Óculos que ainda não conseguem sair de uma sala
O modelo básico dos óculos RA chega em 2024, mas versões avançadas só em 2026 e 2028, revelam fontes próximas do projeto Nazare. A Meta ainda não tem protótipo funcional e vestível, apenas um modelo rudimentar para demonstrações estacionárias num espaço limitado.
- Modelo básico dos óculos RA chega em 2024; versões avançadas em 2026 e 2028
- Meta ainda não tem protótipo funcional e vestível, apenas modelo rudimentar para demonstrações estacionárias
- Expectativas internas de vendas: apenas dezenas de milhares de unidades
- Projeto Nazare visa óculos independentes, sem dependência de Apple ou Google
- Zuckerberg está a investir milhões de dólares no desenvolvimento
A Meta planeia lançar o modelo básico de óculos de Realidade Aumentada em 2024, com versões mais avançadas apenas em 2026 e 2028. A empresa ainda não conseguiu um protótipo funcional e vestível, apesar das ambições de Mark Zuckerberg.
A Meta está a tentar conquistar o mercado de hardware com uma aposta ambiciosa em óculos de Realidade Aumentada, mas o calendário de lançamento revela uma realidade bem mais modesta do que as declarações públicas de Mark Zuckerberg sugerem. Segundo fontes próximas do projeto, o modelo mais básico destes óculos só chegará ao mercado em 2024, enquanto as versões mais sofisticadas ficarão relegadas para 2026 e 2028 — um horizonte temporal que contrasta fortemente com o entusiasmo que o CEO demonstrou quando a empresa mudou de nome para Meta, em outubro passado.
O problema central é que a Meta ainda não conseguiu construir um protótipo verdadeiramente funcional e portável. O que existe neste momento é apenas um modelo rudimentar, capaz de fazer demonstrações estacionárias dentro de um espaço limitado — exatamente o tipo de equipamento que Zuckerberg apresentou durante o anúncio da rebranding da empresa. Apesar disso, o CEO afirmou publicamente que estes óculos irão "redefinir o nosso relacionamento com a tecnologia, tal como os smartphones o fizeram". A distância entre a retórica e a realidade técnica é considerável.
O projeto, designado internamente como Nazare, representa muito mais do que um simples produto para Zuckerberg. Segundo as mesmas fontes, o sucesso destes óculos poderia relançar a reputação da empresa, restaurar a confiança dos funcionários e conquistar o respeito dos concorrentes. É uma aposta pessoal e corporativa de grande envergadura. Zuckerberg quer que os óculos funcionem de forma completamente independente, sem necessidade de um smartphone Android ou iOS. Em vez disso, imagina um dispositivo próprio que funcionaria como intermediário, descarregando os elementos computacionais necessários para o funcionamento dos óculos. Curiosamente, este dispositivo poderia ter a forma de um smartphone — uma solução que permitiria à Meta escapar do controlo que Apple e Google exercem sobre as suas lojas de aplicações.
O investimento financeiro é substancial. Zuckerberg está a gastar milhões de dólares para concretizar esta visão, mas as expectativas internas de retorno são modestas. As fontes revelam que a Meta espera vender apenas dezenas de milhares de unidades do primeiro modelo de óculos RA, o que significa que a recuperação do investimento será um processo longo e incerto.
Paralelamente ao projeto Nazare, a Meta está também a desenvolver o projeto Hypernova, que visa criar óculos inteligentes mais simples, capazes de se emparelhar com um smartphone para exibir mensagens e notificações. Apesar da aparente simplicidade, este produto também só deverá chegar ao mercado em 2024. A equipa de desenvolvimento da Meta tem, portanto, um calendário apertado e ambições que se estendem por vários anos. Além do modelo básico de 2024, estão previstos dois modelos mais avançados para 2026 e 2028, embora os detalhes técnicos sobre estes últimos permaneçam em sigilo. O que fica claro é que Zuckerberg está a jogar um jogo de longo prazo, apostando em tecnologia que ainda não domina completamente, com a esperança de que o tempo e o investimento transformem a visão em realidade comercial.
Citações Notáveis
Este equipamento vai redefinir o nosso relacionamento com a tecnologia, tal como os smartphones o fizeram— Mark Zuckerberg
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que Zuckerberg está tão pessoalmente investido neste projeto de óculos de RA?
Porque representa uma oportunidade de redefinir a Meta além das redes sociais. Se funcionar, ele consegue relançar a empresa e ganhar respeito que perdeu. É pessoal e estratégico ao mesmo tempo.
Mas eles ainda não têm um protótipo que funcione verdadeiramente?
Correto. O que têm é um modelo rudimentar que só funciona em demonstrações estacionárias, num espaço controlado. É por isso que o lançamento está tão longe — 2024 é ainda otimista.
Porque é que a Meta quer criar um dispositivo próprio em vez de usar smartphones existentes?
Porque quer escapar ao controlo da Apple e da Google. Essas empresas ditam as regras das app stores. Com um dispositivo próprio, a Meta teria liberdade total.
E as expectativas de vendas?
Modestas. Internamente, esperam vender apenas dezenas de milhares de unidades. É um investimento de longo prazo com retorno incerto.
Existem outros projetos paralelos?
Sim, o Hypernova. Óculos mais simples que se emparelham com smartphones. Mas mesmo isso só chega em 2024.
Qual é o risco real aqui?
Que Zuckerberg está a gastar milhões em tecnologia que ainda não domina, com um calendário que pode facilmente atrasar-se. Se isto falhar, é um golpe significativo na sua credibilidade.