Crédito pessoal custa acima de 6% ao mês. Isso oferece 1,6% a 3,17%.
No final de março de 2025, o governo brasileiro abriu uma nova porta para dezenas de milhões de trabalhadores formais: um crédito consignado acessível pelo celular, sem intermediários, com juros significativamente menores do que os praticados no mercado tradicional. O Crédito do Trabalhador nasce da lógica de que a segurança do vínculo empregatício — e não o histórico de inadimplência — pode ser a base de uma relação mais justa entre o trabalhador e o sistema financeiro. Em seus primeiros dias, a adesão expressiva revelou uma demanda represada por crédito digno entre os 47 milhões de brasileiros com carteira assinada.
- Trabalhadores endividados com juros acima de 6% ao mês agora têm acesso a taxas entre 1,6% e 3,17%, criando uma pressão imediata sobre o modelo tradicional de crédito pessoal.
- Em apenas cinco dias, 8,7 milhões de pedidos foram registrados e R$ 340,3 milhões liberados, sinalizando uma demanda muito maior do que o sistema estava preparado para absorver de imediato.
- A inclusão de negativados — beneficiados pela análise baseada no salário e não no histórico de crédito — amplia o alcance social do programa, mas também exige atenção ao risco de superendividamento.
- A entrada de grandes bancos como Bradesco, Itaú e Santander em abril e a portabilidade prevista para junho prometem acirrar a competição e melhorar ainda mais as condições oferecidas aos trabalhadores.
Na sexta-feira, 21 de março, o governo federal lançou o Crédito do Trabalhador, uma modalidade de empréstimo consignado voltada exclusivamente para quem tem carteira assinada. A novidade estava na simplicidade: tudo pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem necessidade de convênio entre empresa e banco. O trabalhador simula o valor, autoriza o compartilhamento de dados e, em até 24 horas, recebe propostas de instituições habilitadas. As parcelas são descontadas diretamente da folha, limitadas a 35% da renda bruta.
A grande diferença em relação ao crédito tradicional estava nas taxas: entre 1,6% e 3,17% ao mês, contra mais de 6% nos empréstimos pessoais comuns. Isso foi possível graças à possibilidade de usar até 10% do saldo do FGTS como garantia — ou até 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa. Com essa segurança, os bancos reduziram o risco e, consequentemente, os juros.
Os primeiros cinco dias foram reveladores. Mais de 64 milhões de simulações, 8,7 milhões de pedidos e 48 mil contratos fechados, totalizando R$ 340,3 milhões. O valor médio contratado foi de R$ 7.065, parcelado em cerca de 21 meses. O programa alcança aproximadamente 47 milhões de trabalhadores formais — incluindo rurais, domésticos e contratados por MEIs — e permite a adesão mesmo de negativados, já que a análise foca no vínculo empregatício.
Em caso de demissão, o saldo devedor é abatido das verbas rescisórias dentro dos limites do FGTS. Se houver saldo remanescente, as parcelas são retomadas quando o trabalhador volta ao mercado formal, sem cobrança imediata em momento de vulnerabilidade. O governo projeta que o programa movimente até R$ 120 bilhões nos primeiros meses, triplicando o volume atual do consignado privado.
Especialistas alertam para a importância de comparar o Custo Efetivo Total das propostas e de considerar que parte do FGTS ficará bloqueada durante o contrato. Com a chegada de Bradesco, Itaú e Santander em abril e a portabilidade entre instituições prevista para junho, a competição deve crescer — e com ela, as condições para o trabalhador brasileiro.
Na sexta-feira, 21 de março, o governo lançou uma ferramenta que prometia simplificar o acesso ao crédito para dezenas de milhões de brasileiros. O Crédito do Trabalhador, disponível pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, trouxe uma modalidade de empréstimo consignado pensada especificamente para quem tem carteira assinada. A diferença em relação aos modelos anteriores era radical: nada de intermediários, nada de depender que a empresa tivesse convênio com algum banco. O trabalhador podia solicitar tudo sozinho, pelo celular, e ainda tinha a opção de usar o FGTS como garantia.
O mecanismo é direto. Quem acessa o aplicativo com login Gov.br simula o valor desejado, autoriza o compartilhamento de dados pessoais e, em até 24 horas, recebe propostas de bancos habilitados. Escolhe a melhor, assina o contrato digitalmente, e o dinheiro cai na conta. As parcelas são descontadas automaticamente da folha de pagamento, limitadas a 35% da renda bruta, o que oferece segurança tanto para os bancos quanto para o trabalhador. A grande novidade era a possibilidade de oferecer até 10% do saldo do FGTS como garantia, ou até 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa, o que equivale a 40% do fundo. Essa garantia explica por que as taxas de juros caem para entre 1,6% e 3,17% ao mês — bem abaixo dos 6% ou mais cobrados em empréstimos pessoais tradicionais.
Os números dos primeiros cinco dias foram impressionantes. Entre 21 e 25 de março, mais de 48 mil contratos foram fechados, liberando R$ 340,3 milhões em crédito. O valor médio por trabalhador ficou em R$ 7.065,14, com parcelas médias de R$ 333,88 distribuídas em 21 meses. Até o mesmo dia 25, mais de 64 milhões de simulações tinham sido feitas e 8,7 milhões de pedidos registrados. A demanda refletia algo simples: trabalhadores queriam trocar dívidas caras por algo mais barato e prático. Para quem tinha o nome negativado, a atração era ainda maior, já que a análise das instituições financeiras focava no salário e no vínculo empregatício, não no histórico de crédito.
O programa abrangia um público amplo. Qualquer empregado com carteira assinada podia solicitar, independentemente do tempo de serviço — desde que tivesse margem consignável disponível. Isso incluía trabalhadores rurais, empregados domésticos e até aqueles contratados por microempreendedores individuais, somando cerca de 47 milhões de pessoas no país. Mesmo quem já tinha aderido ao Saque-Aniversário do FGTS podia contratar, já que o uso do fundo como garantia era opcional. A inclusão de negativados era um dos pontos fortes: com o desconto garantido em folha e a opção de usar o FGTS, os bancos tinham menos preocupação com calote, abrindo portas para quem normalmente seria barrado.
O que acontecia em caso de demissão? O saldo devedor era descontado das verbas rescisórias, respeitando os limites do FGTS e da multa. Se a dívida ultrapassasse o valor garantido, o restante ficava pendente, mas o trabalhador não era obrigado a pagar imediatamente. As parcelas voltavam a ser descontadas assim que ele retornava ao mercado formal, com acréscimo de juros sobre o período em aberto. Essa flexibilidade protegia o empregado de cobranças em momentos de vulnerabilidade, mas também assegurava ao banco que o pagamento seria retomado.
O governo estimava que o consignado CLT movimentasse até R$ 120 bilhões nos primeiros meses, triplicando o volume de crédito consignado privado, que era de R$ 39,7 bilhões em 2024. A redução dos juros — de uma média de 103% ao ano para cerca de 40% com a nova modalidade — era um dos fatores que explicavam esse sucesso inicial. Até o momento do lançamento, mais de 80 instituições financeiras estavam aptas a oferecer o crédito. A entrada de grandes bancos como Bradesco, Itaú e Santander estava prevista para 25 de abril, quando poderiam operar diretamente em seus próprios aplicativos. A portabilidade entre instituições começaria em 6 de junho, ampliando a competição e potencialmente melhorando ainda mais as condições para os trabalhadores.
Especialistas recomendavam comparar o Custo Efetivo Total das propostas, que incluía juros e taxas adicionais. Havia também um cuidado importante: quem usava o FGTS como garantia precisava saber que parte do fundo ficaria bloqueada até a quitação do empréstimo, limitando saques futuros para outros fins, como compra de imóvel ou aposentadoria. O limite de 35% da renda bruta protegia contra endividamento excessivo, mas exigia planejamento do orçamento para que as parcelas não comprometessem despesas essenciais. Com a entrada de mais bancos em abril, a competição deveria crescer, potencializando as ofertas e transformando o acesso ao crédito no Brasil.
Citações Notáveis
O governo estima que o consignado CLT movimente até R$ 120 bilhões nos primeiros meses, triplicando o volume de crédito consignado privado— Estimativa governamental
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que esse programa decolou tão rápido? Quarenta e oito mil contratos em cinco dias parece extraordinário.
A resposta é simples: as pessoas estavam esperando por isso. Crédito pessoal custa acima de 6% ao mês. Isso aqui oferece 1,6% a 3,17%. Para quem está endividado, a diferença é enorme.
Mas há um risco real aqui, não é? O FGTS é dinheiro que deveria estar protegido para aposentadoria ou compra de casa.
Verdade. Por isso é opcional. Mas muitos vão escolher usar porque reduz ainda mais os juros e porque precisam do dinheiro agora. É um trade-off que cada pessoa faz.
E se alguém perder o emprego? O que acontece com a dívida?
Fica pausada. O banco não pode cobrar imediatamente. Quando a pessoa arruma outro emprego formal, os descontos voltam automaticamente. É proteção contra vulnerabilidade, mas também garante ao banco que vai receber.
Então o governo está criando um sistema onde o emprego formal fica ainda mais valioso.
Exatamente. Quanto mais formalizado você está, mais crédito consegue acessar e em melhores condições. É um incentivo estrutural para a formalização.
E os grandes bancos? Por que demoraram para entrar?
Provavelmente queriam ver como funcionava na prática. Agora que viram 340 milhões em cinco dias, vão querer sua fatia. Quando Bradesco, Itaú e Santander entrarem em abril, a competição vai apertar ainda mais.