O lobisomem erudito que desafiava as expectativas
Aos 88 anos, o ator Rui Rezende encerrou sua jornada no Rio de Janeiro, deixando para trás décadas de dedicação à arte que moldaram a memória afetiva de gerações de brasileiros. Nascido em Minas Gerais e consagrado nas telas da TV Globo, ele encontrou no Professor Astromar — o lobisomem erudito de Roque Santeiro — o personagem que o tornaria eterno na teledramaturgia nacional. Sua partida nos lembra que certos intérpretes não apenas habitam personagens, mas os carregam para dentro da cultura de um povo, onde continuam a viver muito além do último capítulo.
- Rui Rezende morreu após dez dias internado em hospital na Tijuca, no Rio de Janeiro, aos 88 anos, sem que a causa da morte fosse divulgada.
- O falecimento provoca uma onda de luto entre os que cresceram assistindo suas interpretações, especialmente o icônico Professor Astromar de Roque Santeiro, nos anos 80.
- Seus últimos anos foram vividos no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, abrigo que reconheceu publicamente a grandeza de sua trajetória ao lamentar a perda.
- Uma carreira de mais de quatro décadas — da TV Tupi à TV Globo, do cinema ao teatro — deixa um legado que o Retiro dos Artistas descreveu como marcado por 'personagens que permanecerão vivos na memória de gerações'.
Rui Rezende morreu no Rio de Janeiro aos 88 anos, após dez dias internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca. Seu nome completo era José Pereira Rezende Filho, e sua trajetória atravessou décadas de televisão, cinema e teatro — mas foi um único personagem que o tornou inesquecível: o Professor Astromar Junqueira, o lobisomem erudito de Roque Santeiro, a novela de Dias Gomes que marcou época nos anos 80.
Nascido em Araguari, Minas Gerais, em 1937, Rezende começou na TV Tupi e migrou para a TV Globo no início dos anos 70, onde sua carreira ganhou novo fôlego. Além de Roque Santeiro, participou da minissérie Incidente em Antares e de produções da TV Manchete, como Kananga do Japão. Seu último trabalho televisivo foi em 2011, na série A Grande Família, encerrando mais de quatro décadas de dedicação à arte.
Desde 2019, vivia no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, onde passou seus últimos anos até ser internado. A instituição divulgou nota reconhecendo que ele "emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão". A causa da morte não foi informada.
O Professor Astromar permanece seu monumento mais duradouro — um personagem que transcendeu a novela e se fixou na cultura televisiva brasileira, carregado na memória afetiva de quem cresceu assistindo Rui Rezende dar vida ao improvável e ao inesquecível.
Rui Rezende morreu no Rio de Janeiro aos 88 anos, depois de dez dias internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca. O ator, cujo nome completo era José Pereira Rezende Filho, deixa para trás uma carreira que atravessou décadas de televisão, cinema e teatro brasileiro — uma trajetória que o consagrou especialmente por um papel que se tornaria inseparável de seu nome: o Professor Astromar Junqueira, o lobisomem erudito da novela Roque Santeiro, que marcou época nos anos 80.
Nascido em Araguari, Minas Gerais, em 18 de novembro de 1937, Rezende começou sua vida profissional na TV Tupi, onde trabalhou até o início dos anos 70. Foi quando se transferiu para a TV Globo que sua carreira ganhou novo impulso. Na emissora carioca, interpretou personagens memoráveis criados pelo dramaturgo Dias Gomes — entre eles o trambiqueiro Dico em O Espigão, mas foi o Professor Astromar que o tornaria inesquecível para gerações de telespectadores. Aquele personagem, um lobisomem culto e complexo, representava uma criação singular na teledramaturgia brasileira, e Rezende o viveu com uma profundidade que o consolidou como um dos melhores atores coadjuvantes do país.
Sua filmografia foi extensa. Além de Roque Santeiro, participou da minissérie Incidente em Antares e, no final dos anos 80, trabalhou na TV Manchete em produções como Kananga do Japão e A História de Ana Raia e Zé Trovão. Seu último trabalho na televisão foi em 2011, na série A Grande Família — uma carreira que se estendeu por mais de quatro décadas de dedicação à arte, passando por dezenas de filmes e novelas que o mantiveram presente na vida dos brasileiros.
Desde 2019, Rezende residia no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, um abrigo para profissionais da cultura que precisam de cuidados. Foi lá que passou seus últimos anos, até ser internado há dez dias no hospital onde faleceu. O Retiro dos Artistas divulgou uma nota lamentando sua morte, reconhecendo que "ao longo de décadas de carreira, Rui emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão, construindo uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações". A causa da morte não foi divulgada.
O legado de Rui Rezende permanece vivo não apenas nos registros da televisão brasileira, mas na memória afetiva de quem cresceu assistindo suas interpretações. O Professor Astromar, aquele lobisomem erudito que desafiava as expectativas do público, é talvez seu monumento mais duradouro — um personagem que transcendeu a novela para se tornar parte da cultura televisiva do país.
Citações Notáveis
Ao longo de décadas de carreira, Rui emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão, construindo uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações— Retiro dos Artistas, em nota
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o Professor Astromar marcou tanto as pessoas? O que havia de especial naquele personagem?
Era um lobisomem culto, erudito — não era o monstro das lendas populares. Dias Gomes criou algo que desafiava o que o público esperava. Rezende trouxe uma humanidade complexa para aquele papel, uma dignidade que o tornava memorável.
Ele trabalhou em muitas produções, mas parece que esse papel o definiu para sempre.
Sim. Roque Santeiro foi nos anos 80, um momento em que a televisão brasileira estava em seu auge criativo. Aquele papel se tornou tão marcante que ofuscou o resto de sua carreira, mesmo que ele tenha feito muito mais.
Ele viveu seus últimos anos no Retiro dos Artistas. Como era a vida dele nesse período?
Desde 2019 ele estava lá, em Jacarepaguá. Era um lugar para artistas que precisavam de cuidados. Passou dez dias internado antes de falecer — uma morte que não foi repentina, mas também não foi divulgada a causa.
Qual era o alcance real de um ator coadjuvante naquela época?
Imenso. Os atores coadjuvantes eram reconhecidos como alguns dos melhores do país. Rezende atuou em dezenas de filmes e novelas, trabalhou em minisséries importantes. Sua última aparição foi em 2011, na Grande Família — uma carreira que durou mais de quarenta anos.
O que fica para trás agora?
Os personagens. O Professor Astromar especialmente. Aquele lobisomem erudito que Dias Gomes criou e que Rezende viveu permanece vivo na memória de gerações. É assim que os atores de televisão se tornam imortais.