Morre Rui Rezende, o Lobisomem de 'Roque Santeiro', aos 88 anos

Falecimento de ator aos 88 anos após internação hospitalar de dez dias.
Eu era o lobisomem. Eu sou da roça, nasci no campo.
Rezende explicava por que o personagem de 1985 funcionava tão bem e o acompanhava até o fim da vida.

Rui Rezende, ator que por décadas habitou os lares brasileiros como o Lobisomem de Roque Santeiro, morreu aos 88 anos no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória de seis décadas entre o teatro, o cinema e a televisão. Ele que se definia como 'bicho do mato' — avesso a multidões, distante das rodas sociais — encontrou paradoxalmente na ficção o caminho para tocar gerações inteiras. Sua morte, confirmada pelo Retiro dos Artistas onde vivia desde 2019, lembra que certos personagens transcendem seus intérpretes e passam a viver na memória coletiva de um povo.

  • Após dez dias internado em hospital no Rio de Janeiro, Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, sem que a causa fosse divulgada.
  • O papel do professor Astromar Junqueira, o Lobisomem de Roque Santeiro, perseguiu-o — no melhor sentido — por toda a vida, com fãs emocionados o reconhecendo até seus últimos meses.
  • Em entrevista concedida poucos meses antes de morrer, Rezende refletiu com lucidez sobre o isolamento que marcou sua carreira: 'Não fiz amigos, fiz colegas' — uma constatação, disse ele, não um arrependimento.
  • Com mais de cinquenta títulos entre novelas e filmes, sua última aparição nas telas foi em 2021, nas produções Um Lugar Ao Sol e Bom Dia, Verônica.
  • A morte de Rezende fecha um capítulo singular da teledramaturgia brasileira: o de um ator que, mesmo à margem dos holofotes sociais, deixou rastros indeléveis na imaginação do país.

Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos, após dez dias internado em um hospital no Rio de Janeiro. A confirmação veio do Retiro dos Artistas, onde o ator vivia desde 2019. A causa da morte não foi revelada.

Para o público brasileiro, Rezende era, acima de tudo, o Lobisomem de Roque Santeiro. Na novela da TV Globo exibida em 1985, ele deu vida ao professor Astromar Junqueira — presidente do Centro Cívico de Asa Branca, apaixonado pela Mocinha e alvo de boatos que, na trama, se confirmavam. O papel o acompanhou pelo resto da vida. Poucos meses antes de morrer, ele contou ao jornal Extra a surpresa que ainda sentia diante do afeto das pessoas: 'Outro dia um jovem pegou na minha mão emocionado. As pessoas lembram muito.' E explicava o porquê da autenticidade do personagem: 'Eu era o lobisomem. Sou da roça, nasci no campo. Aquele personagem era sujeito recuado da existência humana.'

Na mesma entrevista, Rezende foi honesto sobre as escolhas de uma vida inteira. 'Não fiz amigos, fiz colegas', disse. 'Deixei de conquistar muita gente. Não é arrependimento, é constatação.' E acrescentou, com a serenidade de quem olha para trás sem ilusões: 'Se desse para pegar o Rui de hoje e colocar lá atrás, eu cometeria muito menos erros.'

Sua carreira atravessou seis décadas e produções marcantes, de O Espigão e O Bem-Amado às telas do cinema em Narradores de Javé e A Grande Família — O Filme. Seus últimos trabalhos foram em 2021, nas séries Um Lugar Ao Sol e Bom Dia, Verônica. Com sua morte, encerra-se a presença de um ator que, à sua maneira solitária, deixou marcas profundas em quem o viu na tela.

Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos. O ator estava internado há dez dias em um hospital no Rio de Janeiro, desde o dia 2 de julho. A confirmação veio do Retiro dos Artistas, instituição onde ele vivia desde 2019. A causa da morte não foi divulgada.

Para gerações de telespectadores brasileiros, Rezende era o Lobisomem de Roque Santeiro. Na novela de 1985 exibida pela TV Globo, ele interpretava o professor Astromar Junqueira, presidente do Centro Cívico de Asa Branca e orador de cerimônias da região. O personagem era apaixonado pela Mocinha, vivida por Lucinha Lins, e alvo de boatos que o acusavam de ser um lobisomem — boatos que se confirmavam na trama. Aquele papel o marcaria para o resto da vida.

Em maio deste ano, poucos meses antes de sua morte, Rezende concedeu uma entrevista ao jornal Extra refletindo sobre o trabalho que o tornou memorável. "Fico surpreso", disse ele. "Outro dia um jovem pegou na minha mão emocionado. As pessoas lembram muito. Eu gostei demais daquilo que fiz." Ele explicava que o personagem funcionava porque era genuíno em sua natureza: "Eu era o lobisomem. Eu sou da roça, nasci no campo. Tenho esse lado de 'bicho do mato'. Nunca fui de turma. E aquele personagem era sujeito recuado da existência humana."

Mas Rezende também era reflexivo sobre sua trajetória. Na mesma conversa, ele reconheceu as escolhas que fizera ao longo de seis décadas de carreira. "Não fiz amigos, fiz colegas", afirmou. "Deixei de participar de muita coisa, de conquistar muita gente. Não é arrependimento, é constatação. Era minha natureza. Hoje eu teria rompido essa barreira. Se desse para pegar o Rui de hoje e colocar lá atrás, eu cometeria muito menos erros."

Sua filmografia era extensa. Entre as décadas de 1960 e 2020, Rezende trabalhou em produções como O Espigão (1974), O Casarão (1976), O Bem-Amado (1981), A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990), Incidente em Antares (1994), Meu Bem Querer (1998) e Bang Bang (2006). No cinema, participou de Menino Maluquinho 2 (1998), Narradores de Javé (2003), Noel - Poeta da Vila (2006), A Grande Família - O Filme (2007) e O Segredo dos Diamantes (2014). Seus últimos trabalhos foram em Um Lugar Ao Sol (2021) e na série Bom Dia, Verônica (2021).

Com sua morte, encerra-se uma presença constante na teledramaturgia brasileira — um ator que, apesar de suas próprias ressalvas sobre distância e isolamento, deixou marcas profundas em quem o viu na tela.

Fico surpreso. Outro dia um jovem pegou na minha mão emocionado. As pessoas lembram muito. Eu gostei demais daquilo que fiz.
— Rui Rezende, em entrevista ao jornal Extra em maio de 2026
Não fiz amigos, fiz colegas. Deixei de participar de muita coisa, de conquistar muita gente. Não é arrependimento, é constatação.
— Rui Rezende, refletindo sobre sua carreira
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um personagem de 1985 ainda tocava as pessoas quando ele concedeu essa entrevista em 2026?

Model

Porque aquilo não era só um papel. Rezende era genuinamente aquele homem — recuado, do campo, avesso ao convívio fácil. O personagem funcionava porque ele não estava fingindo.

Inventor

Ele parecia arrependido?

Model

Não exatamente. Ele chamava de constatação, não de arrependimento. Mas havia uma melancolia ali — a sensação de que a natureza dele o afastou de coisas que talvez tivesse gostado de viver.

Inventor

E a carreira dele foi só Roque Santeiro?

Model

Não, mas foi o que ficou. Seis décadas de trabalho, dezenas de produções, mas aquele lobisomem de 1985 era o que as pessoas lembravam. Ele aceitava isso com uma certa resignação.

Inventor

Como era viver no Retiro dos Artistas nos últimos anos?

Model

Era um lugar apropriado para alguém como ele — um espaço para artistas que precisavam de abrigo. Ele viveu lá desde 2019, continuou trabalhando até 2021. Não era isolamento total, mas era repouso.

Inventor

Dez dias internado é pouco tempo.

Model

É. Rápido demais para processar. Ele estava ali no Rio, e depois não estava mais.

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