O misterioso permanece vivo na memória de gerações
Rui Rezende morreu no domingo (12/7) no Rio de Janeiro, onde estava internado desde 2 de julho no Hospital São Francisco. O ator é lembrado principalmente pelo papel de Astromar Junqueira, o professor que virava lobisomem na novela 'Roque Santeiro' de 1985.
- Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos
- Estava internado desde 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, Rio de Janeiro
- Interpretou Astromar Junqueira em 'Roque Santeiro' (1985)
- Carreira de mais de 60 anos no teatro, cinema e televisão
- Vivia no Retiro dos Artistas desde 2019
Rui Rezende, ator mineiro conhecido por seu papel em 'Roque Santeiro', faleceu aos 88 anos. O artista deixa legado de mais de 60 anos de carreira no teatro, cinema e televisão.
Rui Rezende morreu no domingo, 12 de julho, aos 88 anos. O ator mineiro estava internado desde o dia 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, no Rio de Janeiro, onde permanecia sob cuidados até o fim. A instituição Retiro dos Artistas, onde vivia desde 2019, confirmou a notícia e lamentou a perda de um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira em comunicado divulgado nas redes sociais.
A causa da morte não foi revelada. O Retiro dos Artistas, entidade dedicada a acolher profissionais da cultura em situação de vulnerabilidade, destacou em seu comunicado que Rezende havia construído uma trajetória de décadas marcada pela dedicação à arte. Segundo a instituição, seus personagens permanecerão vivos na memória de gerações de espectadores que acompanharam seu trabalho nos palcos, nas telas de cinema e na televisão.
Entre os muitos papéis que interpretou ao longo de mais de 60 anos de carreira, um se destacou particularmente: Astromar Junqueira, o misterioso professor que se transformava em lobisomem na novela "Roque Santeiro", exibida em 1985. O personagem marcou época e consolidou Rezende como um dos atores mais memoráveis daquela produção, um trabalho que o próprio artista considerava emblemático de sua longa jornada profissional.
Há pouco mais de um ano, em junho de 2025, Rezende concedeu uma entrevista exclusiva a O TEMPO na qual refletiu sobre aquele papel que o acompanharia para sempre. Ele falou com carinho sobre os "mistérios da meia-noite" que envolviam a história de Astromar, ressaltando como o imaginário do lobisomem era algo que ressoava profundamente com o público. "Acho que qualquer ator podia fazer, porque é um personagem que chama muita atenção. Lobisomem é algo que fica no imaginário de qualquer pessoa; é muito forte", disse na ocasião, revelando satisfação genuína por ter encarnado aquele personagem tão misterioso e impactante.
Naquela mesma conversa, Rezende recordou com afeto a atriz Lucinha Lins, que interpretava Mocinha, a paixão platônica do professor Astromar. Ele destacou que, entre todos os colegas que marcaram sua carreira, ela ocupava um lugar especial. "A gente contracenava muito, ficava bastante tempo junto e até frequentei um pouco a casa dela na época. Todos os colegas foram marcantes, mas ela foi mais, porque estava sempre mais próxima de mim", frisou, demonstrando como as relações humanas construídas durante o trabalho artístico deixavam marcas duradouras em sua memória.
A morte de Rezende encerra um capítulo importante da história da dramaturgia brasileira. Seu legado não se resume a um único papel, mas a uma carreira extensa que atravessou décadas de transformação do teatro, da televisão e do cinema no Brasil. Os personagens que criou, especialmente aquele professor que virava lobisomem nas noites de Roque Santeiro, continuarão presentes na memória de quem acompanhou seu trabalho.
Citações Notáveis
Lobisomem é algo que fica no imaginário de qualquer pessoa; é muito forte. Tenho muito prazer em ter feito esse papel, porque era um personagem muito misterioso.— Rui Rezende, em entrevista a O TEMPO em junho de 2025
Todos os colegas foram marcantes, mas ela foi mais, porque estava sempre mais próxima de mim— Rui Rezende, sobre a atriz Lucinha Lins
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Astromar Junqueira se tornou tão memorável para o público, mesmo sendo um papel em uma novela dos anos 1980?
Porque o lobisomem toca algo primitivo no imaginário das pessoas. Não é apenas um efeito especial ou um truque de cena — é um medo antigo, uma lenda que vive em cada um. Rui tinha a capacidade de dar humanidade a isso, de fazer o misterioso parecer real.
Ele mencionou na entrevista que qualquer ator poderia fazer o papel. Isso parece modéstia ou era realmente assim?
Era modéstia, com certeza. Quando um ator diz isso, está reconhecendo que o personagem é forte por si só, mas também está sendo generoso com a profissão. O que Rui fez foi diferente — ele deu ao personagem uma presença, uma densidade que o tornou inesquecível.
A relação com Lucinha Lins parecia ter sido importante para ele. Como isso influenciou o trabalho?
Quando dois atores têm química real, quando se respeitam e se gostam, isso transpira na tela. Eles passavam muito tempo juntos, frequentavam as casas um do outro. Aquela platônica entre Astromar e Mocinha tinha uma verdade porque havia amizade de verdade por trás.
Ele viveu no Retiro dos Artistas desde 2019. O que isso diz sobre a vida de um ator após décadas de carreira?
Diz que mesmo grandes nomes podem enfrentar dificuldades no final da vida. O Retiro existe justamente porque a profissão artística não oferece as mesmas seguridades de outras carreiras. Rui teve uma vida plena, mas terminou precisando daquele acolhimento.
Qual é o legado real que fica?
Gerações de pessoas que viram Astromar Junqueira e nunca esqueceram. Isso é o que importa — não prêmios ou reconhecimento oficial, mas estar vivo na memória das pessoas que assistiram.