Por décadas, a medicina olhou para o cérebro como sede soberana da mente e para o coração como centro da vida. O neurologista Pedro Schestatsky propõe uma revisão dessa hierarquia: é o intestino, com sua capacidade de produzir neurotransmissores, regular inflamação e moldar a microbiota, que governa silenciosamente o humor, a memória e o envelhecimento. Numa época em que 90% das doenças conhecidas têm raiz inflamatória, compreender o intestino como jardim interno — e não apenas como tubo digestivo — pode ser o passo mais consequente da medicina contemporânea.