Personagens que permanecerão vivos na memória de gerações
Com a serenidade de quem cumpriu plenamente sua missão, Rui Rezende partiu aos 88 anos, levando consigo mais de seis décadas de presença constante na dramaturgia brasileira. Do professor Astromar de Roque Santeiro às telas do cinema, sua trajetória atravessou transformações profundas na cultura do país, tornando-se parte da memória coletiva de gerações. A arte, como ele bem sabia, não morre com quem a pratica — ela permanece viva em todos aqueles que um dia foram tocados por ela.
- A comunidade artística brasileira perde um de seus pilares com a morte de Rui Rezende, ator que por mais de sessenta anos habitou palcos, telas e imaginários coletivos.
- Internado desde 2 de julho no Rio de Janeiro para tratamento de câncer, Rezende faleceu neste domingo, deixando um vazio sentido por gerações de telespectadores.
- Seu papel como o professor Astromar — o lobisomem de Roque Santeiro — tornou-se símbolo de uma época, mas era apenas um fragmento de uma carreira vastíssima que começou em 1966.
- O Retiro dos Artistas, lar de Rezende desde 2019, confirmou o falecimento e prestou homenagem a quem encontrou ali, nos últimos anos, carinho, respeito e cuidado.
- Seu legado se consolida não apenas em listas de créditos, mas na permanência de personagens que acompanharam o Brasil em suas transformações culturais mais marcantes.
Rui Rezende morreu neste domingo, aos 88 anos, após internação para tratamento de câncer no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição que o acolhia desde 2019 e onde ele encontrou, segundo nota divulgada pela casa, um lar cercado de carinho e respeito.
Sua carreira na televisão começou em 1966, em O Anjo e o Vagabundo, novela escrita por Benedito Ruy Barbosa — o mesmo dramaturgo que faleceria apenas cinco dias antes dele. Ao longo das décadas seguintes, Rezende construiu presença marcante em produções como Beto Rockfeller, Simplesmente Maria e Chega Mais, até chegar ao papel que o tornaria inesquecível: o professor Astromar Junqueira, personagem que se transformava em lobisomem em Roque Santeiro, em 1985.
Mas a trajetória não parou ali. Rezende continuou atuando nas décadas seguintes, participando de minisséries como Memorial de Maria Moura e Um Só Coração, novelas como Bang Bang e A Favorita, e filmes que incluem Dona Flor e Seus Dois Maridos e A Grande Família — O Filme. Sua versatilidade atravessou formatos, gêneros e épocas.
O Retiro dos Artistas o descreveu como um dos grandes nomes da dramaturgia nacional, destacando a dedicação de uma vida inteira à arte e a permanência de seus personagens na memória de gerações. A comunidade artística brasileira perde, com ele, alguém cuja presença atravessou mais de seis décadas de história cultural do país.
Rui Rezende morreu neste domingo, aos 88 anos, deixando para trás mais de seis décadas de trabalho nos palcos, nas telas de cinema e na televisão brasileira. O ator estava internado desde 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, onde recebia tratamento para um câncer. A morte foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde ele vivia desde 2019.
Sua carreira ficou marcada indelevelmente por um papel que o acompanhou por gerações: o professor Astromar Junqueira, personagem que se transformava em lobisomem na novela Roque Santeiro, exibida em 1985. Mas aquele que se tornou seu papel mais memorável foi apenas um ponto em uma trajetória muito mais ampla. Rezende começou sua vida na televisão duas décadas antes, em 1966, quando participou de O Anjo e o Vagabundo, novela escrita por Benedito Ruy Barbosa — o mesmo dramaturgo que faleceria apenas cinco dias antes dele, na última terça-feira.
Ao longo dos anos 1960, 1970 e 1980, Rezende construiu presença constante nas produções que marcaram a teledramaturgia brasileira. Esteve em Beto Rockfeller (1968), Simplesmente Maria (1970), O Espigão (1974), Chega Mais (1980) e na primeira versão de Paraíso (1982). Depois de Roque Santeiro, continuou atuando em Hipertensão (1986), Kananga do Japão (1989) e A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990). Nas décadas seguintes, participou de minisséries como Memorial de Maria Moura (1994), Incidente em Antares (1994), Aquarela do Brasil (2000) e Um Só Coração (2004), além de novelas como Bang Bang (2006) e A Favorita (2008).
Sua presença não se limitava à televisão. No cinema, Rezende atuou em produções que incluem Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), Luar Sobre Parador (1988), Tiradentes (1999), A Grande Família - O Filme (2007), Encarnação do Demônio (2008) e O Segredo dos Diamantes (2014). Também trabalhou na série Preamar (2012), demonstrando uma versatilidade que atravessou diferentes formatos e gêneros ao longo de sua vida profissional.
O Retiro dos Artistas, que o acolheu nos últimos sete anos de sua vida, divulgou uma nota em que o descreveu como um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira. A instituição ressaltou que, durante as décadas de carreira, Rezende emocionou o público com seu talento, construindo uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações. A nota também mencionou que, desde sua chegada ao Retiro em 2019, ele encontrou um lar cercado de carinho, respeito e cuidado.
O legado de Rui Rezende não se resume a números ou listas de créditos. Trata-se de um corpo de trabalho que acompanhou transformações profundas na televisão brasileira, desde os primeiros anos da dramaturgia até o século XXI. Seus personagens permanecerão vivos não apenas na memória de quem o conheceu pessoalmente, mas também nos registros de uma geração de telespectadores que cresceu assistindo a suas atuações. A comunidade artística brasileira perde um de seus pilares, alguém cuja dedicação à profissão se estendeu por mais de sessenta anos.
Notable Quotes
É com profundo pesar que nos despedimos de Rui Rezende, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira. Ao longo de décadas de carreira, Rui emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão— Retiro dos Artistas
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Roque Santeiro se tornou tão definidor para sua carreira, quando ele tinha tantos outros papéis?
Porque alguns personagens simplesmente grudam na imaginação das pessoas. O lobisomem era fantástico, memorável, diferente. Mas acho que o que realmente importa é que ele nunca parou de trabalhar depois disso — continuou atuando em tudo que podia.
Ele começou em 1966. Isso significa que viu a televisão brasileira nascer praticamente.
Exatamente. Viu a teledramaturgia se estabelecer, evoluir, mudar de formato. Trabalhou com Benedito Ruy Barbosa no começo e continuou relevante décadas depois. Não é pouca coisa.
O que significa alguém viver no Retiro dos Artistas nos últimos anos?
Significa que a profissão o acolheu quando precisou. Não é um detalhe menor — é uma rede de segurança que a comunidade artística criou para seus próprios.
Você acha que as pessoas vão lembrar dele por Roque Santeiro ou por tudo mais?
Provavelmente começam por Roque Santeiro, mas se pararem para pensar, vão perceber que ele estava em tudo. Isso é mais impressionante do que um único papel icônico.
Qual é a sensação de uma carreira que dura mais de sessenta anos?
É a sensação de ter feito parte da história. Não é glamour — é trabalho constante, dedicação, estar lá quando as câmeras ligam. Isso é raro.