Nome de Ramagem aparece em planilhas de bicheiro investigado pela PF no Rio

Seu nome estava anotado naqueles documentos de lavagem de dinheiro
Ramagem aparece em planilhas apreendidas com bicheiro, mas não era alvo direto da operação.

Em meio a uma investigação que entrelaça o jogo do bicho, lavagem de dinheiro e o poder político fluminense, o nome de Alexandre Ramagem — ex-diretor da inteligência brasileira e condenado pelo STF — emergiu de planilhas apreendidas com um contraventor, sem que ele fosse alvo direto da operação. A descoberta amplia o alcance da Operação Unha e Carne e lança novas sombras sobre um homem que já aguarda, em solo americano, a decisão sobre seu pedido de asilo enquanto o Brasil pede sua extradição. É o momento em que documentos silenciosos falam mais alto do que qualquer declaração pública.

  • Planilhas apreendidas com o bicheiro Adilsinho registram quatro supostos pagamentos a Ramagem em setembro, somando cerca de R$ 109.888,00 — sem que o ano das transações esteja indicado.
  • Ramagem não era alvo da operação, mas sua identificação nos documentos o transforma em investigado, adicionando uma nova camada a uma biografia já marcada por condenação do STF por crimes graves contra o Estado Democrático.
  • O ex-governador Cláudio Castro também aparece nas mesmas planilhas, enquanto sua defesa rejeita qualquer ilicitude, argumentando que uma citação não equivale a prova de recebimento de recursos.
  • A Polícia Federal segue analisando o material apreendido, e o ministro Alexandre de Moraes expediu mandados de prisão e determinou sequestro de bens de até R$ 22 milhões no âmbito da mesma operação.
  • Ramagem permanece nos Estados Unidos aguardando análise de asilo político, sem que sua assessoria tenha se manifestado sobre os novos registros que o vinculam ao esquema investigado.

A Polícia Federal não foi atrás de Alexandre Ramagem na quinta-feira, 2 de julho — mas acabou encontrando seu nome assim mesmo. Durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao jogo do bicho no Rio de Janeiro, agentes apreenderam documentos com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Entre esses papéis, uma planilha registrava quatro lançamentos identificados como "DEP RAMAGEM" e "DEP ALEXANDRE RAMAGEM", com valores que somam aproximadamente R$ 109.888,00 em datas de setembro — sem indicação do ano.

Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência no governo Bolsonaro e ex-deputado federal pelo Rio, já carrega uma condenação do Supremo Tribunal Federal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Após perder o mandato, deixou o Brasil e hoje está nos Estados Unidos, onde aguarda a análise de um pedido de asilo político enquanto o governo brasileiro solicita sua extradição. Sua assessoria não se manifestou sobre os novos registros.

O nome do ex-governador Cláudio Castro também aparece nas mesmas planilhas, embora ele igualmente não tenha sido alvo direto da operação. A defesa de Castro rejeitou qualquer irregularidade, sustentando que uma simples menção não comprova recebimento de recursos ou práticas ilícitas.

A operação tem raízes em determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas e investiga o que as autoridades chamam de "Máfia do Cigarro", supostamente liderada por Adilsinho. Nesta fase, o pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente na Barra da Tijuca. O ministro Alexandre de Moraes expediu ainda mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, além de determinar o sequestro de bens de até R$ 22 milhões. Segundo a PF, o esquema controlaria a venda de cigarros falsificados em grande parte do estado, causando prejuízos bilionários ao erário por sonegação fiscal.

A Polícia Federal encontrou o nome de Alexandre Ramagem em documentos apreendidos durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, investigação que mapeia um esquema de lavagem de dinheiro ligado à estrutura do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Ramagem, ex-deputado federal pelo Rio e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro, não era alvo direto da operação deflagrada na quinta-feira, 2 de julho, mas agora figura como investigado após a descoberta de seu nome em planilhas apreendidas com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.

Os documentos revelam quatro lançamentos atribuídos a Ramagem em um arquivo chamado "planilha 2". Os registros mostram pagamentos de R$ 39.708,00 em 2 de setembro, R$ 30.000,00 em 6 de setembro, R$ 18.100,00 em 21 de setembro e R$ 22.080,00 em 29 de setembro. Nas anotações, ele aparece identificado como "DEP RAMAGEM" e "DEP ALEXANDRE RAMAGEM". As planilhas registram apenas o dia e o mês dos supostos pagamentos, sem indicar o ano em que teriam ocorrido. A Polícia Federal informou que continua analisando o material apreendido para aprofundar as investigações sobre os registros encontrados.

Ramagem já enfrenta condenação do Supremo Tribunal Federal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Após a condenação, perdeu o mandato de deputado federal e deixou o Brasil. Atualmente está nos Estados Unidos, onde aguarda a análise de um pedido de asilo político enquanto o governo brasileiro solicita sua extradição às autoridades americanas.

O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro também aparece nas mesmas planilhas, embora igualmente não tenha sido alvo direto da operação. A defesa de Castro negou qualquer irregularidade, afirmando que a simples citação do nome não comprova recebimento de recursos, irregularidades eleitorais ou práticas ilícitas. A assessoria de Ramagem não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

A Operação Unha e Carne investiga um esquema atribuído à chamada "Máfia do Cigarro", supostamente liderada por Adilsinho. Durante esta fase, o pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, suspeito de manter vínculos com a organização criminosa. O ministro Alexandre de Moraes do Supremo também expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já custodiados em fases anteriores. A decisão judicial determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões.

Os documentos apreendidos reúnem anotações sobre supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem estar relacionadas à lavagem de dinheiro envolvendo agentes políticos fluminenses. A investigação tem origem em determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que estabeleceu o aprofundamento das investigações sobre possíveis vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. Em fases anteriores, a operação investigou vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho, irregularidades envolvendo a Fundação Ceperj e fraudes em contratações da Secretaria Estadual de Educação.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada controlaria um esquema de comercialização de cigarros falsificados em grande parte do estado do Rio de Janeiro, provocando prejuízos bilionários aos cofres públicos em razão da sonegação fiscal. A defesa de Márcio Poncio informou que ainda não teve acesso aos autos do processo, enquanto os advogados de Adilsinho negam que o contraventor tenha realizado pagamentos indevidos a agentes políticos.

A Polícia Federal informou que prossegue com a análise do material apreendido para aprofundar as investigações sobre os registros encontrados nas planilhas
— Polícia Federal
A defesa de Castro afirmou ser mentirosa qualquer ilação de que o ex-governador tenha recebido pagamentos de Adilsinho
— Defesa de Cláudio Castro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o nome de Ramagem apareceu em planilhas de um bicheiro se ele não era alvo direto da operação?

Model

Porque a Polícia Federal estava mapeando movimentações financeiras ligadas ao esquema de lavagem de dinheiro. Quando apreenderam os documentos de Adilsinho, encontraram registros de pagamentos com o nome de Ramagem. Não significa que ele recebeu necessariamente — significa que seu nome estava anotado naqueles documentos.

Inventor

Qual é a diferença entre ser alvo direto e ser investigado?

Model

Ser alvo direto significa que você é o foco principal da operação — há mandados contra você, sua casa é revistada, você é procurado. Ser investigado significa que seu nome apareceu em documentos ou registros e agora a polícia quer entender o contexto. Ramagem está nessa segunda categoria.

Inventor

Os valores somam quase R$ 110 mil em setembro. Isso é muito dinheiro?

Model

Para um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho, não é particularmente alto. Mas o padrão importa — quatro pagamentos em um mês, todos registrados com seu nome. A polícia quer saber se isso era rotina, se havia contrapartida, se havia alguma transação real por trás.

Inventor

Ramagem já estava em apuros antes disso?

Model

Sim. Ele foi condenado pelo STF por crimes graves — organização criminosa armada, tentativa de golpe. Perdeu o mandato. Saiu do Brasil e está nos EUA pedindo asilo enquanto o governo tenta extraditá-lo. Então esse achado nas planilhas é mais um capítulo em uma história que já era complicada.

Inventor

Por que Castro também aparece nas planilhas?

Model

Porque Adilsinho tinha registros de pagamentos para vários agentes políticos. Castro nega tudo — diz que estar em uma planilha não prova nada. E tecnicamente ele tem razão. Mas a polícia quer investigar se havia um padrão de pagamentos a políticos em troca de favores ou proteção.

Inventor

Isso vai levar a uma acusação contra Ramagem?

Model

Não se sabe ainda. Tudo depende do que a polícia conseguir provar com o material apreendido. Por enquanto, é investigação. Ramagem está fora do país, o que complica as coisas. A extradição é um processo longo.

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