Nasa lança missão de resgate de US$ 30 milhões para salvar telescópio Swift da queda

Ninguém achava que isso seria possível
Diretor de astrofísica da Nasa reflete sobre a audácia de tentar resgatar um telescópio nunca projetado para ser tocado.

O telescópio Swift, em órbita desde 2004, está descendo rapidamente devido à atividade solar intensa e precisa ser elevado para uma órbita mais estável. O robô Link da Katalyst levará um mês para capturar o Swift e vários meses para elevá-lo de 360 para 600 quilômetros de altitude, operação nunca antes tentada por americanos.

  • Telescópio Swift em órbita desde 2004, descendo rapidamente devido à atividade solar
  • Operação de resgate de US$ 30 milhões usando robô Link da Katalyst Space Technologies
  • Robô precisa elevar órbita de 360 para 600 quilômetros em vários meses, com prazo crítico em outubro
  • Primeira tentativa americana de resgate robótico em órbita; China realizou operação similar há quatro anos

A Nasa contratou a startup Katalyst Space Technologies para uma operação de US$ 30 milhões que impedirá a queda do telescópio Swift à Terra, usando um robô autônomo para elevar sua órbita.

O telescópio Swift está caindo. Desde que foi lançado em 2004, o observatório tem vasculhado o cosmos em busca das maiores explosões do universo — rajadas de raios gama, estrelas em colapso, fenômenos que duram apenas segundos. Mas agora, vinte e dois anos depois, a intensa atividade solar recente está puxando-o de volta para a Terra. A cada mês, sua órbita fica mais baixa. A menos que algo mude rapidamente, ele queimará na atmosfera em questão de meses.

A Nasa não está disposta a deixar isso acontecer. No início desta semana, a agência lançará uma operação de resgate de 30 milhões de dólares — a primeira do tipo já tentada por americanos. Uma startup chamada Katalyst Space Technologies construiu um robô de três braços, batizado de Link, que será enviado para encontrar o Swift em órbita, agarrá-lo e empurrá-lo para uma altitude mais segura. O foguete Pegasus, lançado de um avião, decolará de um atol nas Ilhas Marshall no Pacífico, possivelmente já na terça-feira, 30 de junho.

O desafio é monumental. O Swift nunca foi projetado para ser tocado por nada além de seus próprios sistemas. Ninguém o preparou para um resgate manual — nem humanos, nem máquinas. O observatório pesa 1,6 toneladas e está em uma órbita que o torna cada vez mais inacessível. O Link, do tamanho de uma pequena geladeira, possui três braços com alcance de pouco mais de um metro, cada um terminando em garras que lembram as mãos de uma minifigura de Lego. Levará cerca de um mês apenas para alcançar o Swift e capturá-lo. Depois, precisará de vários meses adicionais para elevar a órbita do telescópio dos atuais 360 quilômetros para os 600 quilômetros necessários para sua sobrevivência. O ponto crítico é outubro — se o Swift não estiver acima de 300 quilômetros até então, será tarde demais.

A Nasa assinou o contrato com a Katalyst em setembro passado com instruções simples mas severas: trabalhem rápido, mas não piorem as coisas. Nove meses depois, a empresa está pronta. Ghonhee Lee, CEO da Katalyst, disse à Associated Press que este é um momento histórico. "Este é o primeiro robô espacial americano a subir ao espaço e realizar algo assim", afirmou. "A Nasa tem todos esses grandes observatórios antigos. Todos eles podem se beneficiar de um serviço como esse. O que estamos provando com essa missão é que essa é uma nova estratégia disponível."

O Swift é especial porque foi projetado para ser rápido — seu nome não é coincidência. Quando detecta uma explosão de raios gama ou uma estrela em colapso, ele gira para capturar o evento em seus últimos segundos. Essas observações são valiosas demais para perder. Shawn Domagal-Goldman, diretor de astrofísica da Nasa, admitiu a dificuldade: "Tenho que ser honesto. Ninguém achava que isso seria possível. Ninguém imaginava que chegaríamos tão longe quanto já chegamos hoje". A agência já desligou todos os instrumentos científicos do Swift para desacelerar sua descida — as observações foram interrompidas em fevereiro.

Nicky Fox, chefe de missões científicas da Nasa, explicou por que vale a pena o risco. "Se deixássemos o Swift reentrar na atmosfera, perderíamos aquele telescópio. Perderíamos muita capacidade. No momento, não temos orçamento para construir outro que o substitua." O observatório foi avaliado em centenas de milhões de dólares e continua produzindo descobertas científicas relevantes — especialmente agora que o Telescópio Espacial Webb e o futuro Telescópio Espacial Roman estão gerando eventos astronômicos para o Swift investigar.

Se a missão funcionar, o Swift poderá voltar às operações em setembro. Mas a Katalyst já está pensando além. A empresa vê isso como o início de um novo mercado de reparos espaciais. Um robô mais avançado, com lançamento previsto para o próximo ano, será capaz de trabalhar em satélites em órbitas muito mais altas — até 35.800 quilômetros. Lee imagina um futuro com centenas de robôs em órbita, não apenas consertando e elevando satélites, mas reabastecendo-os, construindo painéis solares e plataformas de dados. O Hubble, que tem 36 anos e já passou por múltiplas manutenções de astronautas durante a era dos ônibus espaciais, poderá receber um impulso similar em 2028. "É um tesouro nacional", disse Fox. "As pessoas adoram o Hubble."

Mas por enquanto, tudo depende do Link e de seus três braços de Lego. Não há garantia de sucesso. A Nasa está apostando 30 milhões de dólares em uma tecnologia que nunca foi testada em condições reais, em um observatório que nunca foi projetado para ser tocado. Se funcionar, abre um caminho completamente novo para manter vivos os instrumentos que exploram o universo. Se falhar, o Swift queimará na atmosfera, e a Nasa terá perdido não apenas um telescópio, mas também a chance de provar que o espaço pode ser consertado.

Este é o primeiro robô espacial americano a subir ao espaço e realizar algo assim. A Nasa tem todos esses grandes observatórios antigos — todos eles podem se beneficiar de um serviço como esse.
— Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space Technologies
Se deixássemos o Swift reentrar na atmosfera, perderíamos aquele telescópio. Perderíamos muita capacidade. No momento, não temos orçamento para construir outro que o substitua.
— Nicky Fox, chefe de missões científicas da Nasa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a Nasa não simplesmente deixa o Swift cair? Ele já tem vinte e dois anos.

Model

Porque ele ainda funciona e ainda descobre coisas. Não é como um carro velho que você joga fora. É um instrumento científico que custa centenas de milhões de dólares e que ninguém sabe como reconstruir.

Inventor

Mas por que agora? Por que não tentaram isso anos atrás?

Model

Porque a tecnologia não existia. Ninguém tinha construído um robô que pudesse fazer isso. A Katalyst é uma startup — essa empresa praticamente não existia há alguns anos. A urgência veio quando os cálculos mostraram que outubro era o ponto de não retorno.

Inventor

Esse robô Link parece muito pequeno para uma tarefa tão grande.

Model

É. Mas é exatamente por isso que é impressionante. Tem o tamanho de uma geladeira, três braços com garras de Lego, e precisa capturar algo que nunca foi feito para ser tocado. É como tentar pegar um ovo com uma pinça enquanto você está em queda livre.

Inventor

E se der errado? Se o robô danificar o Swift?

Model

Então o Swift cai mesmo assim, e a Nasa perde 30 milhões de dólares. Por isso o contrato foi tão claro: trabalhem rápido, mas não piorem as coisas. Não há margem para erro.

Inventor

Qual é o verdadeiro valor disso? Além de salvar um telescópio?

Model

É provar que o espaço pode ser consertado. Se funcionar, abre um mercado inteiro. Robôs em órbita consertando satélites, reabastecendo-os, construindo coisas. O Swift é apenas o primeiro. O Hubble é o próximo.

Inventor

Então a Katalyst está apostando em um futuro onde reparos espaciais são um negócio?

Model

Exatamente. E se conseguirem salvar o Swift, terão provado que é possível.

Contact Us FAQ