EUA são 2º mais ricos na média, mas caem para 28º lugar na mediana

Metade dos americanos possui menos que a mediana de portugueses
Quando se examina a mediana de patrimônio, os EUA caem para 28º lugar no ranking global de riqueza.

Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar mundial em riqueza média, mas despencam para a 28ª posição quando se observa a mediana — uma distância que não é estatística, mas humana. O enriquecimento acelerado de uma minoria, impulsionado pela alta das bolsas em 2025, criou 441 mil novos milionários americanos em um único ano, enquanto a metade mais pobre da população acumula menos patrimônio do que portugueses e eslovenos. A média conta a história dos que chegaram ao topo; a mediana conta a história de todos os outros.

  • Os EUA criaram 441 mil novos milionários em 2025 — quase metade do crescimento global —, mas esse boom de riqueza foi capturado quase inteiramente por quem já era rico.
  • A mediana do patrimônio americano é de apenas US$ 69 mil, colocando metade da população abaixo de cidadãos de Portugal e Eslovênia.
  • Com um coeficiente de Gini de 0,77, os EUA são o sexto país mais desigual do mundo em distribuição de riqueza, uma posição incomum entre as nações desenvolvidas.
  • O Brasil apresenta concentração ainda mais severa, com Gini de 0,81 e 386 mil milionários, revelando que a desigualdade de patrimônio é uma crise compartilhada no continente americano.

Os Estados Unidos são o segundo país mais rico do mundo quando se mede a riqueza por média — US$ 696 mil per capita, atrás apenas da Suíça. Em 2025, o país ganhou 441 mil novos milionários, cerca de 1.200 por dia, fenômeno impulsionado pela disparada do mercado acionário e que representou quase metade de todo o crescimento global nessa categoria. Os dados são do Global Wealth Report do UBS, que exclui imóveis do cálculo.

Mas a mediana conta uma história diferente. O patrimônio financeiro do americano típico é de apenas US$ 69 mil — o que coloca os EUA na 28ª posição no ranking global e deixa metade da população com menos riqueza do que a mediana de portugueses e eslovenos. A distorção existe porque 79% da riqueza americana está em ativos financeiros, sobretudo ações: quando o mercado sobe, os bilionários ganham exponencialmente mais do que a classe média, e a riqueza mediana recuou em quase todos os 56 países analisados pelo UBS.

O coeficiente de Gini americano é de 0,77 — o sexto maior índice de desigualdade de patrimônio do mundo, superado apenas por Emirados Árabes Unidos, Rússia, África do Sul, Brasil e Arábia Saudita. O Brasil, por sua vez, registrou 9.215 novos milionários em 2025, totalizando 386 mil, mas carrega um Gini de 0,81 — concentração ainda mais extrema, perdendo apenas para os três primeiros da lista. Entre países ricos, os EUA se destacam como caso singular de prosperidade agregada convivendo com desigualdade estrutural profunda.

Os Estados Unidos abrigam a segunda população mais rica do planeta quando se mede a riqueza por média — cada americano possui, em média, US$ 696 mil em liquidez, ficando atrás apenas da Suíça, onde a média é de US$ 910 mil per capita. Mas essa fotografia muda radicalmente quando se olha para o meio do caminho.

O país ganhou 441 mil novos milionários em 2025, um ritmo de aproximadamente 1.200 pessoas por dia. Esse crescimento representou quase metade de todo o aumento global de indivíduos com patrimônio superior a US$ 1 milhão — um fenômeno impulsionado principalmente pela disparada do mercado acionário naquele ano. Os dados vêm do Global Wealth Report do UBS, que exclui imóveis do cálculo de patrimônio pessoal.

Mas quando se examina a mediana — a cifra que marca o ponto médio da população, excluindo os extremos — a história americana muda de forma dramática. A mediana do patrimônio financeiro nos EUA é de apenas US$ 69 mil, um número que coloca os americanos na 28ª posição no ranking global de riqueza. Isso significa que metade dos americanos possui menos patrimônio que a mediana de portugueses e eslovenos. A mediana revela o que a média mascara: a distorção causada pelo enriquecimento acelerado daqueles que já eram extraordinariamente ricos.

Nos Estados Unidos, 79% da riqueza pessoal está concentrada em ativos financeiros — ações, principalmente. Quando o mercado acionário sobe, como aconteceu em 2025, o patrimônio da classe média cresce. Mas o dos bilionários cresce exponencialmente mais. Essa dinâmica explica por que a riqueza mediana recuou em quase todos os 56 países analisados pelo UBS: os ganhos foram capturados desproporcionalmente pelos mais ricos.

Medida pelo coeficiente de Gini — uma escala onde 1 representa desigualdade perfeita — a distribuição de riqueza americana fica em 0,77. É o sexto maior índice de desigualdade do mundo, atrás apenas de Emirados Árabes Unidos, Rússia, África do Sul, Brasil e Arábia Saudita. Entre os países ricos, os EUA se destacam pela concentração extrema de patrimônio.

O Brasil, para efeito de comparação, ganhou 9.215 novos milionários em 2025, elevando o total para 386 mil pessoas. Mas a desigualdade brasileira é ainda mais severa: o coeficiente de Gini do país é 0,81, perdendo apenas para Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul. Enquanto os EUA enfrentam um problema de concentração de riqueza entre os já ricos, o Brasil enfrenta uma concentração ainda mais extrema.

Quando o mercado acionário voa, o patrimônio da classe média dispara — mas o dos bilionários dispara ainda mais
— Análise do Global Wealth Report do UBS
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como é possível um país ser o segundo mais rico do mundo e ao mesmo tempo estar em 28º lugar?

Model

A média e a mediana contam histórias completamente diferentes. A média é puxada para cima pelos bilionários — alguns americanos são tão ricos que elevam a média de todos. A mediana mostra onde está o americano típico.

Inventor

E onde está o americano típico?

Model

Com US$ 69 mil em patrimônio financeiro. Abaixo de portugueses, abaixo de eslovenos. Metade dos americanos tem menos que isso.

Inventor

Mas ganharam 441 mil milionários em um ano. Isso não deveria beneficiar a classe média?

Model

Deveria, mas não beneficia igualmente. Quando o mercado acionário sobe, quem tem muito dinheiro investido ganha muito mais do que quem tem pouco. É matemática pura.

Inventor

Então a desigualdade está piorando?

Model

Está se concentrando. A riqueza mediana caiu em quase todos os países. Os ganhos foram para o topo.

Inventor

E o Brasil está pior?

Model

Muito pior. Coeficiente de Gini de 0,81 contra 0,77 dos EUA. O Brasil tem menos ricos, mas a concentração é ainda mais extrema.

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