Juiz de Fora decreta calamidade após chuvas históricas que deixam 14 mortos

14 pessoas morreram, 440 estão desabrigadas, 20 soterradas e diversos bairros ficaram ilhados pela ação das chuvas e transbordamento do Rio Paraibuna.
Situações extremas exigem medidas extremas
A prefeita de Juiz de Fora explicou sua decisão de decretar calamidade pública enquanto a cidade enfrentava chuvas históricas.

Fevereiro se torna o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora, com volume quase quatro vezes acima da média histórica para o período. Prefeita decretou estado de calamidade pública por 180 dias; bairros ficaram ilhados e Rio Paraibuna transbordou, gerando mais de 40 chamados emergenciais.

  • 584 milímetros de chuva acumulados em poucas horas — quase quatro vezes a média histórica mensal
  • 14 óbitos, 440 desabrigados, 20 soterrados e mais de 40 chamados emergenciais
  • Rio Paraibuna transbordou; 211 ocorrências de deslizamentos registradas entre segunda e terça
  • Decreto de calamidade pública válido por 180 dias; alertas meteorológicos até sexta-feira (27)

Juiz de Fora (MG) enfrenta chuvas recordes com 584mm acumulados, resultando em 14 óbitos, 440 desabrigados e estado de calamidade pública decretado. Previsão indica persistência da instabilidade climática.

Na madrugada de terça-feira, 24 de fevereiro, a prefeita Margarida Salomão assinou o decreto que transformava Juiz de Fora em zona de calamidade pública. A cidade mineira havia acabado de viver a noite mais violenta de sua história climática registrada. Chuvas que começaram na noite anterior despencaram sobre a região com uma força que ninguém estava preparado para enfrentar, deixando 14 pessoas mortas, cerca de 440 sem casa e dezenas de bairros completamente isolados pela água.

Os números falam por si. Em poucas horas, acumularam-se 584 milímetros de chuva — quase quatro vezes o volume que cai normalmente em todo um mês de fevereiro na Zona da Mata. O Rio Paraibuna, que atravessa a cidade, transbordou de forma tão abrupta que os bombeiros registraram mais de 40 chamados de emergência em um intervalo muito curto, todos relacionados a inundações, deslizamentos e vias bloqueadas. Entre segunda à noite e terça de madrugada, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais contabilizou 211 ocorrências envolvendo deslizamentos e riscos estruturais. Vinte pessoas continuavam soterradas quando o dia amanheceu.

A prefeita, ao decretar o estado de calamidade com validade de 180 dias, explicou a decisão em termos que refletiam a gravidade do momento. "Situações extremas exigem medidas extremas", disse ela, descrevendo como os bairros estavam ilhados, os córregos todos transbordando, e como a cidade inteira se via diante de uma pressão que parecia insuportável. Ela enfatizou que naquele instante, a vida era o bem mais precioso, e que a administração municipal se desdobrava para socorrer as pessoas e garantir sua segurança.

As operações de resgate mobilizaram mais de vinte militares, incluindo equipes especializadas do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres. Eles trabalhavam com materiais de salvamento e cães de busca, concentrando esforços na localização de vítimas e na retirada preventiva de moradores que viviam em áreas de risco geológico. A prefeitura suspendeu as aulas na rede municipal de ensino naquele dia e recomendou à população que permanecesse em casa, saindo apenas em casos de extrema necessidade.

Mas o pior ainda não havia passado. O Instituto Nacional de Meteorologia mantinha alertas de perigo para toda a semana, sinalizando que a instabilidade climática deveria persistir em Juiz de Fora. Terça-feira traria períodos de muitas nuvens com pancadas de chuva e trovoadas isoladas à tarde e à noite. Quarta-feira seria de céu encoberto com chuviscos e mais chuva. Quinta-feira ofereceria uma breve trégua, mas sexta-feira veria o retorno de tempestades isoladas. Os alertas do Inmet permaneceriam vigentes até sexta, com riscos de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

O que tornava fevereiro de 2026 historicamente significativo não era apenas a morte e a destruição imediatas. Era o fato de que o mês se tornava oficialmente o mais chuvoso da história de Juiz de Fora — um recorde que refletia não apenas uma tempestade, mas uma mudança no padrão climático que a cidade enfrentaria nos meses seguintes. Os 584 milímetros acumulados representavam um desvio tão extremo da normalidade que sugeria algo além de um evento isolado. Enquanto os bombeiros continuavam buscando os desaparecidos e a água ainda corria pelas ruas, a cidade se preparava para uma semana inteira de instabilidade, com a esperança de que os próximos dias trouxessem respostas e alívio.

Estamos buscando salvar a vida de todo mundo que está nessa pressão duríssima. Os bairros estão ilhados. Os córregos estão todos absolutamente transbordando.
— Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a prefeita usou especificamente a frase "situações extremas exigem medidas extremas" ao decretar a calamidade?

Model

Porque ela estava tentando comunicar que o decreto não era burocracia — era reconhecimento de que a cidade havia entrado em um estado que exigia ações fora do protocolo normal. Quando você tem bairros ilhados, córregos transbordando e pessoas morrendo, as regras usuais não funcionam mais.

Inventor

Os 584 milímetros em poucas horas — isso é realmente quatro vezes a média mensal?

Model

Sim. Normalmente Juiz de Fora recebe cerca de 150 milímetros em todo o mês de fevereiro. Isso caiu em uma noite. É a diferença entre chuva e catástrofe.

Inventor

O Rio Paraibuna transbordou. Isso é raro?

Model

Raro o suficiente para ser histórico. Quando um rio que atravessa uma cidade inteira sai do leito, ele não apenas inunda — ele muda a geografia do lugar temporariamente. Torna bairros inteiros inacessíveis.

Inventor

Por que suspender as aulas? Não era mais seguro as crianças estarem na escola?

Model

Não quando as ruas estão bloqueadas e os bairros isolados. Como as crianças chegariam lá? Como voltariam para casa? A suspensão era reconhecimento de que a cidade não funcionava normalmente.

Inventor

O alerta meteorológico até sexta-feira — isso significa que o pior ainda poderia vir?

Model

Significa que não havia garantia de melhora. A instabilidade persistiria. Então enquanto resgatavam pessoas e contabilizavam mortos, tinham que se preparar para mais chuva, mais risco de deslizamentos, mais possibilidade de perdas.

Inventor

Qual é a diferença entre 14 mortos em uma noite e 14 mortos em um mês?

Model

A diferença é entre tragédia e desastre. Uma noite significa que a cidade não teve tempo de se preparar, de avisar, de evacuar. Significa que a morte chegou rápido demais.

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