Na costa ártica da Gronelândia, onde o gelo e o isolamento definem os limites da existência, a caça à foca não é escolha — é herança e sustento. Há séculos que os inuítes constroem a sua vida em torno deste animal, transformando cada parte dele em alimento, vestuário, arte e rendimento. O que o olhar externo interpreta como crueldade, o olhar interno reconhece como sobrevivência. Entre estas duas leituras do mesmo ato, reside uma das tensões mais antigas da modernidade: quem tem o direito de julgar o que não conhece por dentro.