Brasil enfrenta frio extremo enquanto mundo sofre com calor e inundações

Centenas de mortos em ondas de calor e inundações na Europa e América do Norte relacionadas aos eventos climáticos extremos.
O frio anômalo e as enchentes mortais apontam para a mesma causa
Dois extremos climáticos simultâneos revelam a instabilidade do sistema terrestre causada pelas mudanças climáticas.

Em julho de 2021, enquanto o Brasil vivia uma onda de frio histórica com neve no Sul e temperaturas próximas a zero no Centro-Oeste, a Europa e a América do Norte ardiam em calor extremo e afogavam-se em enchentes que ceifaram centenas de vidas. Esses extremos opostos, separados por oceanos, compartilhavam a mesma raiz: a aceleração das mudanças climáticas alimentada por décadas de emissões de gases do efeito estufa. Diante desse diagnóstico simultâneo e visceral, a Folha de S.Paulo reuniu o climatologista José Marengo para discutir não apenas o que estava acontecendo, mas o que ainda pode ser feito — porque a pergunta já não é se o clima mudou, mas se a humanidade mudará junto com ele.

  • O Brasil congelava enquanto o mundo ardia: neve em Santa Catarina e Rio Grande do Sul coincidiu com ondas de calor mortais na Europa e inundações catastróficas na América do Norte — tudo ao mesmo tempo.
  • Centenas de mortos no hemisfério norte transformaram o debate climático de abstração científica em tragédia cotidiana, pressionando governos e sociedades a responderem com urgência.
  • A causa comum por trás dos extremos opostos — a desestabilização do equilíbrio térmico do planeta pela queima de combustíveis fósseis — tornou cada vez mais difícil ignorar a conexão entre escolhas humanas e desastres naturais.
  • O climatologista José Marengo entrou em cena para traduzir a complexidade do momento: como cidades se preparam para enchentes mais violentas, como a agricultura sobrevive a padrões imprevisíveis, quais políticas podem ainda frear o pior.
  • O episódio do podcast Café da Manhã chegou num momento em que a evidência climática era literal e imediata — e a pergunta que ficou no ar foi se esse choque de realidade seria suficiente para mobilizar a ação que o planeta exige.

Em julho de 2021, o Brasil e o mundo viviam simultaneamente dois extremos climáticos que, à primeira vista, pareciam contraditórios. Enquanto as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil mergulhavam em uma onda de frio histórica — com neve em cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e temperaturas próximas a zero —, a Europa e a América do Norte enfrentavam calor extremo e enchentes devastadoras que deixavam centenas de mortos. Não era coincidência. Era o mesmo fenômeno visto de dois ângulos: as mudanças climáticas em aceleração.

A origem dessas transformações é conhecida: a queima contínua de combustíveis fósseis e a liberação de gases do efeito estufa desestabilizam o equilíbrio térmico do planeta, tornando o clima cada vez mais volátil. Onde antes havia estações previsíveis, surgem agora surpresas perigosas — geadas fora de época em um continente, inundações catastróficas em outro.

Para ajudar o público a compreender esse cenário, a Folha de S.Paulo convidou o climatologista José Marengo, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, para o podcast Café da Manhã. A conversa, apresentada pelos jornalistas Maurício Meireles e Magê Flores, foi além do diagnóstico: explorou a questão da adaptação — como cidades podem se preparar para enchentes mais intensas, como regiões agrícolas lidam com padrões imprevisíveis de chuva e temperatura, e quais políticas públicas são necessárias para proteger populações vulneráveis.

O que tornava o episódio especialmente urgente era o seu contexto imediato. Não se tratava de uma discussão sobre futuros distantes. O Brasil congelava, o mundo ardia, e ambos os extremos apontavam para a mesma causa. A pergunta que ficou suspensa no ar — e que o programa se propôs a enfrentar — era se essa evidência tão concreta e simultânea seria finalmente capaz de mobilizar a ação que o planeta exige.

Enquanto o Brasil mergulhava em uma onda de frio histórica, com temperaturas caindo para zero ou abaixo dele nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a Europa e a América do Norte enfrentavam o oposto: calor extremo e chuvas torrenciais que deixavam centenas de mortos. Não se tratava de coincidência climática. Os dois fenômenos — o frio anômalo que trouxe neve a cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e as enchentes devastadoras que assolavam o hemisfério norte — eram manifestações do mesmo processo: as mudanças climáticas em aceleração.

Essas transformações no padrão climático global têm origem clara. A queima contínua de combustíveis fósseis e a liberação de gases do efeito estufa na atmosfera intensificam um ciclo que desestabiliza o equilíbrio térmico do planeta. O resultado é um clima cada vez mais volátil, onde eventos extremos se multiplicam e se intensificam. Onde antes havia variações sazonais previsíveis, agora há surpresas perigosas: geadas fora de época em um continente, inundações catastróficas em outro.

Para ajudar o público a compreender essa realidade complexa e suas implicações, a Folha de S.Paulo convidou José Marengo, climatologista e coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, para uma conversa no podcast Café da Manhã. O episódio, publicado numa sexta-feira de julho, explorava não apenas o que estava acontecendo naquele momento específico, mas também o que precisava ser feito para que sociedades e governos se preparassem para um futuro onde esses impactos climáticos seriam ainda mais frequentes e severos.

A conversa tocava em uma questão fundamental: adaptação. Não se tratava apenas de entender o problema, mas de imaginar soluções práticas. Como as cidades poderiam se preparar para enchentes mais intensas? Como as regiões agrícolas poderiam lidar com padrões de chuva e temperatura cada vez mais imprevisíveis? Quais políticas públicas seriam necessárias para reduzir emissões e, simultaneamente, proteger populações vulneráveis dos eventos extremos que já estavam em curso?

O programa, apresentado pelos jornalistas Maurício Meireles e Magê Flores, fazia parte da série diária do Café da Manhã, publicada de segunda a sexta-feira no Spotify. A produção envolveu uma equipe de profissionais — Jéssica Maes no roteiro, Laila Mouallem e Victor Lacombe na produção, e Natália Silva na edição de som — que trabalhou para traduzir a complexidade científica em uma narrativa acessível e urgente.

O que tornava aquele episódio particularmente relevante era o timing. Não era uma discussão abstrata sobre o futuro. Era um diagnóstico do presente: o Brasil congelava enquanto o mundo ardia, e ambos os extremos apontavam para a mesma causa. A pergunta que pairava era se essa evidência visceral — o frio anômalo nas ruas de Porto Alegre, as enchentes mortais na Alemanha — seria suficiente para mobilizar a ação necessária.

Os fenômenos extremos — frio anômalo no Brasil e enchentes na Europa — são consequências das mudanças climáticas intensificadas pela queima de combustíveis fósseis e emissões de gases do efeito estufa
— Contexto do episódio do Café da Manhã com José Marengo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Brasil está congelando enquanto a Europa queima? Parecem fenômenos opostos.

Model

Parecem, mas vêm da mesma raiz. O desequilíbrio climático global cria padrões atmosféricos instáveis. Quando o sistema se desestabiliza, você pode ter frio extremo em um lugar e calor extremo em outro, simultaneamente.

Inventor

Então não é só aquecimento global. É volatilidade.

Model

Exatamente. O planeta está mais quente em média, mas isso não significa que tudo fica mais quente uniformemente. Significa que os extremos se multiplicam e se intensificam.

Inventor

E as pessoas que morrem nas inundações na Europa — como isso se conecta com a neve em Santa Catarina?

Model

Ambos são sintomas de um sistema climático que perdeu estabilidade. Os gases do efeito estufa criaram uma atmosfera que retém mais energia. Essa energia se manifesta em eventos cada vez mais violentos.

Inventor

O que muda se entendermos isso?

Model

Tudo. Porque deixa claro que não é um problema distante ou futuro. É agora. E que adaptação não é luxo — é necessidade de sobrevivência.

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