O futebol foi o meu primeiro amor, mas o basquetebol é agora o meu futuro
Entre duas paixões — o futebol da infância e o basquetebol que o levou ao topo do mundo — Neemias Queta constrói, aos 25 anos, uma presença que transcende o parquet dos Celtics. O único português na NBA investe em startups, organiza campos de treino para jovens e usa a sua influência para semear no solo português um desporto que, lentamente, começa a florescer. É a história de um atleta que percebeu que o legado se constrói tanto fora de campo como dentro dele.
- Neemias Queta viveu a sua melhor época na NBA, terminando a temporada regular com máximos de carreira em pontos, ressaltos e desarmes — mas a sua ambição não se esgota no jogo.
- O basquetebol português cresce, mas ainda compete com a sombra longa do futebol, e Queta sente a urgência de acelerar essa mudança antes que a janela de oportunidade se feche.
- Através da startup Hoopers, Queta financia campos de rua, organiza o seu próprio training camp para jovens entre os 13 e os 17 anos e transmite competições na televisão — construindo infraestrutura onde antes havia apenas sonhos.
- Os seus investimentos estendem-se à análise de audiências para clubes da NBA, ligando Portugal ao coração da liga americana de uma forma que vai além do talento individual.
- A terceira edição do Neemias Queta Training Camp, marcada para julho em Carcavelos, é o sinal mais concreto de que este projeto não é passageiro — é uma aposta de longo prazo no futuro do desporto em Portugal.
Neemias Queta está sentado numa entrevista com a Slam, a mais influente revista de basquetebol americana, e a conversa revela um homem que habita dois mundos com igual intensidade. O poste dos Celtics fala da sua melhor época na NBA, mas também do futebol — o desporto que o criou em Portugal e que nunca abandonou por completo. Ainda hoje joga como guarda-redes, uma escolha calculada: protege o corpo de lesões e aguça os reflexos que usa para agarrar passes no ar dentro do campo.
Aos dez anos, o basquetebol entrou na sua vida e mudou tudo. Agora, com 25 anos e estatísticas de carreira — 10,2 pontos, 8,4 ressaltos e 1,3 desarmes por jogo em 76 partidas, 75 delas como titular — Queta quer devolver ao país que o formou algo mais duradouro do que troféus. Através da startup Hoopers, investe na reabilitação de campos de rua, organiza o circuito Hoopers League Pro-Am transmitido pela BOLA TV e lidera o seu próprio training camp para jovens entre os 13 e os 17 anos, cuja terceira edição decorre em julho no Pavilhão da Quinta dos Lombos, em Carcavelos.
André Costa, cofundador da Hoopers, vê em Queta mais do que capital — vê um símbolo capaz de convencer uma geração dividida entre dois desportos a olhar para o basquetebol como um caminho real. Os investimentos de Queta estendem-se ainda à Felton, uma plataforma de análise de audiências usada por equipas da NBA e pela própria Slam, com presença na NBA House no Brasil — evento onde Queta já realizou ações e visitou o complexo do Palmeiras, passando o dia com o treinador Abel Ferreira e terminando a visita a marcar penáltis.
A temporada dos Celtics começou com três derrotas seguidas, mas a equipa encontrou o seu caminho e Queta cresceu com ela. A lição que retira é simples: o futuro é brilhante — para ele e para o basquetebol português que está, tijolo a tijolo, a ajudar a construir.
Neemias Queta está sentado numa sala de entrevistas com a Slam, a revista de basquetebol mais influente da América, e a conversa flui entre dois mundos que ele habita com igual paixão. O poste português dos Celtics fala sobre a sua época em Boston — a melhor da sua carreira até agora — mas também sobre algo que raramente sai da sua mente: o futebol. Não é segredo para quem o segue. Desde que chegou à NBA, Queta nunca escondeu que o desporto que o criou continua a ser o seu primeiro amor.
Quando era miúdo em Portugal, o futebol era tudo. Jogava constantemente, respirava o jogo. Mas aos dez anos descobriu o basquetebol e essa descoberta mudou a trajectória da sua vida. Agora, com 25 anos e estabelecido como um dos melhores pivôs da liga americana, ele ainda encontra tempo para jogar futebol — geralmente como guarda-redes, uma escolha deliberada para proteger o corpo de lesões mas também porque acredita que a posição aguça os reflexos, aquela capacidade de agarrar passes no ar que é tão crucial no basquetebol. É uma ponte entre dois desportos, uma forma de manter viva a chama da sua infância.
Mas Queta não se limita a jogar. Está a investir no futuro do basquetebol português de uma forma que vai muito além do que faz dentro de campo. Através da startup Hoopers, ele está envolvido na organização do Neemias Queta Training Camp, um programa que reúne rapazes e raparigas entre os 13 e os 17 anos. A terceira edição do acampamento vai decorrer entre 27 e 30 de julho no Pavilhão da Quinta dos Lombos, em Carcavelos. O projeto não se fica por aí: inclui a reabilitação e construção de campos de rua, espaços onde o basquetebol pode crescer organicamente nas comunidades, e o circuito Hoopers League Pro-Am, que a BOLA TV transmite regularmente.
André Costa, um dos fundadores da Hoopers, vê em Queta mais do que um investidor. Vê um símbolo de inspiração para uma geração de jovens portugueses que se veem divididos entre dois desportos. O futebol continua a ser o rei em Portugal — isso é inegável — mas Queta observa que o basquetebol está a crescer. Mais miúdos estão a entrar em clubes, mais pessoas estão a jogar. É uma mudança que ele quer acelerar, e para isso usa a sua influência e o seu dinheiro.
Os investimentos de Queta estendem-se também a áreas que o conectam directamente ao mundo profissional que habita. A Felton, outra empresa em que está envolvido, é uma plataforma de análise de audiências que equipas da NBA e a própria revista Slam utilizam para compreender melhor quem as segue. A empresa participa na NBA House, um evento anual que a liga organiza no Brasil durante as Finals, atraindo dezenas de milhares de pessoas — antigos jogadores, celebridades, fãs. Queta já realizou acções de basquetebol no Brasil e foi convidado para visitar o complexo de treinos do Palmeiras, onde passou o dia com o treinador português Abel Ferreira. A visita terminou com Queta a marcar alguns penáltis contra o guarda-redes do clube.
Sobre a sua época nos Celtics, Queta reflete com a maturidade de quem aprendeu lições importantes. A temporada começou mal — 0-3 — mas à medida que a equipa compreendeu melhor o seu processo, encontrou consistência. Terminou a regular season com médias de 10,2 pontos, 8,4 ressaltos, 1,7 assistências e 1,3 desarmes de lançamento em 76 partidas, 75 das quais como titular. Tudo máximos de carreira. Adicionou ainda sete partidas de play-off. Para Queta, a lição é clara: o futuro é brilhante, tanto para ele como para o basquetebol português que está a ajudar a construir.
Notable Quotes
O futebol foi o meu primeiro amor. Costumava jogar quando estava a crescer. De vez em quando ainda jogo, a maior parte das vezes como guarda-redes para tentar evitar lesões.— Neemias Queta, em entrevista à revista Slam
Sinto que o basquetebol tem estado a crescer ultimamente. Está a crescer em termos de pessoas a jogarem mesmo em clubes. Na minha opinião, tem sido uma excelente mudança.— Neemias Queta, sobre o crescimento do basquetebol em Portugal
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que um jogador da NBA investe em startups de basquetebol em Portugal? Não seria mais fácil apenas jogar?
Porque Queta viu algo que a maioria não vê — que o basquetebol em Portugal está a crescer, mas precisa de estrutura, de campos, de inspiração. Ele tem a plataforma e o dinheiro para fazer a diferença.
E o futebol? Ele realmente ainda joga?
Sim, como guarda-redes. Diz que é bom para os reflexos, mas acho que é mais do que isso. É uma forma de manter a ligação ao desporto que o criou, à criança que era antes de se tornar profissional.
A Hoopers e a Felton parecem negócios muito diferentes. Qual é a ligação?
Ambas servem o basquetebol, mas de formas diferentes. Uma constrói o jogo desde a base, a outra ajuda as equipas profissionais a compreender o seu público. Queta está a construir um ecossistema.
Ele mencionou que o basquetebol está a crescer em Portugal. É verdade?
Segundo Queta, sim. Mais clubes, mais participação. Mas Portugal é ainda um país de futebol. O que ele está a fazer é criar alternativas, dar aos miúdos a oportunidade de escolher.
E a visita ao Palmeiras? Isso parece uma tangente estranha.
Não é tangente. Mostra que Queta está a construir pontes entre o basquetebol e o futebol, entre a NBA e o Brasil, entre o profissional e o comunitário. É tudo conectado na sua visão.