Neoenergia cria canais exclusivos após protesto de setor solar no DF

Consumidores que investiram em energia solar enfrentam insegurança financeira e impossibilidade de usufruir dos benefícios esperados enquanto aguardam conexão à rede.
Consumidores aguardam 600 dias para gerar energia que já pagaram para instalar
Representantes do setor solar protestaram contra atrasos na conexão de painéis à rede elétrica da Neoenergia Brasília.

Em Brasília, mais de cem profissionais do setor solar foram às ruas denunciar o que muitos consumidores já viviam em silêncio: o paradoxo de ter investido em autonomia energética e se ver preso numa fila administrativa que pode durar mais de 600 dias. O protesto diante da Neoenergia Brasília revela uma tensão mais ampla entre a promessa da transição energética e a capacidade das concessionárias de acompanhar esse ritmo. A resposta institucional chegou — canais exclusivos, equipes reforçadas —, mas a confiança, uma vez abalada, exige mais do que promessas para ser restaurada.

  • Consumidores com painéis solares já instalados esperam mais de 600 dias para se conectar à rede, pagando contas cheias enquanto a economia prometida não chega.
  • Protocolos que desaparecem, vistorias intermináveis e créditos de energia não compensados transformaram a espera em uma experiência de desgaste financeiro e emocional.
  • Mais de cem profissionais do setor, organizados pela ABES, ocuparam a frente da sede da Neoenergia Brasília para tornar visível um problema que crescia nas sombras da burocracia.
  • Após o protesto, a concessionária anunciou canais exclusivos de atendimento e prometeu reforçar equipes — mas atribuiu metade dos atrasos a falhas técnicas nos próprios projetos dos clientes.
  • O setor solar aguarda ações concretas: a tensão entre a pressão dos profissionais e as justificativas da empresa permanece como o verdadeiro nó a ser desatado.

Na manhã de uma terça-feira, mais de cem profissionais do setor de energia solar se reuniram diante da sede da Neoenergia Brasília para dar voz a um problema que vinha se acumulando em silêncio: consumidores com painéis solares instalados em casas, empresas e propriedades rurais presos num limbo administrativo, aguardando a conexão à rede elétrica por períodos que chegavam a mais de 600 dias.

O protesto foi organizado pela Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES) e reuniu integradores, instaladores e empresários que dependem da geração distribuída para seus negócios. Lucas de Paula, membro da ABES, deixou claro que a questão vai além da demora: enquanto aguardam a conexão, os consumidores não conseguem gerar energia nem economizar na conta de luz. Somam-se a isso protocolos que desaparecem, vistorias que se arrastam, erros no faturamento e créditos de energia não compensados — um conjunto de falhas que gera insegurança tanto para quem investiu em painéis quanto para as empresas do setor.

Após o protesto, representantes da ABES foram recebidos pela diretoria da Neoenergia, que anunciou a criação de canais exclusivos de atendimento para tratar especificamente de vistorias, faturamento e compensação de créditos. Em nota, a concessionária reconheceu que uma atualização de sistemas havia gerado impactos nos processos internos e afirmou que os problemas estavam sendo tratados com prioridade.

Sobre os atrasos nas conexões, a Neoenergia argumentou que o processo envolve etapas técnicas e regulatórias complexas e que cerca de 50% dos projetos apresentados pelos clientes possuem pendências técnicas que afetam os prazos. A empresa prometeu reforçar equipes e acelerar análises. O anúncio dos canais exclusivos representa uma resposta direta à pressão do setor — mas a desconfiança acumulada e os atrasos que persistem mantêm a tensão entre a concessionária e os profissionais que dela dependem.

Na manhã de terça-feira, mais de cem profissionais do setor solar se reuniram em frente à sede da Neoenergia Brasília para denunciar um problema que vinha se acumulando há meses: consumidores com painéis solares instalados em suas casas, empresas e propriedades rurais estavam presos em uma espécie de limbo administrativo, aguardando a concessionária para conectar seus sistemas à rede elétrica. Alguns desses consumidores já esperavam há mais de 600 dias.

A manifestação, organizada pela Associação Brasiliense de Energia Solar (ABES), reuniu integradores, empresários, instaladores e outros profissionais que trabalham com geração distribuída — aquele modelo em que o próprio consumidor produz sua energia, geralmente através de placas solares. O protesto nasceu de um crescimento nas reclamações sobre atrasos e problemas no processo de conexão. Lucas de Paula, membro da ABES, explicou que a questão vai muito além da simples demora. Enquanto aguardam a conexão, os consumidores não conseguem começar a gerar energia nem usufruir da economia que esperavam na conta de luz. Além disso, relatou, há consumidores que perdem informações sobre seus processos, protocolos que desaparecem, vistorias que se arrastam, erros no faturamento e créditos de energia que não são compensados corretamente. Tudo isso cria uma sensação de insegurança tanto para quem investiu seu dinheiro em painéis solares quanto para as empresas que atuam no setor.

Após o protesto, representantes da ABES foram recebidos pela diretoria da Neoenergia Brasília para apresentar as demandas do setor e cobrar ações concretas. A reunião resultou em um anúncio: a concessionária criaria canais exclusivos de atendimento para lidar especificamente com questões de vistorias, faturamento e compensação de créditos de energia.

Em nota, a Neoenergia reconheceu que estava passando por uma atualização de sistemas e que essa transição havia gerado impactos, particularmente nos processos de faturamento e compensação de créditos. A empresa afirmou que esses problemas já estavam sendo tratados com prioridade. Quanto aos atrasos na conexão das usinas, a concessionária explicou que o processo envolve várias etapas técnicas e regulatórias. Segundo a empresa, aproximadamente 50% dos projetos apresentados pelos clientes possuem pendências técnicas, o que afeta os prazos de conclusão.

A Neoenergia informou ainda que está reforçando suas equipes, acelerando análises e aperfeiçoando processos para corrigir inconsistências e melhorar o atendimento. O anúncio dos canais exclusivos representa uma resposta direta à pressão do setor, embora a questão dos atrasos técnicos permaneça como um ponto de tensão entre a concessionária e os profissionais que dependem de conexões mais rápidas para seus negócios.

Consumidores que já instalaram placas solares aguardam há mais de 600 dias para que a Neoenergia conclua o processo de conexão, impedindo que gerem energia e obtenham a economia esperada na conta de luz
— Lucas de Paula, membro da Associação Brasiliense de Energia Solar
Os problemas vão além da demora: consumidores ficam sem informação, protocolos desaparecem, há atrasos em vistorias, problemas no faturamento e créditos de energia que deixam de ser compensados
— Lucas de Paula, ABES
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que 600 dias é um tempo tão crítico para quem instalou painéis solares?

Model

Porque durante todo esse tempo, o consumidor já pagou pela instalação, mas não consegue gerar nem uma unidade de energia. É como comprar um carro e ficar um ano e meio esperando para poder dirigir.

Inventor

E a Neoenergia diz que 50% dos atrasos vêm de pendências técnicas nos projetos dos clientes. Isso é uma desculpa válida?

Model

Pode ser válido em alguns casos, mas não explica por que consumidores perdem protocolos, não recebem informações ou têm créditos não compensados. Esses são problemas administrativos, não técnicos.

Inventor

O que muda com os canais exclusivos que a Neoenergia anunciou?

Model

Em teoria, significa que haverá pessoas dedicadas apenas a esses problemas, sem competir com outras demandas. Mas o setor quer ver isso funcionando na prática.

Inventor

Qual é o risco maior aqui — para o consumidor ou para o setor solar?

Model

Para ambos. O consumidor perde dinheiro e confiança. O setor perde clientes que desistem de investir em energia solar quando veem esses atrasos.

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