Navio japonês com mil prisioneiros de guerra é encontrado após 81 anos no fundo do mar

Mais de 1.060 prisioneiros de guerra morreram no naufrágio, incluindo 979 australianos e cidadãos de 14 nacionalidades, deixando famílias em incerteza por 81 anos.
Finalmente, o lugar de descanso foi encontrado
O primeiro-ministro australiano sobre a descoberta dos destroços após 81 anos de incerteza.

No fundo do mar da China Meridional, a mais de quatro mil metros de profundidade, repousa há 81 anos um navio carregado de silêncio e luto. O Montevideo Maru, torpedeado em 1942 por um submarino americano que ignorava transportar prisioneiros de guerra, levou consigo mais de mil vidas — a maioria australiana — e deixou famílias inteiras suspensas numa incerteza que só agora encontra repouso. A descoberta dos destroços, anunciada em abril de 2023, não devolve os mortos, mas oferece algo que o tempo raramente concede: um lugar para o luto finalmente pousar.

  • Por 81 anos, mais de mil famílias viveram sem saber ao certo onde seus entes queridos haviam desaparecido — uma ferida aberta desde julho de 1942.
  • O naufrágio foi fruto de uma tragédia dentro da tragédia: o submarino americano que lançou os torpedos desconhecia que o navio transportava prisioneiros de guerra aliados.
  • Após mais de cinco anos de planejamento e 12 dias de buscas com drones subaquáticos equipados com sonar, exploradores confirmaram os destroços partidos em dois a 500 metros de distância um do outro.
  • A descoberta mobilizou governos, famílias e especialistas — entre eles uma australiana cujo avô e tio-avô morreram no naufrágio — transformando uma missão técnica em ato de memória coletiva.
  • Os destroços permanecerão intocados no fundo do oceano, convertidos em memorial permanente, em respeito expresso pelas famílias das vítimas de 15 nacionalidades diferentes.

Em abril de 2023, exploradores de águas profundas encerraram mais de oito décadas de incerteza ao localizar os destroços do Montevideo Maru a mais de 4 mil metros de profundidade no mar da China Meridional, próximo à ilha filipina de Luzon. A Fundação Silentworld de arqueologia subaquática anunciou a descoberta no dia 22 de abril, revelando que o cargueiro japonês, torpedeado em 1º de julho de 1942, havia se partido em dois pedaços separados por cerca de 500 metros no fundo do oceano.

O que torna o naufrágio especialmente trágico é o equívoco fatal que o originou: o submarino americano responsável pelo ataque desconhecia que o navio transportava prisioneiros de guerra. Entre as mais de 1.060 vítimas, 979 eram australianos — 850 deles militares capturados durante a queda de Rabaul, em Papua-Nova Guiné. Cidadãos de outras 14 nacionalidades também pereceram, incluindo britânicos, neozelandeses, americanos e habitantes das Ilhas Salomão.

A missão de busca foi fruto de mais de cinco anos de planejamento conjunto entre a Silentworld, a empresa holandesa Fugro e o exército australiano. Entre os participantes estava Andrea Williams, australiana cujo avô e tio-avô morreram no naufrágio — para ela, encontrar os destroços foi ao mesmo tempo devastador e reconfortante. O primeiro-ministro Anthony Albanese expressou alívio, esperando que a notícia trouxesse algum consolo às famílias que mantiveram uma longa vigília.

A decisão foi unânime: os destroços permanecerão intactos no fundo do mar, sem remoção de objetos ou restos humanos, transformando o local num memorial silencioso para todos os que ali pereceram. Como observou o diretor da Silentworld, John Mullen, a descoberta fecha um capítulo triste — mas necessário — da história militar e marítima da Austrália.

Em abril deste ano, exploradores de águas profundas localizaram os destroços de um navio que havia desaparecido no fundo do mar há mais de oito décadas. O Montevideo Maru, um cargueiro japonês, foi encontrado a mais de 4 mil metros de profundidade no mar da China Meridional, a cerca de 110 quilômetros da ilha filipina de Luzon. A descoberta, anunciada no dia 22 de abril pela Fundação Silentworld de arqueologia subaquática, encerrou um período de incerteza que se estendia desde 1º de julho de 1942, quando o navio foi torpedeado e afundou levando consigo mais de 1.060 pessoas.

O que tornou este naufrágio particularmente trágico foi o fato de que o submarino americano responsável pelo ataque não sabia que transportava prisioneiros de guerra. Após 12 dias de buscas utilizando um drone subaquático equipado com sonar, os exploradores confirmaram que o navio havia sido atingido por dois torpedos, partindo-se em dois pedaços no fundo do oceano, com a proa e a popa separadas por aproximadamente 500 metros. O capitão Roger Turner, diretor técnico da expedição, descreveu os detalhes da descoberta aos repórteres.

Entre as vítimas do naufrágio, 979 eram australianos, sendo 850 deles militares que haviam sido capturados meses antes pelas forças japonesas durante a queda de Rabaul, um município costeiro em Papua-Nova Guiné. Além dos australianos, cidadãos de 14 nacionalidades diferentes pereceram no desastre, incluindo britânicos, dinamarqueses, estonianos, finlandeses, irlandeses, holandeses, neozelandeses, suecos, americanos e habitantes das Ilhas Salomão. O navio também transportava 33 marinheiros do cargueiro norueguês Herstein, que havia sido capturado pelos japoneses em Rabaul, bem como cerca de vinte guardas e tripulantes japoneses.

O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, expressou alívio com a descoberta, afirmando que finalmente havia sido encontrado o lugar de descanso para as almas perdidas do Montevideo Maru e esperando que a notícia trouxesse algum conforto para os familiares que haviam mantido uma longa vigília. O general Simon Stuart, chefe do exército australiano, ressaltou que uma perda daquela magnitude se estende por décadas e serve como lembrete do custo humano do conflito.

A missão de busca foi resultado de mais de cinco anos de planejamento e envolveu a colaboração entre a Fundação Silentworld, a empresa holandesa de prospecção offshore Fugro e o exército australiano. Entre os participantes estava Andrea Williams, uma australiana cujo avó e tio-avó, ambos prisioneiros de guerra, morreram no naufrágio. Para ela, encontrar os destroços foi extremamente emocionante e reconfortante, especialmente para os familiares das vítimas que nunca haviam recebido confirmação do destino de seus entes queridos.

John Mullen, diretor da Silentworld, observou que a descoberta fecha um capítulo triste na história militar e marítima da Austrália. Muitas famílias esperaram anos por notícias de seus parentes desaparecidos antes de saber do resultado trágico, e algumas nunca aceitaram completamente que seus entes queridos estavam entre as vítimas. A decisão foi tomada de manter os destroços intactos no fundo do mar, respeitando os desejos das famílias. Nenhum objeto ou resto humano será removido do local, transformando o sítio em um memorial permanente para aqueles que pereceram no desastre.

Acreditamos que foi atingido por dois torpedos
— Capitão Roger Turner, diretor técnico da expedição
A descoberta do Montevideo Maru fecha um capítulo triste na história militar e marítima da Austrália
— John Mullen, diretor da Fundação Silentworld
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que levou 81 anos para encontrar este navio, se a tecnologia de busca submarinha já existia?

Model

A profundidade era um obstáculo real — mais de 4 mil metros. Mas o maior desafio foi simplesmente não saber onde procurar. O oceano é vasto. Levou mais de cinco anos apenas de planejamento antes de a expedição começar em abril.

Inventor

O submarino americano que o torpedeou não sabia que havia prisioneiros a bordo?

Model

Exatamente. Era um navio de carga japonês. Do ponto de vista do submarino, era um alvo legítimo. Ninguém informou aos americanos que aquele navio específico transportava prisioneiros de guerra. É uma das ironias mais amargas da guerra.

Inventor

E as famílias — como reagiram após 81 anos?

Model

Muitas nunca tiveram certeza. Alguns corpos nunca foram recuperados, então havia sempre aquela possibilidade remota de que alguém tivesse sobrevivido. Agora, finalmente, há um lugar, um fundo do mar, onde podem honrar seus mortos.

Inventor

Por que decidiram deixar os destroços lá embaixo em vez de trazê-los à superfície?

Model

Respeito. As famílias pediram isso. O navio se tornou um túmulo. Remover corpos ou objetos seria uma violação. É mais digno deixá-lo como memorial.

Inventor

Qual é o significado histórico disso para a Austrália?

Model

É enorme. Este foi um dos piores desastres marítimos da história australiana. Quase mil australianos morreram. Encontrar o navio não traz ninguém de volta, mas fecha uma ferida que sangrou por mais de oito décadas.

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