O Fox 'proibido': como o Voyage exportado ficou no Brasil e virou raridade

Encontrar um Fox é tão difícil quanto achar outras versões do sedã que completou 40 anos
Os Foxes exportados para América do Norte e que ficaram no Brasil tornaram-se praticamente impossíveis de localizar.

Entre 1987 e 1993, a Volkswagen exportou versões do Voyage e da Parati para a América do Norte sob o nome Fox — carros mais refinados, com dois mil ajustes técnicos que seus primos brasileiros não tinham. Uma pequena quantidade desses veículos nunca cruzou o oceano: ficou nas mãos de executivos da montadora no Brasil, criando uma raridade tão improvável quanto silenciosa. Hoje, encontrar um Fox em solo brasileiro é quase um exercício de arqueologia automotiva — um lembrete de como as fronteiras corporativas às vezes deixam objetos estranhos e preciosos à deriva entre dois mundos.

  • Um sedã brasileiro virou carro de entrada da Volkswagen nos EUA e Canadá com nome diferente, tecnologia superior e identidade própria — sem que o público brasileiro soubesse.
  • Alguns exemplares do Fox jamais embarcaram: ficaram com executivos da VW no Brasil, numa zona cinzenta entre o mercado nacional e o norte-americano, sem registro oficial de quantos sobrevivem.
  • A raridade extrema transforma esses carros em peças de museu vivo — especialistas estimam que existem apenas dois ou três Fox no país inteiro.
  • Um exemplar está à venda por R$ 50 mil em São Paulo, completamente original, enquanto rumores de uma Fox Wagon circulam sem confirmação — a caça ao carro fantasma continua.

No início dos anos 1980, a Volkswagen tinha um problema de nomenclatura curioso: o Voyage e a Parati, populares no Brasil, ganharam um nome completamente diferente ao cruzar o Atlântico. Entre 1987 e 1993, cerca de 202 mil unidades do Fox e 25 mil da Fox Wagon foram exportadas para Estados Unidos e Canadá, onde serviam como carro de entrada da marca europeia.

Esses veículos chegavam à América do Norte com aproximadamente dois mil ajustes mecânicos e estéticos: para-choques mais salientes, catalisador, cinto traseiro de três pontos, injeção eletrônica e painel com velocímetro em milhas. Eram, em resumo, versões tecnicamente mais avançadas do sedã que os brasileiros conheciam — com recursos que o Voyage local só teria anos depois.

Mas há uma reviravolta: uma pequena quantidade desses Foxes nunca saiu do Brasil. Ficou com executivos da Volkswagen, numa situação que ecoa a lenda dos Fuscas de Diretoria. Ninguém sabe ao certo quantos exemplares permaneceram no país. O que se sabe é que, ao chegarem às mãos dos executivos brasileiros, o motor AP 1.8 com injeção eletrônica foi trocado por carburador — o padrão do Voyage vendido aqui na época.

Hoje, encontrar um Fox no Brasil é tarefa quase impossível. Um exemplar está à venda na ZN Garage, na zona norte de São Paulo, por R$ 50 mil. O comerciante André Ribeiro afirma conhecer apenas esse e mais um Fox no país; há rumores de uma Fox Wagon em algum lugar, mas nada confirmado.

O Voyage, que completou quarenta anos em 2021, nunca foi estrela no mercado de clássicos. Especialistas apontam que o modelo ficará sempre abaixo do Gol GTi em valor sentimental e financeiro. Ainda assim, versões raras como o Los Angeles, o Super com bancos Recaro e o Sport de 1993 oferecem um acesso mais acessível à família dos 'quadrados' da Volkswagen — relíquias de uma era em que a marca ainda apostava em sedãs populares.

No início dos anos 1980, a Volkswagen tinha um problema de nomenclatura que hoje parece absurdo. O Voyage e a Parati, sedãs e peruas que faziam sucesso no Brasil, receberam um nome completamente diferente quando cruzaram o Atlântico: Fox. Entre 1987 e 1993, aproximadamente 202 mil unidades do Fox e 25 mil da Fox Wagon foram despachadas para Estados Unidos e Canadá, onde ocupavam o lugar de carro de entrada da marca europeia. Ninguém sabe ao certo por que a Volkswagen escolheu batizá-los assim na América do Norte, mas o fato é que esses veículos eram significativamente diferentes de seus primos brasileiros.

Os Foxes exportados chegavam à América do Norte com cerca de dois mil ajustes mecânicos e estéticos. Tinham para-choques de impacto mais salientes, catalisador, aviso sonoro para cinto de segurança desafivelado, cinto traseiro de três pontos e outras sofisticações que antecipavam recursos que o Voyage só teria depois. O painel trazia comandos-satélite e injeção eletrônica — uma tecnologia que no Brasil havia sido inaugurada apenas pelo Gol GTi em 1988. O interior exibia velocímetro em milhas e um layout de rádio distinto. Eram, em resumo, versões mais refinadas e tecnicamente avançadas do sedã popular que conhecemos.

Mas há uma reviravolta nessa história que torna tudo muito mais interessante. Uma pequena quantidade desses Foxes nunca saiu do Brasil. Ficou aqui com executivos da Volkswagen na época — uma situação que ecoa a lenda dos Fuscas Última Série "de Diretoria", aqueles carros que os chefes levavam para casa e que hoje são praticamente lendários entre colecionadores. Ninguém consegue precisar quantos exemplares do Fox e da Fox Wagon permaneceram no país. O que se sabe é que quando esses raros sedãs chegaram às mãos dos executivos brasileiros, o motor AP 1.8 com injeção eletrônica foi substituído por um carburador — o padrão do Voyage vendido aqui na época.

Encontrar um desses Foxes hoje é tão improvável quanto achar uma agulha num palheiro. Um exemplar está à venda na ZN Garage, na zona norte de São Paulo, por cinquenta mil reais. André Ribeiro, o comerciante responsável, explica que o carro está completamente original, com exceção do cabeçote que recebeu injeção eletrônica. Segundo ele, conhece apenas esse e mais um Fox no país. Há rumores de uma Fox Wagon em algum lugar, mas nada confirmado. A raridade é tão extrema que esses veículos se tornaram peças de museu vivo, documentos de uma decisão corporativa estranha que deixou alguns exemplares presos numa zona cinzenta entre o mercado brasileiro e o norte-americano.

O Voyage, que completou quarenta anos em 2021, nunca foi uma estrela do mercado de clássicos. Lançado em maio de 1981 como o segundo membro de uma família que já tinha o Gol e logo ganharia a Parati e a Saveiro, o sedã sempre viveu à sombra de ícones como o Gol GTi. José Paulo Parra, do Circuito de Leilões, observa que o Voyage nunca chegará aos preços do GTi, nem dos conversíveis como o Escort XR3 e o Kadett GSi — carros que carregam uma carga sentimental muito mais forte. Mas tem seu espaço. Ricardo Viana, da Old Is Cool Motors, nota que mesmo modelos especiais como o Sport e o GLS são carros de baixa liquidez, ficando abaixo até da Parati, que tem tido um aumento interessante de valor.

Para quem não consegue desembolsar os cento e vinte mil reais que se tornaram padrão para um bom Gol GTi, os Voyages raros oferecem um acesso mais acessível à família de "quadrados" da Volkswagen. Viana sugere começar pelos Los Angeles, a série limitada em homenagem aos Jogos Olímpicos dos EUA, ou pelo Super, modelo vendido apenas sob encomenda que vinha com para-choque na cor da carroceria, defletor dianteiro, relógio digital e bancos Recaro. Há também o raríssimo Plus de 1985, série limitada que trouxe o motor AP 600 para a gama. O auge da esportividade foi o Sport de 1993, que ostentava bancos Recaro e emprestava do Gol GTS o motor 1.8 — um exemplar foi vendido por quarenta mil reais. O Voyage saiu de linha em 1996, retornando em 2008 completamente renovado, deixando esses primeiros modelos como relíquias de uma era em que a Volkswagen ainda apostava em sedãs populares.

O carro está todo original, exceto pelo cabeçote, que recebeu injeção eletrônica. Por aqui, só conheço esse e mais um.
— André Ribeiro, comerciante da ZN Garage
O Voyage tem o espaço dele, mas nunca vai chegar no preço do GTi, que carrega uma carga sentimental muito forte.
— José Paulo Parra, Circuito de Leilões
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a Volkswagen deu um nome completamente diferente ao Voyage quando o exportava?

Model

Ninguém sabe ao certo. Pode ter sido uma decisão de marketing, uma tentativa de criar uma identidade nova para o mercado norte-americano. O Fox soava mais moderno, mais internacional. Mas é estranho porque o carro era basicamente o mesmo.

Inventor

E esses executivos que ficaram com os Foxes no Brasil — eles sabiam que tinham algo especial?

Model

Provavelmente não. Para eles era apenas um carro da empresa, um benefício. Ninguém imaginava que décadas depois isso viraria uma raridade impossível de encontrar. É como aqueles Fuscas de Diretoria que os chefes levavam para casa.

Inventor

Como é possível que só existam dois ou três Foxes no Brasil inteiro?

Model

Porque nunca foram vendidos oficialmente. Não havia peças de reposição, não havia rede de assistência. Se alguém quisesse manter um desses carros funcionando, teria que improvisar. Muitos provavelmente foram sucateados ao longo dos anos.

Inventor

O Fox era tecnicamente superior ao Voyage brasileiro?

Model

Sim, em vários aspectos. Tinha injeção eletrônica, para-choques de impacto, cinto traseiro de três pontos. Coisas que o Voyage só teria depois. Era um carro mais sofisticado, pensado para atender regulamentações mais rigorosas.

Inventor

Por que o Voyage nunca virou um clássico tão valorizado quanto o Gol GTi?

Model

Falta de carga sentimental. O GTi era o carro de sonho, o esportivo que todo mundo queria. O Voyage era apenas o sedã da família, prático, sem glamour. Colecionadores preferem carros que marcaram época de forma memorável.

Quieres la nota completa? Lee el original en UOL ↗
Contáctanos FAQ