No jogo 900, Fábio desabafa sobre crise do Cruzeiro: 'Quem errou está em casa'

Quem fez as coisas erradas está em casa. Ninguém aqui está de sacanagem.
Fábio marca 900 jogos em derrota e desabafa sobre a crise administrativa que assola o Cruzeiro.

Numa noite que misturou história e amargura, o goleiro Fábio completou 900 jogos pelo Cruzeiro — não em festa, mas em derrota, com o clube afundado na zona de rebaixamento da Série B. O veterano, que carrega dezesseis anos de lealdade à Raposa, escolheu o momento para nomear o que muitos preferiam silenciar: os erros de gestões passadas, escondidos sob títulos, agora cobram seu preço dos que ficaram. É a velha lição humana de que as consequências não respeitam quem as merece.

  • A derrota por 2 a 1 para o Sampaio Corrêa empurrou o Cruzeiro para o 18º lugar, tornando a marca histórica de Fábio uma celebração impossível.
  • Seis pontos perdidos por punição da Fifa e dificuldades financeiras impedem inscrições de jogadores, sufocando qualquer tentativa de reação dentro de campo.
  • Fábio rompeu o silêncio e apontou diretamente para gestores anteriores, dizendo que os títulos recentes serviram de véu sobre uma administração estruturalmente falida.
  • Os jogadores que restaram — muitos jovens e sem experiência profissional — carregam o ônus de decisões que não tomaram, tentando consertar o que não quebraram.
  • O Cruzeiro viaja para Atibaia em busca de recuperação e enfrenta o lanterna Oeste no domingo, mas o passado segue pesando mais do que qualquer treino pode resolver.

Fábio chegou aos 900 jogos com a camisa do Cruzeiro numa noite que ele gostaria de esquecer. A derrota para o Sampaio Corrêa por 2 a 1, no Mineirão, pela 14ª rodada da Série B, empurrou o time para o 18º lugar — zona de rebaixamento. Dezesseis anos de carreira na Raposa, e a marca histórica concretizada com um resultado que ninguém queria.

Depois da partida, o goleiro falou com a imprensa de forma contida, mas direta. Disse que o Cruzeiro estava colhendo o que havia plantado. Desde janeiro, todos sabiam que 2020 seria difícil. A pandemia agravou o cenário, e os seis pontos perdidos por punição da Fifa — por falta de pagamento a terceiros — aprofundaram a crise. Mas o problema, segundo Fábio, era mais antigo: os títulos dos anos anteriores tinham encoberto má administração e decisões ruins tomadas longe do campo.

O ponto central do desabafo foi claro: quem errou já tinha saído. Quem permanecia eram jovens sem experiência profissional, jogadores que abriram mão de algo para estar ali, todos se esforçando ao máximo para reverter uma situação que não criaram. Fábio frisou que ninguém estava de má-fé — às vezes as coisas simplesmente não acontecem porque o que foi plantado no passado é colhido no presente.

Sobre a torcida, o goleiro disse respeitar profundamente a dor do cruzeirense, pois compartilhava dessa história há dezesseis anos. Mas havia realidades que não tinham como ser explicadas além do que já estava visível: quem não pagou a Fifa, quem perdeu os pontos, quem impedia novas inscrições. Com sete tropeços em 14 jogos e apenas 11 pontos, o Cruzeiro viaja para Atibaia e enfrenta o Oeste no domingo — uma chance de reação que carrega, ainda, o peso de tudo que veio antes.

Fábio chegou aos 900 jogos com a camisa do Cruzeiro numa noite que ele gostaria de esquecer. A derrota para o Sampaio Corrêa por 2 a 1, no Mineirão, pela 14ª rodada da Série B, empurrou o time para o 18º lugar — a antepenúltima posição, zona de rebaixamento. Não era assim que o goleiro imaginava marcar essa cifra histórica. Dezesseis anos de carreira na Raposa, e agora isso.

Depois da partida, Fábio sentou para falar com a imprensa e o que saiu foi um desabafo contido mas direto. O jogador reconheceu o peso do momento: dezesseis anos de luta, entrega, superação, trabalho. Mas hoje, disse, essa marca foi concretizada com um resultado negativo. Não era o que ninguém queria. Ainda assim, havia algo que precisava ser dito — algo que vinha sendo dito desde o ano anterior, algo que ninguém parecia querer ouvir.

O Cruzeiro, explicou Fábio, estava colhendo o que havia plantado. A situação não era nova. Desde janeiro, ele e o clube sabiam que 2020 seria difícil em todos os aspectos. A pandemia piorou as coisas. Depois vieram os seis pontos perdidos pela Fifa — punição por falta de pagamento. Mas o problema era mais fundo que isso. Os títulos conquistados nos anos anteriores, disse Fábio, tinham encobrido muita coisa. Má administração de longa data. Decisões ruins tomadas longe do campo. Agora, tudo estava explodindo nos rostos dos jogadores que estavam ali, tentando fazer o máximo com o que tinham.

E aqui estava o ponto que o goleiro queria deixar claro: quem tinha feito as coisas erradas tinha saído fora. A responsabilidade agora era dos meninos que subiram, dos que estavam chegando, muitos deles sem experiência profissional. Eram eles que estavam se matando ali, tentando reverter uma situação que não tinham criado. Fábio reforçou que ninguém estava de sacanagem. Todo mundo tinha aberto mão de algo para estar ali. Os mais antigos estavam dando o máximo. Mas às vezes as coisas não acontecem. Por quê? Porque se planta lá atrás e se colhe agora, em plena dificuldade.

O goleiro também tocou na questão dos protestos da torcida. Ele respeitava muito o torcedor — estava ali há dezesseis anos, era cobrado em todos os lugares que ia. Sabia a dor que o torcedor estava sentindo porque o Cruzeiro fazia parte de sua vida há dezesseis anos. Mas havia coisas que ele e seus companheiros não conseguiam explicar. Situações que estavam ali para todo mundo ver. A Fifa. Quem não pagou a Fifa? Quem perdeu os seis pontos? Agora chegava um jogador, chegava outro, outro não podia ser inscrito. A realidade estava ali, nua e crua.

Com a derrota para o Sampaio, o Cruzeiro atingiu seu sétimo tropeço em 14 jogos. Possuía apenas 11 pontos, empatado com o Guarani, que era o vice-lanterna. A delegação seguiria para Atibaia na sexta-feira para uma semana de treinamentos. No domingo, enfrentaria o Oeste — o lanterna da competição — na Arena Barueri, às 16h. Era uma chance de reação, mas o peso das decisões passadas seguia pesando nos ombros de quem estava tentando consertar o presente.

São 16 anos de muita luta, muita entrega, superação, trabalho, fé em Deus sempre, mas hoje, infelizmente, essa marca foi concretizada com um resultado negativo.
— Fábio, goleiro do Cruzeiro
A gente está colhendo o que a gente plantou. Quem fez as coisas erradas aqui dentro do Cruzeiro está em casa.
— Fábio, goleiro do Cruzeiro
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Quando Fábio diz que 'quem errou está em casa', ele está falando de pessoas específicas ou de um sistema inteiro que falhou?

Model

Dos dois. Ele está apontando para gestores, administradores, pessoas que tomaram decisões ruins e depois saíram. Mas também está falando de uma cultura de má gestão que durou anos — títulos que encobriam problemas estruturais.

Inventor

Por que os títulos recentes importam tanto nessa história?

Model

Porque eles criaram uma ilusão. Enquanto o Cruzeiro ganhava, ninguém via ou ninguém queria ver o que estava sendo feito errado nos bastidores. Quando os títulos pararam de vir, tudo desabou de uma vez.

Inventor

Fábio parece estar defendendo os jogadores atuais. Ele está pedindo desculpas por eles?

Model

Não exatamente. Ele está dizendo que eles não têm culpa. Estão ali tentando consertar uma bagunça que não fizeram. É uma defesa, sim, mas também é uma acusação contra quem saiu.

Inventor

E a questão da Fifa? Por que ele menciona isso tantas vezes?

Model

Porque é concreto. É um exemplo perfeito do que ele quer dizer. Alguém não pagou. Agora o time perde seis pontos e não consegue inscrever jogadores. Quem não pagou? Não foi o Fábio. Não foram os meninos que estão ali agora.

Inventor

Qual é o tom dele ao falar tudo isso?

Model

Frustrado, mas controlado. Ele não está gritando. Está explicando, repetindo, tentando fazer as pessoas entenderem. Há uma dignidade naquilo, uma recusa em se vitimizar, mas também uma raiva clara de quem saiu e deixou a bagunça para trás.

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