A família só soube quando ele não apareceu no trabalho
Na manhã de 6 de janeiro, Edmar Santos Costa, porteiro de 38 anos, morreu após ser imobilizado por seguranças no Terminal Acesso Norte, em Salvador — mais um episódio em que a linha entre contenção e violência se mostrou tênue e fatal. As câmeras registraram o que as palavras oficiais tentaram suavizar: um homem com joelho nas costas, o silêncio que se seguiu, e a demora antes de qualquer gesto de socorro. A morte de Edmar não chegou à sua família por nenhum canal oficial, mas pelo silêncio de um homem que não apareceu ao trabalho.
- Câmeras flagraram um segurança mantendo o joelho nas costas de Edmar por mais de um minuto, sem perceber — ou sem agir — diante do corpo que deixava de resistir.
- A empresa e a Secretaria de Saúde contradizem uma à outra sobre onde Edmar morreu, criando uma disputa de versões que aprofunda a desconfiança da família.
- A família só descobriu a morte quando o chefe de Edmar os procurou por sua ausência — apesar de ele estar com documentos e celular, ninguém os notificou.
- A Polícia Civil investiga o caso como possível homicídio, analisando imagens e laudos periciais, enquanto os agentes envolvidos foram afastados de funções operacionais.
- A presença de cocaína no bolso de Edmar foi divulgada pelas autoridades, lançando uma sombra sobre a narrativa antes que qualquer conclusão pericial seja estabelecida.
Na manhã de 6 de janeiro, Edmar Santos Costa entrou cambaleando no Terminal Acesso Norte, em Salvador. As câmeras registraram sua dificuldade: ele caiu, foi ajudado por passageiros, depois pegou um cooler abandonado e tentou sair. Um homem o perseguiu, houve agressão, populares o imobilizaram — e então os seguranças da CCR Metrô Bahia assumiram o controle da situação.
O que se seguiu está gravado. Um segurança algemou Edmar e colocou o joelho em suas costas. Conversou com pessoas ao redor. Colocou o outro joelho também. Após mais de um minuto nessa posição, percebeu que o homem estava desacordado. Os agentes tentaram acordá-lo com as mãos enluvadas, sem sucesso. Buscaram uma cadeira de rodas, depois uma maca. Dez minutos se passaram antes de ele ser retirado da estação. Não houve tentativa imediata de reanimação.
A CCR afirmou que Edmar recebeu atendimento em uma sala interna e que a morte foi declarada em uma unidade de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde contradisse: segundo ela, Edmar morreu ainda na estação, enquanto era atendido pelo Samu. O corpo foi encaminhado ao necrotério da UPA do Pau Miúdo.
A família não foi avisada por ninguém. Souberam que algo havia acontecido quando o chefe de Edmar os procurou pela ausência dele ao trabalho. Encontraram o corpo no Instituto Médico Legal. Edmar estava com documentos e celular — a empresa tinha como identificá-lo e localizar seus familiares. Não o fez.
O laudo apontou parada cardiorrespiratória após a ação dos seguranças. A Polícia Civil investiga o caso como possível homicídio. Duas porções de cocaína foram encontradas em seu bolso. Os agentes foram afastados de funções operacionais. O que começou como uma abordagem em um terminal de ônibus terminou em morte, versões conflitantes e uma família que descobriu o fim de Edmar quase por acaso.
Na manhã de 6 de janeiro, um porteiro de 38 anos chamado Edmar Santos Costa entrou no Terminal Acesso Norte em Salvador com dificuldade visível. As câmeras de segurança do local registraram tudo: ele cambaleava, caiu, foi ajudado por passageiros. Poucos minutos depois, pegou um cooler que alguém havia deixado no chão e tentou sair do terminal. Um homem o viu, o perseguiu. Edmar jogou o cooler e tentou entrar em um ônibus, mas foi alcançado e agredido. Populares o imobilizaram. Então os seguranças da CCR Metrô Bahia, empresa que administra o terminal, tomaram conta da situação.
O que aconteceu nos 15 minutos seguintes está registrado em vídeo e agora é objeto de investigação policial. Os seguranças algemaram Edmar enquanto ele resistia e caía na pista. Um deles colocou o joelho nas costas do porteiro. Conversou com pessoas ao redor. Colocou o outro joelho também nas costas. Depois de um minuto nessa posição, percebeu que Edmar estava desacordado. Os agentes tentaram acordá-lo com as mãos enluvadas. Ninguém reagiu. Pegaram uma cadeira de rodas. Depois uma maca. Dez minutos se passaram antes de Edmar ser levado para fora da estação. Não houve tentativa de reanimação naquele momento.
A CCR Metrô disse que o porteiro foi levado para uma sala dentro do terminal, onde recebeu atendimento e tentativas de reanimação até a chegada do Samu. Segundo a empresa, a morte foi declarada em uma unidade de saúde para onde ele foi transferido. A Secretaria Municipal de Saúde contradisse essa versão. Em nota, afirmou que Edmar morreu ainda na estação, enquanto era atendido pelos agentes do Samu. O corpo foi levado para o necrotério da UPA do Pau Miúdo.
A família só soube que algo havia acontecido quando o chefe de Edmar os procurou porque ele não havia comparecido ao trabalho. Começaram a procurar. Encontraram o corpo no Instituto Médico Legal. Os advogados da família questionam por que ninguém os avisou. Edmar tinha documentos e celular consigo. A CCR Metrô tinha como identificá-lo e localizá-los. Não fez.
Segundo o laudo de morte entregue aos familiares, Edmar teve uma parada cardiorrespiratória após a ação dos seguranças. A Polícia Civil, que investiga o caso através da 2ª Delegacia de Homicídios, informou que duas porções de cocaína foram encontradas no bolso da roupa do porteiro. Testemunhas estão sendo ouvidas. As imagens de câmeras estão sendo analisadas. Laudos periciais devem complementar as investigações. A CCR afastou os agentes envolvidos de suas funções operacionais até que tudo seja esclarecido. O que começou como uma abordagem de segurança em um terminal de ônibus terminou em morte, contradições sobre onde ela ocorreu, e uma família que descobriu o falecimento de forma acidental.
Citas Notables
A morte de Edmar teria sido declarada na unidade de saúde para onde ele foi levado— CCR Metrô Bahia
O porteiro morreu ainda na estação, enquanto era tendido pelos agentes do Samu— Secretaria Municipal de Saúde
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um porteiro pegando um cooler virou uma situação tão grave?
Não sabemos exatamente. As câmeras mostram que ele entrou cambaleando, pegou um objeto que estava no chão. Talvez alguém tenha achado que era roubo. Talvez houvesse algo mais. O que importa é que isso levou a uma abordagem que terminou em morte.
A CCR e a Secretaria de Saúde contam histórias diferentes sobre onde ele morreu.
Exatamente. A CCR diz que o atendimento aconteceu dentro do terminal, com reanimação. A Secretaria de Saúde diz que ele morreu na estação, enquanto o Samu tentava ajudar. Essas contradições importam porque mudam o que sabemos sobre o que foi feito para salvá-lo.
E a família? Como descobriram?
Não foram avisados por ninguém. Edmar não apareceu no trabalho. O chefe o procurou. Aí a família começou a procurar e encontrou o corpo no IML. Ele tinha documentos. Tinha celular. Alguém poderia ter ligado.
O que explica a parada cardiorrespiratória?
Não sabemos ainda. O laudo diz que aconteceu, mas a polícia ainda está investigando. Há vídeos mostrando um segurança com o joelho nas costas dele por mais de um minuto. Há a questão de quanto tempo levou para que alguém tentasse reanimação. Essas são as perguntas que a investigação precisa responder.
Cocaína foi encontrada. Isso muda algo?
Muda a narrativa, talvez. Mas não muda o fato de que um homem morreu durante uma abordagem. A presença de droga não justifica automaticamente o que aconteceu. A polícia precisa determinar se a abordagem foi proporcional, se foi executada corretamente, se houve negligência.