A gente se sente mal em pedir ajuda, mas já estamos sem alternativas
Em Francisco Beltrão, uma mulher de 56 anos que caminhava pela cidade inteira quando não tinha transporte hoje não consegue engolir sozinha. Noili Maria Polasso, diagnosticada com esclerose múltipla há três anos, perdeu progressivamente o movimento do corpo e, com ele, o sustento da família — seu marido Jair abandonou o trabalho para cuidá-la, e um erro burocrático no INSS cortou o único auxílio que os mantinha. O que resta é a esperança de que a comunidade reconheça, em um número de Pix, a extensão de uma crise que nenhuma família deveria enfrentar sozinha.
- Noili perdeu os movimentos das pernas e de um dos braços, e agora tem dificuldade até para engolir — a doença avança enquanto o sistema trava.
- Um erro de classificação no CID do INSS cortou o auxílio por incapacidade há três meses, deixando a família completamente sem renda.
- Jair não pode trabalhar porque Noili não consegue ficar sozinha nem por instantes — ela não tem mobilidade sequer para pegar o celular em uma emergência.
- A família já vendeu o carro, acumula atrasos no financiamento da casa e compra medicamentos para trombose do próprio bolso — um bolso que está vazio.
- Um advogado tenta corrigir o erro no INSS, a Rádio Educadora doou uma cesta básica, e a comunidade é convocada a contribuir via Pix enquanto a burocracia não se resolve.
Noili Maria Polasso trabalhava como diarista e caminhava pela cidade inteira quando precisava. Ela e o marido Jair moravam no bairro Pinheirinho, em Francisco Beltrão, com planos modestos e uma quantia guardada para enfeitar a casa no Natal. Em dezembro de 2023, o diagnóstico de esclerose múltipla chegou e mudou tudo.
Nos três anos seguintes, a doença foi implacável. Noili perdeu o movimento das pernas, depois de um dos braços, e ficou acamada. Hoje, aos 56 anos, tem dificuldade até para engolir. Além da esclerose, enfrenta trombose — duas condições crônicas que exigem medicação constante. A injeção para a esclerose vem pelo SUS, mas os remédios para a trombose precisam ser comprados na rede privada.
Há três meses, a situação piorou de forma aguda. O auxílio por incapacidade que a família recebia do INSS foi cortado por causa de um erro na classificação da doença no sistema — o CID estava incorreto. Um advogado trabalha para corrigir o problema, mas o processo se arrasta. Enquanto isso, Jair não pode voltar ao trabalho na construção civil: Noili não consegue ficar sozinha nem para chamar ajuda em uma emergência.
A família vendeu o carro. As parcelas do financiamento da casa começaram a atrasar. Uma rifa entre amigos ajudou por um momento, e a Rádio Educadora entregou uma cesta básica esta semana — gestos importantes, mas insuficientes diante dos gastos crescentes. "A gente se sente mal em pedir ajuda, mas já estamos sem alternativas", disse Noili. A comunidade de Francisco Beltrão está sendo convidada a contribuir via Pix pelo número 46 98404-9204.
Até o final de 2023, Noili Maria Polasso tinha uma rotina. Trabalhava como empregada doméstica, como diarista, se virava com o que conseguia. Quando não tinha transporte, caminhava pela cidade inteira. Ela e o marido Jair moravam na rua Mauá, no bairro Pinheirinho, em Francisco Beltrão. Ele era construtor. Havia até planos modestos — queriam enfeitar a casa para o Natal, tinham uma quantia guardada para algo bonito.
Em dezembro de 2023, tudo mudou. Noili foi diagnosticada com esclerose múltipla, uma doença neurológica autoimune que compromete o sistema nervoso central através de processos inflamatórios e degenerativos. O diagnóstico chegou três anos atrás, mas a progressão foi implacável. Aos poucos, perdeu o movimento das pernas, depois de um dos braços. Ficou acamada. Agora, aos 56 anos, tem dificuldade até para engolir alimentos. Além da esclerose, enfrenta trombose — duas doenças crônicas que exigem medicação constante.
O impacto financeiro foi devastador. Há três meses, a família perdeu o auxílio por incapacidade que recebia do INSS. Jair descobriu que havia um erro na classificação da doença no sistema — o CID estava incorreto. Um médico deveria corrigir o problema, mas o processo se arrasta. Enquanto isso, não há renda entrando em casa. Jair não pode mais trabalhar porque Noili não consegue ficar sozinha. Ela não consegue nem mexer no próprio celular para chamá-lo em uma emergência. Deixá-la desacompanhada é impossível.
A situação se tornou crítica rapidamente. Jair vendeu o carro. A família não paga aluguel, mas as parcelas do financiamento da casa começaram a atrasar. Os gastos com saúde não param. A injeção para a esclerose vem pelo SUS, mas os medicamentos para a trombose precisam ser comprados na rede privada. Uma rifa com amigos ajudou, mas os custos continuam altos e crescentes. "A gente se sente mal em pedir ajuda, mas é que já estamos sem alternativas", disse Noili. Jair, emocionado em entrevista à Rádio Educadora, descreveu o impasse: sem renda, sem perspectiva imediata de resolver o problema do INSS, e um advogado trabalhando para recuperar o benefício — mas enquanto isso não acontece, a família vai se desfazendo do que tem.
A Rádio Educadora, movida por doações de ouvintes, entregou uma cesta básica à família nesta semana. Mas o gesto, embora importante, é apenas um alívio momentâneo. A comunidade de Francisco Beltrão está sendo convidada a ajudar. Quem puder contribuir pode fazer uma transferência via Pix para o número de celular de Noili: 46 98404-9204. A família não está pedindo caridade por escolha — está pedindo porque não há mais alternativas.
Citações Notáveis
A gente até queria fazer uns enfeites de Natal na casa, tinha um dinheiro pra fazer algo bem bonito. Só que aí a Noili adoeceu e a gente não parou mais de gastar dinheiro com a saúde dela.— Jair Polasso, marido de Noili
Agora ela não consegue mais mexer no próprio celular, então não posso deixar ela sozinha em casa porque ela não tem como me chamar em uma emergência. Então não dá mais pra sair pra trabalhar.— Jair Polasso
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma doença como essa muda tão rápido a vida de uma pessoa?
A esclerose múltipla é progressiva e imprevisível. Noili tinha mobilidade, trabalhava, caminhava pela cidade. Em poucos meses, perdeu as pernas, depois um braço, depois a capacidade de engolir. Não é uma doença que estabiliza — ela avança.
E o marido simplesmente parou de trabalhar?
Ele não teve escolha. Quando você não consegue nem mexer no celular, não pode ficar sozinha. Uma queda, uma emergência — quem chama ajuda? Jair é o único cuidador. Trabalhar virou impossível.
Mas eles tinham o auxílio do INSS.
Tinham, até três meses atrás. Aí descobriram que o CID — a classificação da doença — estava errado no sistema. Um erro burocrático. Agora estão sem renda enquanto esperam um médico corrigir um papel e um advogado resolver a situação.
Quanto tempo isso pode levar?
Ninguém sabe. Enquanto isso, vendem o carro, atrasam o financiamento da casa, compram remédios no particular porque não têm mais nada.
A rádio ajudou com uma cesta básica.
Ajudou naquele momento. Mas uma cesta básica não paga medicação de trombose, não paga financiamento de casa. É um gesto, mas a situação é estrutural — uma família inteira parou porque uma pessoa ficou doente.
E agora?
Agora dependem de Pix de pessoas que ouviram a história. De rifas com amigos. De um advogado conseguindo resolver um erro que nunca deveria ter existido.