O aumento das temperaturas favorece a diminuição das chuvas e as queimadas
Enquanto o El Niño se prepara para intensificar temperaturas e secas no Centro-Oeste brasileiro, Mato Grosso do Sul responde com um plano estadual de saúde integrado à estratégia nacional AdaptaSUS. O Ministério da Saúde comprometeu R$ 9,8 bilhões até 2035 para fortalecer o SUS diante de eventos climáticos extremos, reconhecendo que as populações mais vulneráveis — trabalhadores expostos ao calor, moradores de periferias urbanas — carregam o peso desproporcional dessas crises. É um momento em que a saúde pública e a crise climática se encontram, exigindo que o Estado antecipe o sofrimento antes que ele chegue.
- O El Niño deve se intensificar nos próximos dois meses em MS, trazendo aumento de temperaturas, secas prolongadas e risco elevado de queimadas que ameaçam diretamente trabalhadores ao ar livre.
- Populações em áreas urbanas precárias enfrentarão riscos desproporcionais durante ondas de calor, expondo as fragilidades estruturais das cidades que o clima agora amplifica.
- O Ministério da Saúde lançou um pacote de 93 ações e 27 metas, incluindo oito bases regionais da Força Nacional do SUS capazes de mobilizar equipes especializadas em até 12 horas após desastres.
- Mato Grosso do Sul posicionou-se na vanguarda nacional ao ter sete projetos selecionados no PET-Saúde Clima, com o projeto de Campo Grande sendo o melhor colocado do país.
- A estratégia vai além da resposta emergencial: os projetos selecionados buscam construir resiliência comunitária duradoura no Pantanal, nas periferias urbanas e em populações vulneráveis de Dourados e outras cidades.
Mato Grosso do Sul se prepara para enfrentar ondas de calor e secas extremas previstas para se intensificar nos próximos dois meses, ao fim do inverno. O estado integra o AdaptaSUS, estratégia nacional para proteger o SUS dos impactos das mudanças climáticas, e elabora seu próprio Plano Estadual de Adaptação do Setor de Saúde.
O meteorologista Melquezedek Duarte, do Instituto Nacional de Meteorologia, explica que o El Niño em MS não reduz diretamente as chuvas, mas eleva as temperaturas — o que favorece a diminuição das precipitações, intensifica queimadas e representa risco especial para quem trabalha ao ar livre. A previsão é de um episódio de forte intensidade, com aumento significativo de calor na região.
O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035, reunindo 93 ações e 27 metas. Entre as medidas centrais está a criação de oito bases regionais da Força Nacional do SUS, que permitirão o envio de equipes especializadas às áreas afetadas em até 12 horas, com atuação concentrada nas primeiras 72 horas após desastres climáticos.
No âmbito do PET-Saúde Clima, MS teve sete projetos selecionados. O destaque nacional foi o projeto da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande em parceria com a UFMS, voltado à resiliência em áreas urbanas vulneráveis. Outros projetos contemplam o enfrentamento das leishmanioses em Campo Grande, a saúde no Pantanal — com foco em Coxim e Corumbá — e populações vulneráveis de Dourados. Juntos, esses projetos sinalizam uma aposta na resiliência comunitária de longo prazo, não apenas na resposta às crises quando elas chegam.
Mato Grosso do Sul está se preparando para enfrentar uma onda de calor e secas extremas que devem intensificar nos próximos dois meses, quando o inverno terminar. O estado é um dos que elaboram um Plano Estadual de Adaptação do Setor de Saúde, integrado ao AdaptaSUS, a estratégia nacional do governo para proteger o Sistema Único de Saúde contra os impactos das mudanças climáticas. Na terça-feira 30 de junho, o Ministério da Saúde anunciou um pacote de medidas destinado a ampliar a capacidade de resposta da rede pública aos efeitos do El Niño e de outros eventos climáticos extremos.
Segundo Melquezedek Duarte, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia, o El Niño em Mato Grosso do Sul não está diretamente ligado à redução de chuvas, mas sim ao aumento das temperaturas. Esse aquecimento favorece a diminuição das precipitações e intensifica as queimadas, criando riscos à saúde especialmente para quem trabalha ao ar livre. O Brasil passou recentemente por um El Niño muito forte, e para este ano a previsão é de um episódio de forte intensidade. Duarte alertou que além de um período mais seco, haverá aumento significativo das temperaturas, um fator preocupante para a região.
O pacote anunciado pelo Ministério da Saúde prevê investimento de 9,8 bilhões de reais até 2035 e reúne 27 metas e 93 ações para fortalecer a resposta do SUS a eventos como ondas de calor, secas, incêndios e enchentes. Uma das medidas principais é a criação de oito bases regionais da Força Nacional do SUS, que permitirão o envio de equipes especializadas às áreas afetadas em até 12 horas, com atuação nas primeiras 72 horas após os desastres. Essa estrutura busca garantir que comunidades vulneráveis recebam atendimento rápido durante crises climáticas.
Dentro do AdaptaSUS, Mato Grosso do Sul teve sete projetos selecionados no PET-Saúde Clima, programa de educação pelo trabalho para a saúde. O melhor colocado do país foi desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com o título "Saber Local, Resiliência Coletiva: PET-Saúde Clima na Fronteira das Vulnerabilidades Urbanas de Campo Grande". Esse projeto reconhece que as áreas urbanas pobres enfrentarão riscos desproporcionais durante ondas de calor e secas extremas.
Outros projetos selecionados incluem uma abordagem territorial das leishmanioses em Campo Grande, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, e "Pantanal Vivo e Saudável: Equidade, Vigilância e Inovação no Enfrentamento às Emergências Climáticas e Ambientais", desenvolvido pelas secretarias municipais de Saúde de Coxim e Corumbá com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Também foi contemplado um projeto de Dourados sobre mudanças climáticas e saúde de populações vulneráveis, elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde. Esses projetos refletem uma estratégia de adaptação que vai além da resposta emergencial, buscando fortalecer a resiliência das comunidades mais expostas aos riscos climáticos.
Notable Quotes
O impacto está mais ligado às secas. Em Mato Grosso do Sul, o El Niño não está diretamente ligado à diminuição das chuvas; isso é indireto. O fenômeno está ligado ao aumento das temperaturas, o que favorece a diminuição das chuvas e as queimadas, além de gerar riscos para a saúde, principalmente de quem trabalha na rua.— Melquezedek Duarte, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o El Niño em Mato Grosso do Sul é diferente de outras regiões?
Aqui o fenômeno não reduz chuvas de forma direta. O que acontece é que o aumento de temperatura favorece a evaporação e intensifica as queimadas, criando um cenário de calor extremo e ressecamento. Quem trabalha na rua sofre mais.
Qual é o risco real para as pessoas durante essas ondas de calor?
Desidratação, insolação, problemas cardiovasculares. Mas o risco é maior para quem não tem acesso a água potável, ar condicionado ou sombra — os pobres nas periferias urbanas.
Como as oito bases regionais da Força Nacional do SUS funcionarão?
Elas permitem enviar equipes especializadas em até 12 horas para qualquer área afetada. Nos primeiros três dias após um desastre, essas equipes estarão no terreno, ajudando com atendimento médico, água e abrigo.
Por que Campo Grande teve o melhor projeto do país?
Porque reconheceu que a vulnerabilidade urbana é o verdadeiro problema. Não é só sobre calor — é sobre como as cidades pobres estão preparadas para isso. O projeto trabalha com comunidades para construir resiliência de baixo para cima.
Qual é o horizonte temporal desse investimento?
Até 2035. Não é uma resposta de curto prazo. É reconhecer que o El Niño e eventos climáticos extremos serão recorrentes, então o SUS precisa se transformar estruturalmente.