Suga a placa para fora do cérebro muito mais depressa
O medicamento Trontinemab eliminou amiloide em 90% dos doentes em apenas 28 semanas, superando tratamentos existentes como Lacanemab e Donanemab. Os investigadores esperam testar a vacina em pessoas sem diagnóstico para prevenir sintomas, com potencial para aprovação do NICE a custos significativamente mais baixos.
- 90% dos doentes eliminaram amiloide em 28 semanas
- Ensaios de fase final começam em 2025
- Cerca de um milhão de pessoas no Reino Unido sofrem de demência
- Trontinemab atravessa a barreira hemato-encefálica com maior facilidade
Investigação apresentada em Toronto revela que o Trontinemab pode ser o tratamento mais eficaz contra Alzheimer até agora, eliminando placas tóxicas rapidamente e com menos efeitos secundários.
Investigadores apresentaram esta semana em Toronto os resultados de um novo medicamento que pode reescrever o futuro do tratamento da doença de Alzheimer. O Trontinemab, conforme revelado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, demonstra uma capacidade notável de eliminar a placa tóxica que se acredita estar na raiz dos sintomas da demência — e faz isso mais rapidamente do que qualquer outro fármaco atualmente autorizado.
Os números são impressionantes. Em ensaios clínicos, 90% dos doentes que receberam o medicamento conseguiram eliminar a amiloide, uma proteína tóxica que forma placas e emaranhados no cérebro e interfere com a memória, num período de apenas 28 semanas. Para comparação, os tratamentos existentes como Lacanemab e Donanemab levam consideravelmente mais tempo a produzir resultados semelhantes. Os investigadores descrevem os resultados como "muito promissores" e sublinham que o medicamento provoca significativamente menos efeitos secundários do que as alternativas atuais.
John Hardy, presidente do departamento de doenças neurológicas da University College London, não hesita em reconhecer o potencial transformador. "Não há dúvida de que isto pode mudar o jogo", afirmou ao The Telegraph. "Suga a placa para fora do cérebro muito rapidamente, muito mais depressa do que vimos com os medicamentos existentes." Hardy foi o primeiro a identificar o papel da amiloide na doença, pelo que a sua avaliação carrega particular peso.
O que torna o Trontinemab particularmente promissor é a sua capacidade de atravessar a barreira hemato-encefálica com maior facilidade do que os tratamentos atuais. Isto significa que doses mais baixas podem produzir efeitos potentes, abrindo a porta a um preço significativamente mais acessível. Num contexto de pressão orçamental nos sistemas de saúde, esta vantagem não é negligenciável. Os investigadores esperam que a velocidade e segurança do medicamento — que exigem menos monitorização e menos ressonâncias magnéticas — possam facilitar a aprovação do NICE, o organismo regulador britânico.
Mas o verdadeiro teste ainda está por vir. Os cientistas estão agora a explorar se o Trontinemab pode ser administrado a pessoas que ainda não foram diagnosticadas com Alzheimer, como forma de prevenir o desenvolvimento de sintomas numa fase posterior da vida. Um ensaio com 1600 doentes está em curso, com um período de acompanhamento de 18 meses durante o qual os investigadores esperam confirmar se as alterações biológicas observadas — a eliminação da amiloide — se traduzem em melhorias reais na memória e na capacidade de tomada de decisão.
Jonathan Schott, médico diretor da Alzheimer's Research UK, oferece uma perspetiva equilibrada. Reconhece que os dados são "muito promissores", mas sublinha que é necessário aguardar os resultados dos ensaios clínicos de fase final, que estão previstos para começar ainda este ano. "Estes ensaios mostrarão se o medicamento não só é seguro, como também tem impacto na memória, no pensamento e na qualidade de vida", afirmou.
O contexto é importante. Atualmente, cerca de um milhão de pessoas no Reino Unido sofrem de demência, sendo a doença de Alzheimer a forma mais comum. Qualquer avanço significativo nesta área tem implicações profundas não apenas para os doentes, mas também para as famílias e para os sistemas de saúde sobrecarregados. Se o Trontinemab conseguir cumprir as suas promessas iniciais — eliminando a amiloide rapidamente, com poucos efeitos secundários e a um custo controlado — poderá representar um ponto de viragem. Mas por enquanto, a comunidade científica aguarda com cautela otimista os resultados dos ensaios finais que determinarão se esta promessa se concretiza.
Citas Notables
Não há dúvida de que isto pode mudar o jogo— John Hardy, University College London
Os dados sobre o Trontinemab são muito promissores, mostrando que o medicamento pode eliminar eficaz e rapidamente a amiloide do cérebro, aparentemente com muito poucos efeitos secundários— Jonathan Schott, Alzheimer's Research UK
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que este medicamento é tão diferente dos que já existem?
Basicamente, consegue fazer o mesmo trabalho muito mais depressa e com menos efeitos secundários. Elimina a amiloide em 28 semanas quando os outros levam muito mais tempo. E atravessa a barreira do cérebro com mais facilidade, o que significa doses mais baixas.
E isso importa para o preço?
Importa muito. Menos monitorização, menos ressonâncias magnéticas, doses mais baixas — tudo isto reduz o custo total do tratamento. Pode abrir a porta a aprovações regulatórias mais rápidas e a preços que os sistemas de saúde conseguem suportar.
Mas ainda não sabemos se funciona de verdade, certo?
Exato. Sabemos que remove a placa tóxica do cérebro. Mas se isso se traduz em pessoas com melhor memória e qualidade de vida — isso é o que os ensaios finais vão determinar. É a diferença entre um marcador biológico e um benefício real.
Quando é que saberemos?
Os ensaios de fase final começam ainda este ano. Com 1600 doentes e 18 meses de acompanhamento, provavelmente teremos respostas no próximo ano ou dois.
E a ideia de dar isto a pessoas sem sintomas?
É ambiciosa. Se conseguirmos travar a doença antes de as pessoas começarem a esquecer-se de coisas, seria revolucionário. Mas é também a parte mais especulativa neste momento.