crise de endividamento. Meses antes, a operadora já havia vendido suas operações de telefonia móvel para três concorrentes — TIM, Telefônica Brasil e Claro — em um negócio de 16,5 bilhões de reais. Aquela venda foi considerada crucial para a sobrevivência da empresa. A venda da infraestrutura fixa segue a mesma lógica: transformar ativos em dinheiro para pagar dívidas e estabilizar o negócio.
Mas o caminho até o fechamento ainda passa por obstáculos regulatórios. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) precisam aprovar a transação. Ambos os órgãos analisarão se o negócio prejudica a concorrência no mercado de telecomunicações brasileiro. A aprovação não é garantida, e mudanças nas condições podem ser exigidas antes que o acordo seja selado.
Notable Quotes
A transação está em linha com a implementação do plano de recuperação judicial da Oi— Comunicado da Oi
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Oi está vendendo justamente a infraestrutura fixa agora, depois de já ter vendido o negócio móvel?
A empresa está em recuperação judicial. Precisa de caixa urgentemente. Os ativos fixos — os sites, as torres, os equipamentos — são valiosos e podem ser monetizados. Vender móvel foi o primeiro grande passo; vender a infraestrutura é o segundo.
Mas se a Oi vende os sites, como ela continua operando?
Ela não vende completamente. Continua alugando espaço nos mesmos sites. É como vender a casa mas continuar morando nela, pagando aluguel. Mantém a operação, mas o dinheiro entra agora em vez de depois.
Esse pagamento em duas parcelas — até 2026 — é arriscado para a Oi?
Depende. Se a Oi usar muita infraestrutura, recebe mais dinheiro. Se usar pouca, recebe menos. É um risco compartilhado. A NK 108 aposta que a Oi vai precisar de espaço; a Oi aposta que conseguirá pagar o aluguel.
E se o Cade ou a Anatel disserem não?
Tudo cai. Não há negócio. Por isso a oferta é vinculante mas ainda condicional. A NK 108 se comprometeu, mas ambas sabem que reguladores podem bloquear ou exigir mudanças.
Isso significa que a Oi ainda não está segura?
Exatamente. A empresa precisa dessa venda para sua recuperação, mas não controla a decisão final. É um momento de incerteza.