Para cada soldado ucraniano perdido, há oito baixas russas
Em meio à maior guerra terrestre europeia desde 1945, um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revela que a Rússia acumulou mais de 1,4 milhão de baixas — mortos, feridos e desaparecidos —, número que representa cerca de 1% de sua própria população. As perdas não se distribuem de forma equânime: comunidades pobres e minorias étnicas carregam um peso desproporcional, enquanto aldeias remotas veem suas populações masculinas desaparecerem. O conflito, que já pode ter superado Stalingrado em número de vítimas, levanta questões profundas sobre até onde uma nação pode sangrar antes de confrontar o custo real de suas escolhas.
- A Rússia registrou mais de 450 mil mortes confirmadas — um número que supera em mais de quatro vezes todas as mortes americanas em guerras desde a Segunda Guerra Mundial.
- A proporção de baixas disparou: no primeiro semestre de 2026, para cada soldado ucraniano perdido, oito russos foram mortos, feridos ou desapareceram.
- Aldeias remotas e comunidades de minorias étnicas estão sendo dizimadas, revelando que o peso da guerra recai de forma brutal e desigual sobre os mais vulneráveis da sociedade russa.
- O programa ucraniano de drones expandiu a 'zona de morte' ao redor das linhas de frente, tornando o avanço russo cada vez mais letal e inviável.
- A Rússia não consegue recrutar tropas na velocidade em que as perde, criando um desequilíbrio que se aprofunda a cada mês e ameaça a sustentabilidade de longo prazo do esforço de guerra.
Um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), assinado pelos pesquisadores Seth G. Jones e Riley McCabe, quantificou o que descrevem como cifras "espantosas": a Rússia acumulou mais de 1,4 milhão de baixas na guerra da Ucrânia — mortos, feridos e desaparecidos —, o equivalente a aproximadamente 1% de toda a sua população. Desse total, mais de 450 mil são mortes confirmadas, um número que já supera em mais de nove vezes as perdas soviéticas e russas em todos os conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.
As perdas, porém, não se distribuem de forma uniforme pelo território russo. Regiões mais pobres e comunidades de minorias étnicas concentram taxas de casualidades muito superiores à média nacional. Relatos da mídia de oposição russa documentam populações masculinas de pequenas aldeias sendo praticamente extintas — uma dimensão humana que os números agregados não conseguem capturar por inteiro.
O ritmo de recrutamento russo não acompanha o ritmo de perdas, e a proporção entre os lados mudou de forma dramática. Se durante grande parte do conflito a relação ficou entre duas e três baixas russas para cada ucraniana, no primeiro semestre de 2026 esse número saltou para quase oito para um. Os pesquisadores atribuem a mudança ao avanço do programa ucraniano de drones, que ampliou a chamada "zona de morte" ao redor das linhas de frente, além de fatores estruturais do lado russo: táticas inadequadas, treinamento deficiente, corrupção e moral baixo.
A Ucrânia, por sua vez, registrou entre 525 mil e 625 mil baixas, com estimativas de mortos entre 125 mil e 150 mil. O total combinado de 2 milhões de vítimas marca um ponto de referência histórico sombrio: a guerra provavelmente já superou a Batalha de Stalingrado em número de baixas. Com a capacidade russa de reposição diminuindo e os custos humanos se acumulando, o conflito segue em trajetória cada vez mais insustentável.
Um novo estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revelou a escala devastadora das perdas russas na guerra da Ucrânia: mais de 1,4 milhão de baixas — mortos, feridos e desaparecidos — um número que equivale a aproximadamente 1% de toda a população russa. Desse total, mais de 450 mil são mortes confirmadas. Os pesquisadores Seth G. Jones e Riley McCabe, autores do levantamento, descrevem essas cifras como "espantosas". Para colocar em perspectiva: as mortes russas na Ucrânia já superam em mais de quatro vezes o total de mortes americanas em todas as guerras desde a Segunda Guerra Mundial, e em mais de nove vezes o total de perdas soviéticas e russas em todos os conflitos desde aquele período.
O que torna esses números ainda mais preocupante é como estão distribuídos geograficamente. As perdas não se espalham de forma equilibrada pelo território russo. Regiões mais pobres e comunidades de minorias étnicas sofrem taxas de casualidades significativamente mais altas do que outras áreas. Relatos crescentes da mídia de oposição russa documentam populações masculinas de pequenas aldeias remotas sendo praticamente dizimadas pela guerra. Essa concentração de perdas em comunidades específicas amplifica o impacto humano e social do conflito em formas que as médias nacionais não conseguem capturar.
O ritmo de recrutamento russo não acompanha o ritmo de perdas. Segundo o estudo, a Rússia atualmente não consegue repor suas tropas na velocidade em que elas estão sendo perdidas — um desequilíbrio que se agrava a cada mês. A proporção de baixas entre os dois lados mudou dramaticamente. Durante grande parte do conflito, a relação ficou entre duas e três baixas russas para cada baixa ucraniana. No primeiro semestre de 2026, essa proporção saltou para quase oito para um: para cada soldado ucraniano morto, ferido ou desaparecido, há oito baixas russas.
Os pesquisadores atribuem esse aumento acentuado aos avanços do programa ucraniano de drones, particularmente à capacidade de expandir a chamada "zona de morte" — a área ao redor das linhas de frente tão saturada de drones que torna praticamente impossível a entrada de tropas russas. A estratégia de defesa em profundidade da Ucrânia tem se mostrado eficaz em infligir perdas e em limitar a capacidade de manobra russa. Mas Jones e McCabe identificam outras razões para as perdas russas tão pesadas: a própria estratégia de atrito da Rússia, a incapacidade de conduzir operações de armas combinadas e guerra conjunta de forma eficaz, táticas inadequadas, treinamento deficiente, corrupção generalizada e moral baixo entre as tropas.
A Ucrânia, por sua vez, sofreu entre 525 mil e 625 mil baixas, com estimativas de mortos entre 125 mil e 150 mil. Nem Moscou nem Kiev divulgam dados oficiais de casualidades, mas as estimativas do CSIS estão alinhadas com as avaliações ocidentais independentes. O total combinado de 2 milhões de baixas marca um ponto de referência histórico sombrio: a guerra na Ucrânia provavelmente já superou a Batalha de Stalingrado, amplamente considerada o conflito mais sangrento da história. Com essas perdas acumulando-se e a capacidade de reposição russa diminuindo, o conflito continua em trajetória de custo humano cada vez mais insustentável.
Citações Notáveis
Essas taxas são espantosas. As mortes russas na Ucrânia são mais de quatro vezes superiores ao total de mortes dos EUA em todas as guerras somadas desde a Segunda Guerra Mundial— Seth G. Jones e Riley McCabe, autores do estudo do CSIS
A estratégia de defesa em profundidade da Ucrânia tem sido eficaz em matar e ferir soldados russos, bem como em limitar a capacidade de manobra da Rússia— Seth G. Jones e Riley McCabe
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como um estudo consegue chegar a números tão precisos quando nenhum dos dois países divulga dados oficiais?
O CSIS usa múltiplas fontes — relatos de inteligência ocidental, comunicações interceptadas, registros de hospitais, relatórios de mídia independente russa e ucraniana, análise de padrões de recrutamento. Nenhuma fonte é perfeita, mas quando convergem, você tem confiança razoável.
A proporção de oito para um é recente. O que mudou tão drasticamente?
Os drones ucranianos. Não é apenas que existem mais drones — é que a Ucrânia aprendeu a usá-los de forma que cria uma zona onde as tropas russas simplesmente não conseguem avançar sem sofrer perdas massivas. É uma mudança tática, não apenas tecnológica.
Mas por que as perdas estão concentradas em aldeias pobres e minorias?
Porque o recrutamento russo funciona assim: cidades grandes têm conexões, influência, dinheiro para pagar isenções. Aldeias remotas e minorias têm menos poder político. São os primeiros chamados, os menos equipados, os menos treinados.
A Rússia consegue continuar assim indefinidamente?
Não. Se não consegue recrutar na velocidade que perde, em algum momento o poço seca. Você não pode substituir um milhão de soldados com ninguém.
Comparar com Stalingrado — é justo?
Historicamente, sim. Stalingrado foi o conflito mais sangrento da história. Se a Ucrânia já superou isso em total de baixas, você está falando de um nível de destruição que poucas guerras modernas alcançaram.