Papa em Pavia: razão humana não se fecha na lógica do lucro ou domínio

A razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio
O Papa Leão XIV afirma que a fé oferece à razão uma abertura para cuidar do mundo além do cálculo econômico.

Em uma tarde de junho, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos cidadãos reunidos na Praça da Vitória, em Pavia, para lembrar que a vida em comunidade exige mais do que proximidade geográfica — exige solidariedade genuína. Diante de uma cidade carregada de história acadêmica e cultural, o Pontífice argumentou que o conhecimento, a fé e a razão não devem servir ao lucro ou ao domínio, mas ao cuidado mútuo e à dignidade humana. Sua mensagem ecoou uma convicção antiga: que a cidade, em seu sentido mais profundo, é uma condição humana antes de ser um lugar.

  • O Papa alertou que a indiferença e o analfabetismo cívico ameaçam dissolver os laços que mantêm comunidades vivas e coesas.
  • Diante de uma multidão entusiasmada em Pavia, Leão XIV desafiou cidadãos a perguntar o que fortalece e o que corrói seus lares e sua sociedade.
  • O Pontífice defendeu que ciência e conhecimento só cumprem seu propósito quando servem à humanidade, e não quando especulam sobre o trabalho ou o destino das pessoas.
  • A integração entre fé e razão foi apresentada como antídoto à lógica do lucro — uma abertura que liberta a mente humana para formas mais generosas de existir.
  • A Igreja foi convocada a agir como centro vivo de caridade, voltado especialmente para jovens, pobres, idosos e solitários, honrando a dignidade de cada vida.

Na tarde de 20 de junho, o Papa Leão XIV chegou à Praça da Vitória em Pavia após visitar a Catedral local, sendo recebido com entusiasmo por uma multidão de fiéis. Seu discurso começou com um elogio à cidade não como mero conjunto de edifícios antigos, mas como um dom e uma responsabilidade. Ao percorrer o centro histórico, o Papa evocou a palavra latina civitas para lembrar que cidade designa uma condição humana inteira — algo muito maior do que uma coordenada geográfica.

Leão XIV desenvolveu então sua reflexão sobre o que significa viver em comunidade. Uma cidade, disse, é ao mesmo tempo singular e coletiva, e seus habitantes formam um organismo que precisa estar bem ordenado. Ser social é ser solidário, agir como verdadeiros sócios motivados pelo bem comum — e não por interesses partidários ou pela indiferença que fragmenta. Cidadãos são sempre concidadãos, sublinhou, capturando em uma frase sua visão de interdependência radical.

O Pontífice voltou-se então para os desafios do presente. Perguntou à multidão o que estabiliza e o que corrói a sociedade, e convocou todos a renovar a participação ativa na vida pública. Recordou a tradição acadêmica de Pavia e sua célebre universidade, defendendo que o conhecimento não deve especular sobre o trabalho humano, mas moldá-lo com cuidado: a medicina cuida do corpo, a jurisprudência cuida do corpo social, a filosofia ilumina o pensamento. Santo Agostinho, que viveu na cidade, foi evocado como exemplo vivo do diálogo fecundo entre fé e razão.

No coração do discurso, Leão XIV afirmou que fé e razão não se excluem — antes, se completam. Com essa abertura, a razão humana recusa a lógica do lucro e do domínio e descobre formas mais generosas de cuidar de si e do mundo. O Papa encerrou convocando a Igreja a ser uma lareira de fé e caridade a serviço dos mais vulneráveis, e lançou um apelo simples e direto: honrem sempre a dignidade de cada vida humana.

O Papa Leão XIV chegou à Praça da Vitória em Pavia no sábado à tarde, 20 de junho, após passar pela Catedral local. A multidão de fiéis o recebeu com entusiasmo enquanto ele se preparava para falar aos cidadãos reunidos naquele espaço histórico do norte da Itália.

Seu discurso começou com um elogio à cidade em si — não apenas seus edifícios antigos, mas tudo aquilo que a rodeia. Leão XIV descreveu Pavia como um dom e uma responsabilidade para quem nela vive, um lugar cujas ruas e praças exalam uma beleza que não é superficial, mas impregnada de história real. Os monumentos e estruturas ao redor testemunham a hospitalidade, educação e cultura locais, valores que formam os alicerces da Constituição Italiana. Ao caminhar pelo centro histórico, explicou, compreende-se que a palavra cidade — civitas em latim — significa muito mais que um lugar geográfico: designa uma condição humana inteira.

O Papa então desenvolveu sua reflexão sobre o que significa viver em comunidade. Uma cidade, disse ele, é ao mesmo tempo única e plural, singular e coletiva. As pessoas que a habitam formam uma sociedade, um organismo que precisa estar bem ordenado em suas relações e leis. Ser social, enfatizou, significa ser solidário, comportar-se como verdadeiros sócios motivados pelo bem comum e não por interesses partidários. Cidadãos são sempre concidadãos — uma frase que capturava sua visão de interdependência radical.

Leão XIV então voltou-se para os desafios contemporâneos. O povo, disse, é responsável pelo espaço público diante das dificuldades atuais. Perguntou à multidão: o que fortalece e o que corrói nossos lares? O que estabiliza e o que prejudica nossa sociedade? Quando a indiferença parece desintegrar a comunidade, é necessário renovar a participação ativa de todos na vida da cidade. Diante das formas de degradação e analfabetismo cívico, somos chamados a compartilhar linguagens de dedicação e serviço que preservem praças, parques e ruas como pontos de encontro. Essa cidadania genuína cultiva harmonia por meio do diálogo e dos encontros construtivos entre pessoas e culturas.

Em seguida, o Pontífice exortou os cidadãos de Pavia a dar mais valor à cidade, a preocupar-se com a saúde dos que os rodeiam e com a beleza do lugar onde vivem. Pediu atenção à qualidade de vida nos ambientes de trabalho, à harmonia da natureza e ao cultivo da terra. Aqui, Leão XIV recordou a tradição acadêmica ilustre de Pavia e sua famosa universidade, que acolhe jovens estudantes. Neste centro cultural, disse, os jovens experimentam não uma simples aglomeração de conhecimentos, mas um sistema capaz de moldar indivíduos sem especular sobre seu trabalho. Promover as ciências significa promover a humanidade, que deve sempre permanecer protagonista de sua própria pesquisa.

O Papa desenvolveu então uma visão integrada do conhecimento. Toda forma de conhecimento corresponde a uma forma de cuidado: a medicina cuida do corpo humano, a jurisprudência cuida do corpo social, a filosofia considera o pensamento do qual a humanidade desenvolve suas artes. Tudo o que aprendemos nos ajuda a compreender a nós mesmos e nos leva a questionar nossa existência, sedentos de verdade e justiça. Santo Agostinho, que viveu em Pavia, exemplificava essa inquietação saudável e o diálogo constante entre fé e razão.

No coração de seu discurso, Leão XIV afirmou que não se pode acreditar sem pensar, tampouco é possível iluminar as questões mais elevadas da razão sem a fé. Com essa abertura confiante, a razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio, mas descobre novas formas de cuidar de si mesma e do mundo. Nossa fé nos lembra que não somos sujeitos a um destino anônimo, mas sustenta a certeza de que Deus é o Criador e Salvador da vida.

O Santo Padre concluiu referindo-se à Igreja como um seio materno que acolhe a todos e gera uma nova humanidade. Esta instituição, a mais antiga da cidade, é chamada a evangelizar como uma lareira de fé e caridade a serviço dos mais jovens, pobres, solitários e idosos. Seu último apelo foi simples e direto: honrem sempre a dignidade de cada vida humana.

Ser social significa ser solidário, comportar-se como verdadeiros sócios motivados pelo bem comum e não por interesses partidários
— Papa Leão XIV
Com essa abertura confiante, a razão humana não se fecha na lógica do lucro ou do domínio, mas descobre novas formas de cuidar de si mesma e do mundo
— Papa Leão XIV
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

O Papa escolheu falar especificamente sobre cidadania e bem comum. Por que isso importa agora, neste momento?

Model

Porque vivemos numa época em que a indiferença parece estar desintegrando as comunidades. As pessoas se fecham em interesses partidários ou pessoais, e os espaços públicos — as praças, as ruas — deixam de ser lugares de encontro. O Papa estava dizendo que isso é um problema real, não uma abstração.

Inventor

Ele mencionou o "analfabetismo cívico". O que exatamente ele quis dizer com isso?

Model

A incapacidade ou falta de vontade de participar ativamente da vida da cidade. Não é ignorância no sentido tradicional, é uma espécie de desconexão do bem comum. É quando as pessoas vivem numa cidade mas não se veem como responsáveis por ela.

Inventor

E a universidade de Pavia — por que ele a destacou?

Model

Porque representa um lugar onde o conhecimento deveria servir à humanidade, não ao lucro ou ao poder. O Papa estava advertindo contra a especulação sobre o trabalho dos estudantes, sobre transformar educação em mercadoria. A universidade deveria moldar pessoas, não apenas transferir informações.

Inventor

Ele falou muito sobre a relação entre fé e razão. Isso é uma preocupação teológica ou política?

Model

É ambas as coisas. Ele estava dizendo que quando a razão se fecha apenas na lógica do lucro ou do domínio, perde sua humanidade. A fé oferece uma abertura que permite à razão cuidar do mundo e de si mesma de formas que vão além do cálculo econômico.

Inventor

No final, ele pediu que honrem a dignidade de cada vida humana. Isso soa como uma resposta a algo específico que está acontecendo em Pavia ou na Itália?

Model

Provavelmente. Mas também é um apelo universal. Quando você vê indiferença, degradação cívica, pessoas sendo tratadas como números — é um sinal de que a dignidade humana está sendo esquecida. O Papa estava lembrando que isso é o fundamento de tudo.

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