Paixão de infância por eletricidade levou Werner Voigt a fundar a WEG

Ninguém conseguiria tirar aquilo da sua cabeça
Werner Voigt refletindo sobre sua obsessão pela eletricidade desde a infância, que moldaria toda sua vida profissional.

Há histórias em que uma vocação se revela tão cedo que parece ter chegado antes da pessoa. Werner Ricardo Voigt descobriu a eletricidade nos livros do avô, em Schroeder, e nunca mais se afastou dela — recusou a serraria do pai, mudou-se para Joinville aos 15 anos e, após quinze anos de aprendizado prático, fundou em 1961, ao lado de Egon e Geraldo, aquilo que viria a ser a WEG. O que três homens imaginaram como uma pequena fábrica catarinense com cem funcionários tornou-se uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, prova de que certas paixões de infância não são passatempos — são destinos.

  • Um menino que recusa herdar a serraria do pai e insiste em seguir a eletricidade cria uma tensão familiar que, resolvida aos 15 anos com uma mudança para Joinville, muda o curso da indústria brasileira.
  • Quinze anos de experiência prática acumulada em silêncio tornam-se o alicerce invisível de uma empresa que o mundo ainda não conhecia.
  • A união de três nomes — Werner, Egon e Geraldo — em uma única sigla transforma uma conversa entre amigos em um projeto industrial que ultrapassa qualquer expectativa que seus fundadores ousaram ter.
  • A WEG cresce de um terreno em Jaraguá do Sul, escolhido com a modesta esperança de abrigar cem funcionários, para uma multinacional presente em dezenas de países.
  • Aos 81 anos, Voigt ainda trabalhava diariamente e lia livros de eletricidade, lembrando que a curiosidade que fundou a empresa nunca foi um recurso esgotável.

Werner Ricardo Voigt sabia o que queria antes de completar dez anos. Crescido em Schroeder, no interior de Santa Catarina, ele encontrou na casa do avô livros em alemão sobre eletricidade e eletrônica — e aquela descoberta não foi um passatempo, foi uma vocação. Anos depois, ao recordar o período em entrevista gravada em 2012, dizia com simplicidade que ninguém conseguiria tirar aquilo de sua cabeça.

Seu pai era dono de uma serraria e esperava que o filho continuasse o negócio familiar. Werner tinha outros planos. Aos 15 anos, convenceu o pai a deixá-lo partir para Joinville em busca de educação e trabalho na área que o fascinava. "Eu quero elétrica", disse. A decisão de um adolescente teimoso reverberaria muito além de sua vida pessoal.

Antes de fundar qualquer empresa, Voigt acumulou cerca de quinze anos de experiência prática com motores elétricos. A oportunidade surgiu quando peças que fabricava chamaram a atenção de um amigo, Egon João da Silva. Ao mencionar que precisava de um ferramenteiro, Egon o apresentou a Geraldo Werninghaus. Os três decidiram unir forças — e batizaram a empresa da forma mais direta possível: a primeira letra de cada nome. W de Werner, E de Egon, G de Geraldo. A WEG estava criada em 1961, com a modesta ambição de um dia ter cem funcionários e um terreno em Jaraguá do Sul grande o suficiente para que os filhos também trabalhassem ali.

A realidade superou qualquer previsão. A pequena fábrica expandiu operações para diversos países e tornou-se uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo. E mesmo décadas depois, já com 81 anos, Voigt continuava trabalhando diariamente, ajudando engenheiros e lendo livros de eletricidade. "Não se esgota nada", dizia. O menino que descobriu a eletricidade nos livros do avô nunca parou de buscar conhecimento — e foi exatamente essa recusa ao esgotamento que fundou, muito antes de 1961, a história da WEG.

Werner Ricardo Voigt sabia exatamente o que queria fazer com a vida antes de completar dez anos. Nascido em Schroeder, no interior de Santa Catarina, ele passou parte da infância na casa do avó, onde descobriu livros em alemão sobre eletricidade e eletrônica. Aquela curiosidade precoce não era um passatempo — era uma vocação que o marcaria para sempre. Décadas depois, ao relembrar aquele período em uma entrevista gravada em 2012, Voigt dizia com simplicidade: ninguém conseguiria tirar aquilo da sua cabeça.

Seu pai era dono de uma serraria e naturalmente esperava que o filho herdasse o negócio familiar. Mas Werner tinha outros planos, e aos 15 anos conseguiu convencer o pai a deixá-lo sair de casa. Ele se mudou para Joinville em busca de educação e trabalho na área que o fascinava. "Eu quero elétrica", disse ao pai. Essa decisão simples, tomada por um adolescente teimoso, acabaria reverberando muito além de sua vida pessoal.

Antes de fundar qualquer empresa, Voigt acumulou cerca de 15 anos de experiência prática trabalhando com motores elétricos e desenvolvendo projetos técnicos. Esse tempo de aprendizado foi essencial. A oportunidade de criar seu próprio negócio surgiu quando começou a fabricar algumas peças que chamaram a atenção de um amigo, Egon João da Silva. Durante suas conversas, Voigt mencionou que precisava de um ferramenteiro para transformar suas ideias em produtos reais. Egon o apresentou a Geraldo Werninghaus, e os três decidiram unir forças.

O nome da empresa nasceu da forma mais direta possível: pegaram a primeira letra do nome de cada um. W de Werner, E de Egon, G de Geraldo. A WEG estava criada. Os três fundadores tinham expectativas modestas para o empreendimento — sonhavam que a fábrica chegasse a ter cerca de cem funcionários. O terreno que adquiriram em Jaraguá do Sul parecia espaçoso o suficiente para que, no futuro distante, até os filhos pudessem trabalhar ali.

Mas a realidade superou qualquer previsão que tivessem feito. A pequena fábrica cresceu, expandiu suas operações para diversos países e se transformou em uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo. O que começou como o projeto de três homens em Santa Catarina se tornou um império industrial.

Mesmo décadas depois, quando Voigt já tinha 81 anos na época da entrevista, ele continuava trabalhando diariamente. Sua curiosidade não havia diminuído com a idade. Seguia ajudando os engenheiros da companhia, oferecendo a experiência acumulada em tantos anos de trabalho. Mas também continuava estudando. Lia livros sobre eletricidade, acreditava que sempre havia algo novo para aprender e discutir. "Não se esgota nada", dizia. Aquele menino que tinha descoberto a eletricidade nos livros do avó nunca parou de buscar conhecimento.

A trajetória de Werner Voigt revela que a história da WEG não começou em 1961, quando a empresa foi oficialmente fundada. Ela começou muito antes, na curiosidade de uma criança em Santa Catarina, na recusa de seguir o caminho que a família havia traçado, na determinação de um adolescente que sabia exatamente para onde queria ir. Voigt trocou a serraria pelos fios, motores e transformadores, e ajudou a construir algo que duraria gerações.

Eu quero elétrica
— Werner Voigt, aos 15 anos, ao pai
Não se esgota nada. Ainda tem sempre alguma coisa para aprender e para discutir
— Werner Voigt, aos 81 anos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que você acha que essa obsessão de infância foi tão determinante? Outras crianças têm paixões que desaparecem.

Model

Porque ele não deixou desaparecer. Aos 15 anos, quando a maioria dos filhos de comerciantes simplesmente herdaria o negócio, ele disse não. Isso exige uma convicção que vai além do interesse passageiro.

Inventor

E o pai aceitou facilmente?

Model

A entrevista não diz que foi fácil, mas que ele conseguiu convencer. Isso sugere uma negociação, talvez até tensão. Mas o pai cedeu.

Inventor

Quinze anos de experiência antes de fundar a empresa — isso não é coincidência, é?

Model

Não. Ele estava se preparando. Aprendendo o ofício de verdade, não apenas sonhando com ele. Quando a oportunidade apareceu com Egon, ele já tinha as ferramentas.

Inventor

O nome WEG é quase uma brincadeira, não é?

Model

É, mas também é honesto. Três pessoas, três letras. Sem pretensão. E talvez por isso tenha funcionado — eles não estavam tentando ser grandiosos, estavam apenas fazendo o trabalho.

Inventor

Aos 81 anos, ainda lendo sobre eletricidade. Isso diz algo sobre ele?

Model

Diz que a paixão nunca foi sobre dinheiro ou status. Era sobre entender como as coisas funcionam. Isso não muda com a idade.

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