Secretário de Estado recusa avaliar mudanças no combate a incêndios: "não é o momento"

Não é o momento para estarmos a fazer essa avaliação agora
O secretário de Estado recusa questionar o sistema de combate a incêndios enquanto a época crítica ainda decorre.

Em tempo de crise, os governos tendem a adiar o questionamento em nome da continuidade — e Portugal não é exceção. O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, visitou as zonas devastadas em Ponte da Barca e recusou avaliar mudanças no sistema de combate a incêndios enquanto o DECIR ainda está em funcionamento, argumentando que há um tempo próprio para cada coisa. Em paralelo, o Governo aprovou adiantamentos extraordinários de até 50 mil euros às associações humanitárias de bombeiros, aliviando a pressão financeira sobre quem está na linha da frente. A grande avaliação fica, assim, suspensa — prometida para depois do fogo, quando o país puder respirar.

  • A pergunta que muitos portugueses fazem — o que vai mudar no combate aos incêndios? — foi classificada pelo secretário de Estado como 'fora de contexto', adiando uma resposta que o país aguarda.
  • O DECIR está em pleno funcionamento desde maio, e o Governo alinha-se com o primeiro-ministro Luís Montenegro ao recusar avaliações durante a época crítica.
  • As associações humanitárias de bombeiros voluntários enfrentam pressão financeira enquanto combatem os fogos, sem tempo para reunir toda a documentação exigida normalmente.
  • O Governo aprovou adiantamentos extraordinários de até 50 mil euros, dispensando a documentação completa para agilizar o apoio às associações em campo.
  • A lógica de 'primeiro apagar, depois avaliar' mantém o sistema em funcionamento, mas deixa em suspenso as perguntas mais difíceis sobre a sua eficácia.

Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, esteve na sexta-feira de manhã em Ponte da Barca, visitando as zonas devastadas pelos incêndios. Quando confrontado pelos jornalistas com a questão central — o que vai mudar no combate aos fogos? —, a resposta foi direta: a pergunta estava, nas suas palavras, 'fora de contexto'. O DECIR, o dispositivo especial de combate a incêndios rurais, arrancou em maio e continua ativo. Não é momento para avaliações, argumentou, em linha com o discurso do primeiro-ministro Luís Montenegro.

O que o secretário de Estado considerou oportuno foi reconhecer o esforço das entidades envolvidas — autarquias, GNR e bombeiros voluntários — e garantir que não enfrentam dificuldades financeiras durante a época mais exigente. Para isso, o Governo aprovou despesas extraordinárias que permitem adiantamentos de até 50 mil euros às associações humanitárias de bombeiros.

A novidade está no processo: ao contrário do habitual, os apoios podem ser concedidos mesmo sem documentação completa, reconhecendo que em plena época de incêndios é impossível ter tudo organizado. É uma resposta pragmática a uma realidade urgente.

A avaliação mais profunda do sistema fica, assim, adiada. A lógica é conhecida: durante a crise, mantém-se o rumo. Depois, quando o país respirar, haverá tempo para perguntar se correu bem, o que falhou e que caminhos existem. Por agora, o foco é manter as máquinas a funcionar e apoiar quem combate o fogo.

Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, visitou na sexta-feira de manhã as zonas devastadas pelos incêndios em Ponte da Barca. Enquanto explicava aos jornalistas as medidas imediatas que o Governo pretende implementar, foi confrontado com uma pergunta direta: o que vai mudar no combate aos incêndios?

A resposta foi clara, mas também reveladora. Rocha caracterizou a questão como estando "fora de contexto". O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, o DECIR, começou em maio e ainda está em pleno funcionamento. Não é altura para avaliações, argumentou, ecoando as palavras do primeiro-ministro Luís Montenegro. Há um tempo para tudo, pareceu sugerir, e este não é o tempo para questionar o que funciona e o que não funciona.

O que é tempo, segundo o secretário de Estado, é reconhecer o trabalho das entidades envolvidas — autarquias, GNR, bombeiros voluntários. É também tempo de garantir que essas mesmas entidades, particularmente as associações humanitárias dos bombeiros, não enfrentem dificuldades financeiras enquanto combatem os fogos. Por isso, o Governo aprovou um conjunto de despesas extraordinárias que permite adiantamentos de até 50 mil euros às associações.

A inovação está nos detalhes. Normalmente, receber apoio financeiro exige documentação completa, comprovantes, registos. Desta vez, o Governo decidiu agilizar o processo. Os adiantamentos podem ser concedidos mesmo quando a documentação ainda não está toda reunida. É uma forma pragmática de responder rapidamente, explicou Rocha, reconhecendo que em muitos momentos durante a época de incêndios é impossível ter tudo organizado e arquivado.

A recusa em avaliar mudanças no sistema de combate a incêndios, neste momento, deixa em suspenso uma questão que muitos portugueses provavelmente gostariam de ver respondida. Mas a lógica é compreensível: durante a crise, não se muda o sistema. Depois, quando os fogos arderem menos e o país respirar, aí sim haverá tempo para perguntar se tudo correu bem, se há lições a aprender, se há caminhos melhores. Por enquanto, o foco é manter as máquinas a funcionar e garantir que quem está na linha da frente tem o que precisa.

Não é o momento para estarmos a fazer essa avaliação agora
— Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil
As associações não tenham problemas do ponto de vista da sua gestão de tesouraria
— Rui Rocha, sobre o objetivo do apoio financeiro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que é que o secretário de Estado recusou responder sobre mudanças no combate aos incêndios?

Model

Porque estamos no meio da época crítica. O DECIR começou em maio e ainda está ativo. Avaliar agora seria como tentar consertar um carro enquanto ele está a andar.

Inventor

Mas não seria importante saber se há problemas no sistema enquanto ele está a funcionar?

Model

Talvez. Mas há uma diferença entre identificar problemas e implementar soluções. Durante a crise, o foco tem de ser manter tudo a correr. As perguntas maiores ficam para depois.

Inventor

E quanto ao apoio financeiro de 50 mil euros? Isso é novo?

Model

A quantia em si talvez não seja, mas a forma de a entregar é. Normalmente exigem toda a documentação. Agora, as associações podem receber o dinheiro mesmo sem tudo estar pronto. É reconhecer que durante os incêndios, a burocracia é um luxo que ninguém tem.

Inventor

Isso significa que o Governo está a admitir que o sistema anterior era lento?

Model

Não exatamente. Significa que o Governo está a ser pragmático. Reconhece que há momentos em que a velocidade importa mais do que a perfeição administrativa.

Inventor

E quando é que essa avaliação vai acontecer?

Model

Quando a época de incêndios terminar e o país tiver espaço para respirar. Aí sim, poderão fazer as contas e perguntar se tudo correu bem.

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