Rússia, China e Irã não permitirão desestabilização de seus parceiros
Na noite de domingo, um helicóptero caiu nas montanhas do Azerbaijão Oriental, levando consigo o presidente iraniano Ebrahim Raisi e seu chanceler — dois arquitetos de uma reorientação geopolítica que, segundo analistas, transcende qualquer indivíduo. Para o geopolítico Pepe Escobar, a tragédia é real, mas a corrente que move o mundo em direção à multipolaridade — sustentada pela aliança entre Rússia, China e Irã — segue seu curso, indiferente às perdas de seus protagonistas. A história, nesse olhar, não é feita apenas de líderes, mas de estruturas que os sobrevivem.
- Um helicóptero com o presidente iraniano e seu ministro das Relações Exteriores caiu em terreno montanhoso sob condições climáticas severas — todos os ocupantes morreram.
- O impacto foi imediato: o Irã perdeu simultaneamente seu chefe de estado e seu principal diplomata num momento de pressão interna e externa intensa.
- Khamenei agiu com rapidez para sinalizar estabilidade, garantindo que os assuntos de estado continuariam sem interrupção e que o governo permaneceria funcional.
- Moscou respondeu com peso simbólico: Putin convocou o embaixador iraniano para uma reunião de emergência com a cúpula da Defesa russa, reafirmando publicamente o compromisso com Teerã.
- Para Escobar, a morte de Raisi é um golpe, mas não uma ruptura — Rússia, China e Irã seguem integrados via BRICS e SCO, e sua aliança estratégica está mais sólida do que nunca.
Na noite de domingo, um helicóptero caiu nas montanhas do Azerbaijão Oriental sob condições climáticas adversas. A bordo estavam o presidente iraniano Ebrahim Raisi e o chanceler Hosein Amir Abdolahian. As equipes de resgate só localizaram os destroços nas primeiras horas de segunda-feira, e não havia sobreviventes.
Para o analista geopolítico Pepe Escobar, porém, a morte de Raisi não representa uma virada na reconfiguração da ordem internacional. Em sua leitura, Rússia, China e Irã formam os três pilares de um mundo multipolar em construção — e essa estrutura não depende de um único líder para avançar.
O líder supremo Khamenei agiu rapidamente para garantir continuidade institucional, sinalizando ao mundo que o Irã permaneceria estável apesar da perda simultânea de seu presidente e de seu principal diplomata. A mensagem era especialmente importante num país que enfrenta dissidência interna e pressão externa sobre seu programa nuclear.
Moscou respondeu com peso simbólico: Putin convocou o embaixador iraniano para uma reunião de emergência com figuras como Shoigu e Gerasimov. Mais do que condolências, o gesto era uma reafirmação pública do compromisso russo com a estabilidade iraniana.
Escobar enquadra tudo isso numa guerra híbrida global que beira o confronto direto. A recente cúpula Putin-Xi em Pequim, segundo ele, deixou claro que esses três países não permitirão que potências ocidentais desestabilizem qualquer um de seus parceiros. A morte de Raisi é um golpe real para o Irã — mas as correntes profundas que redesenham o poder mundial seguem seu curso.
Na noite de domingo, um helicóptero caiu em terreno montanhoso da província do Azerbaijão Oriental sob condições climáticas adversas. A bordo estava o presidente iraniano Ebrahim Raisi e seu ministro das Relações Exteriores, Hosein Amir Abdolahian. As equipes de resgate enfrentaram dificuldades pela friagem e pelo relevo acidentado, localizando os destroços apenas nas primeiras horas de segunda-feira. Todos os ocupantes da aeronave morreram no acidente.
O impacto foi imediato e global. Mas para o analista geopolítico Pepe Escobar, a morte de Raisi não representa uma ruptura nos movimentos que estão redesenhando a ordem internacional. Em análise publicada em seu canal no Telegram, Escobar argumenta que o evento não interromperá o avanço em direção a um mundo multipolar, estruturado pela aliança entre Rússia, China e Irã.
O líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, moveu-se rapidamente para tranquilizar a população e a comunidade internacional. Garantiu que não haveria interrupção nos assuntos de estado, reforçando a continuidade da máquina governamental apesar da perda simultânea do presidente e de seu principal diplomata. A mensagem era clara: o Irã permaneceria estável e funcional. Esse sinal importava especialmente num contexto em que o país enfrenta dissidência interna crescente e pressão externa contínua sobre seu programa nuclear e suas alianças militares.
Moscou respondeu com rapidez simbólica. O presidente russo Vladimir Putin convocou o embaixador iraniano na Rússia, Kazem Jalali, para uma reunião de emergência com a elite da Defesa russa. Estavam presentes figuras-chave como Sergey Shoigu, até recentemente ministro da Defesa, e Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior. A reunião sinalizava mais do que condolências diplomáticas: era um reafirmação pública do compromisso russo em garantir a continuidade e a estabilidade do governo iraniano.
Para Escobar, essa resposta russa não era surpreendente. Ele vê Rússia, China e Irã como os três pilares de uma transformação geopolítica maior. Esses países, segundo sua análise, estão integrados por parcerias estratégicas bilaterais e pela participação em organizações como o BRICS e a Organização de Cooperação de Xangai. Os três são percebidos pelos Estados Unidos como ameaças existenciais, mas sua colaboração, argumenta Escobar, está mais forte do que nunca.
"Estamos mergulhados em uma guerra híbrida total, beirando o confronto direto em várias partes do planeta", afirmou o analista. Nesse contexto, a morte de Raisi é um golpe significativo para o Irã, mas não um obstáculo insuperável para o movimento maior. A recente reunião entre Putin e Xi Jinping em Pequim deixou claro, na visão de Escobar, que esses três países não permitirão que os "suspeitos de sempre" — uma referência às potências ocidentais — desestabilizem qualquer um de seus parceiros.
O que emerge dessa análise é uma visão de um mundo em transição. A hegemonia unipolar está sendo desafiada por uma aliança que se fortalece continuamente. A morte de um presidente iraniano, por mais traumática que seja para o Irã, não consegue interromper as correntes profundas que estão redefinindo as relações internacionais. A integração e a cooperação entre Rússia, China e Irã continuam seu curso, sinalizando uma nova era onde o poder está sendo redistribuído e as alianças tradicionais estão sendo reconfiguradas.
Citações Notáveis
Estamos mergulhados em uma guerra híbrida total, beirando o confronto direto em várias partes do planeta— Pepe Escobar, analista geopolítico
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que a morte de Raisi importa menos do que parece, segundo essa análise?
Porque Escobar vê o Irã não como um ator isolado, mas como parte de uma estrutura maior de alianças. Rússia e China já sinalizaram que vão garantir a continuidade iraniana. A morte de um presidente é traumática, mas a máquina estatal persiste.
E se o Irã entrar em caos interno? Se a sucessão for contestada?
Khamenei já garantiu estabilidade. E mais importante: Moscou convocou reunião de emergência com sua elite militar para reafirmar apoio. Isso não é coincidência. É sinalização de que a Rússia não permitirá vácuo de poder que prejudique seus interesses.
Então Escobar está dizendo que a geopolítica é mais forte que a morte?
Não exatamente. Ele está dizendo que as estruturas institucionais e as alianças estratégicas transcendem indivíduos. Raisi era importante, mas o Irã como parceiro da Rússia e China é mais importante ainda.
Qual é o risco real aqui que ninguém está nomeando?
Que a sucessão iraniana seja instável o suficiente para criar oportunidades que potências ocidentais tentem explorar. Mas se Rússia e China estão vigilantes, como Escobar sugere, isso fica mais difícil.
E se estiver errado? Se a morte de Raisi realmente desestabilizar tudo?
Então o mundo multipolar que Escobar descreve seria mais frágil do que parece. Mas ele está apostando que não é.