O oceano está a armazenar calor a um ritmo sem precedentes
Em 2025, os oceanos da Terra acumularam mais calor do que em qualquer outro ano desde que a ciência começou a medir com rigor — 23 zettajoules, o equivalente a 37 anos de consumo energético global concentrados num único ciclo anual. Mais de 50 cientistas de 31 instituições em três continentes chegaram a esta conclusão em conjunto, confirmando que o pulso térmico do planeta bate agora num ritmo sem precedentes. O oceano, que absorve 90% do calor gerado pelo excesso de gases na atmosfera, não é apenas vítima das alterações climáticas — é também o espelho mais fiel da sua progressão.
- Os oceanos armazenaram em 2025 uma quantidade de calor tão vasta que equivale a 37 anos inteiros de toda a energia consumida pela humanidade — um número que desafia a imaginação e confirma a escala da crise.
- Cerca de 16% da área oceânica global atingiu recordes absolutos de calor, com as zonas tropicais do Atlântico Sul, do Pacífico Norte e o Oceano Antártico a aquecerem a ritmos particularmente alarmantes.
- Este calor acumulado já se traduziu em consequências humanas concretas: inundações devastadoras no Sudeste Asiático, no México e no Noroeste do Pacífico, e seca severa no Médio Oriente ao longo de 2025.
- A tendência de aquecimento oceânico acelerou desde os anos 1990, e os últimos nove anos encadearam-se em recordes sucessivos — um padrão que os cientistas descrevem como um ciclo de retroalimentação cada vez mais difícil de travar.
- A investigação, verificada por instituições independentes na Ásia, Europa e América, aponta para um futuro em que fenómenos climáticos extremos, subida do nível do mar e eventos meteorológicos severos se tornarão progressivamente mais frequentes e intensos.
Os oceanos do planeta armazenaram em 2025 mais calor do que em qualquer ano anterior desde que a ciência começou a medir com precisão. Uma investigação coordenada por mais de 50 cientistas de 31 instituições em todo o mundo quantificou essa acumulação em 23 zettajoules — um valor equivalente a 37 anos inteiros de consumo global de energia primária concentrados num único ano oceânico.
O oceano cobre 71% da superfície terrestre e funciona como o pulmão térmico do planeta, absorvendo 30% das emissões de CO₂ e 90% do calor gerado pelo excesso de gases na atmosfera. Medir o seu conteúdo de calor é, essencialmente, ler o pulso do sistema climático global. Em 2025, esse pulso bateu um recorde.
O aquecimento não foi uniforme: cerca de 16% da área oceânica atingiu níveis nunca antes registados, enquanto um terço adicional ficou entre os três valores mais altos de sempre. As zonas tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte, bem como o Oceano Antártico, aqueceram com particular rapidez. A temperatura média da superfície do mar foi a terceira mais quente alguma vez registada — ligeiramente abaixo de 2023 e 2024 devido à transição do El Niño para La Niña, mas sem que isso atenue o padrão mais amplo de aceleração desde a década de 1990.
As consequências já se fazem sentir no mundo real. Em 2025, o calor oceânico contribuiu directamente para inundações devastadoras no Sudeste Asiático, no México e no Noroeste do Pacífico, e para seca severa no Médio Oriente. Oceanos mais quentes intensificam a evaporação, fortalecem ondas de calor e alimentam um ciclo de retroalimentação em que o calor atmosférico e oceânico se amplificam mutuamente.
A investigação envolveu o Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, o programa Copernicus da União Europeia e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Ciência replicada, verificada, consolidada — e a sua mensagem é inequívoca: o oceano está a armazenar calor a um ritmo sem precedentes, remodelando o clima e o tempo em todo o planeta.
Os oceanos do planeta armazenaram mais calor em 2025 do que em qualquer ano anterior desde que a ciência começou a medir com precisão. Uma investigação internacional publicada na revista Advances in Atmospheric Sciences, coordenada por mais de 50 cientistas espalhados por 31 instituições de pesquisa em todo o mundo, quantificou essa acumulação em 23 zettajoules — um número tão grande que para o compreender é preciso imaginar 37 anos inteiros do consumo global de energia primária concentrados num único ano oceânico.
O oceano cobre cerca de 71% da superfície terrestre e funciona como o pulmão térmico do planeta. Absorve 30% de todas as emissões de dióxido de carbono que a humanidade produz e, mais importante ainda, captura 90% do calor gerado por esse excesso de gases. Quando os cientistas medem o conteúdo de calor oceânico — a quantidade total de energia térmica armazenada nas águas — estão a ler, essencialmente, o pulso do sistema climático global. Em 2025, esse pulso bateu um recorde.
O aquecimento não foi uniforme. Cerca de 16% de toda a área oceânica do planeta atingiu níveis de calor nunca antes registados, enquanto um terço adicional ficou entre os três valores mais altos de sempre. As zonas tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte aqueceram particularmente depressa, assim como o Oceano Antártico. Estas regiões funcionam como amplificadores do calor global, e o que acontece nelas ressoa em padrões climáticos por todo o mundo.
A temperatura média da superfície do mar em 2025 foi a terceira mais quente alguma vez registada, mantendo-se cerca de meio grau Celsius acima da média de referência de 1981-2010. Tecnicamente, foi ligeiramente mais fria do que em 2023 e 2024, principalmente porque o fenómeno natural El Niño no Pacífico tropical cedeu lugar a La Niña. Mas esta nuance não diminui o padrão mais amplo: desde a década de 1990, a tendência de aquecimento oceânico acelerou, e nos últimos nove anos foram-se sucedendo recordes.
As consequências já são visíveis no mundo real. Oceanos mais quentes impulsionam a subida do nível do mar, fortalecem e prolongam as ondas de calor, e intensificam os fenómenos climáticos extremos ao aumentar a evaporação e a humidade na atmosfera. Em 2025, este aquecimento contribuiu directamente para inundações devastadoras no Sudeste Asiático, no México e no Noroeste do Pacífico. Simultaneamente, provocou seca severa no Médio Oriente. O calor oceânico cria um ciclo de retroalimentação: temperaturas mais altas geram mais calor atmosférico, que por sua vez aquece ainda mais os oceanos, tornando cada vez mais provável que novos recordes sejam atingidos.
A investigação envolveu grupos de pesquisa independentes ligados ao Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, ao programa Copernicus da União Europeia, e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Os dados provêm de centros internacionais e cobrem três continentes: Ásia, Europa e América. Esta é ciência consolidada, replicada, verificada por múltiplas instituições. O que ela diz é claro: o oceano está a armazenar calor a um ritmo sem precedentes, e esse calor está a remodelar o clima e o tempo em todo o planeta.
Citas Notables
O conteúdo de calor oceânico fornece um dos melhores indicadores das alterações climáticas a longo prazo— Instituto de Física Atmosférica, Academia Chinesa de Ciências
O aquecimento oceânico impulsiona a subida do nível do mar, fortalece e prolonga as ondas de calor e intensifica os fenómenos climáticos extremos— Análise internacional de 50 cientistas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como é que se mede o calor de um oceano inteiro? Parece impossível.
Não é impossível, mas é complexo. Os cientistas usam boias, satélites e sensores submarinos espalhados por todo o mundo. Medem a temperatura em diferentes profundidades e depois integram esses dados para calcular a energia térmica total armazenada. É como tirar a temperatura a um doente, mas em escala planetária.
E porque é que 23 zettajoules é um número importante? Porque não dizem simplesmente que está mais quente?
Porque o número permite comparação precisa. Ao converter o calor em joules, os cientistas podem dizer exactamente quanto calor foi armazenado e compará-lo com anos anteriores. E ao equipará-lo a 37 anos de consumo energético global, conseguem comunicar a magnitude de uma forma que as pessoas conseguem compreender.
Mas a temperatura da superfície do mar em 2025 foi mais fria do que em 2023 e 2024. Não contradiz isto a história?
Não. A temperatura da superfície é apenas uma parte da história. O conteúdo de calor oceânico mede o calor total, incluindo as águas profundas. É possível ter uma superfície ligeiramente mais fria enquanto o oceano como um todo armazena mais calor. E de qualquer forma, ser a terceira mais quente de sempre continua a ser um recorde.
Qual é a parte mais preocupante desta história?
O ciclo de retroalimentação. Oceanos mais quentes criam mais humidade e calor na atmosfera, o que aquece ainda mais os oceanos. Isto torna cada novo recorde mais provável do que o anterior. Não é uma tendência linear — é acelerada.
E as pessoas que vivem perto do oceano? Como é que isto as afecta?
Directamente. Oceanos mais quentes significam subida do nível do mar, tempestades mais fortes, inundações mais severas. Em 2025, isso já aconteceu no Sudeste Asiático, no México, no Pacífico. E simultaneamente, outras regiões como o Médio Oriente enfrentam secas piores. O oceano está a redistribuir o clima do planeta.