Moradora do Pinheiro relata tremor de terra: 'TV e cama balançaram'

Moradores sentiram medo e insegurança com o tremor, alguns apresentando tontura, mas sem feridos ou danos estruturais reportados.
Eu quero ter segurança para morar aqui
Andréa expressa seu desejo fundamental após sentir o tremor: permanecer em seu lar com garantias de estabilidade.

Na manhã de uma sexta-feira comum, a terra falou por 12 segundos sob Maceió — e bastou esse breve estremecimento para revelar a fragilidade que já habitava o cotidiano de quem vive no Pinheiro. O abalo, registrado a cerca de 200 metros de profundidade no Mutange, não feriu ninguém, mas perturbou corpos, balançou objetos e reacendeu uma ansiedade que muitos moradores carregam há anos diante da ameaça silenciosa de desocupações e instabilidade do solo. Para além da geologia, o tremor tocou numa ferida humana mais antiga: a de quem ama um lugar e teme perdê-lo.

  • Um tremor de aproximadamente 12 segundos sacudiu Maceió na manhã de 5 de novembro, sendo sentido por moradores de múltiplos blocos do condomínio Morada das Árvores, no Pinheiro.
  • Televisões balançaram, camas se moveram e alguns moradores sentiram tontura — o corpo registrou o que a mente ainda tentava compreender.
  • A Defesa Civil acionou equipes imediatamente, realizou rondas próximas ao epicentro no Mutange e manteve contato com a Braskem para intensificar o monitoramento da região.
  • Nenhum ferido ou dano estrutural foi confirmado, mas o medo se espalhou rapidamente pelo grupo de moradores do condomínio, onde relatos de diferentes blocos se acumularam em minutos.
  • O bairro do Pinheiro não consta nos mapas de monitoramento nem nos de desocupação, deixando moradores como Andréa Guido num limbo de incerteza — sem proteção formal, mas também sem ordem de saída.

Na manhã de 5 de novembro, um tremor de terra com cerca de 12 segundos de duração foi registrado pela Defesa Civil a aproximadamente 200 metros de profundidade no bairro do Mutange, em Maceió. O abalo se fez sentir além do epicentro — moradores do condomínio Morada das Árvores, no Pinheiro, também perceberam o movimento.

Andréa Guido, fotógrafa de 51 anos, soube do tremor por uma ligação da filha, que relatou a televisão balançando no suporte e a cama se movendo, além de tontura semelhante a uma crise de labirintite. Andréa deixou o trabalho imediatamente e foi direto à Defesa Civil, onde foi informada de que as equipes já estavam nas ruas inspecionando sismógrafos e verificando a situação. Ao entrar no grupo de moradores do condomínio, viu os relatos se multiplicarem: pessoas em diferentes blocos descrevendo o mesmo susto, a mesma sensação de movimento duplo sob os pés.

A Defesa Civil confirmou que não havia feridos e que o monitoramento seria intensificado em parceria com a Braskem. Mas para Andréa, o tremor trouxe à superfície algo mais do que medo passageiro. Moradora do condomínio há quase 40 anos, ela vive num bairro que não aparece nos mapas de desocupação — uma ausência que, em vez de tranquilizá-la, a deixa em suspenso. Chuvas fortes a assustam. Estrondos noturnos a perturbam. E agora, um tremor de 12 segundos reforçou a pergunta que não sai de sua cabeça: o que mais pode acontecer?

Seu desejo é direto: quer segurança para permanecer onde construiu sua vida, sem ser forçada a recomeçar em outro lugar como tantos vizinhos já foram. O tremor passou rápido — a incerteza ficou.

Na manhã de sexta-feira, 5 de novembro, um tremor de terra sacudiu Maceió. A Defesa Civil registrou o abalo a cerca de 200 metros de profundidade no bairro do Mutange, durando aproximadamente 12 segundos. O tremor foi sentido além da zona epicentral — moradores do condomínio Morada das Árvores, localizado no Pinheiro, na antiga Avenida Belo Horizonte próximo ao quartel do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, também experimentaram o movimento.

Andréa Guido, fotógrafa de 51 anos, estava trabalhando no bairro da Gruta quando recebeu uma ligação de sua filha por volta das 11h30. A filha relatava que a televisão, fixada em um suporte, tinha balançado. Ela própria sentiu a cama se mover e experimentou tontura, descrevendo a sensação como se estivesse tendo uma crise de labirintite. Andréa saiu imediatamente do trabalho e correu para casa, onde também vivem seus pais. Seu primeiro destino foi a Defesa Civil, onde conversou com uma funcionária que informou que as equipes já estavam nas ruas verificando o ocorrido e inspecionando os sismógrafos.

O que começou como um relato isolado logo se multiplicou. Quando Andréa entrou no grupo de moradores do condomínio, os mensagens começaram a chegar: pessoas em diferentes blocos — bloco 1, 2, 7, 8 — descrevendo suas experiências. Alguns estavam sentados em cadeiras quando sentiram o movimento duas vezes. O tremor foi rápido, mas deixou marca. Moradores ficaram assustados, e o medo se espalhou pela comunidade.

A Defesa Civil confirmou que não havia registros de pessoas feridas. O órgão informou que mantinha contato com a Braskem para intensificar o monitoramento da região e que brigadistas realizavam rondas nas proximidades do epicentro. A população seria mantida informada sobre novos desenvolvimentos.

Mas para Andréa, o tremor trouxe à tona uma ansiedade mais profunda. Ela mora no condomínio há quase 40 anos e ama o lugar onde vive. Porém, o bairro do Pinheiro não está incluído nos mapas de monitoramento nem nos mapas de desocupação — uma lacuna que a deixa em um limbo de incerteza. Ela não quer sair de seu apartamento, mas também não quer viver com medo constante. Chuva forte a assusta. Qualquer estrondo à noite a deixa apreensiva. Agora, um tremor de terra reforçou essa sensação de vulnerabilidade.

Seu desabafo é simples e direto: ela quer segurança. Não quer ser forçada a deixar seu lar, como tantos outros vizinhos no bairro que enfrentaram desocupações forçadas, recebendo aluguel social e tendo de recomeçar em outro lugar. Quer permanecer onde construiu sua vida, mas com a certeza de que está segura. O tremor de 12 segundos deixou em aberto a pergunta que agora a persegue: o que mais pode acontecer?

Moro aqui há quase 40 anos. Eu amo o lugar onde eu moro. E sinceramente não quero pensar em ter que sair daqui
— Andréa Guido, fotógrafa
A única coisa que eu quero é ter segurança em morar aqui! Não quero sair da minha casa!
— Andréa Guido
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que um tremor tão rápido — 12 segundos — causou tanto impacto emocional em Andréa?

Model

Porque não é só sobre o tremor em si. É sobre viver em um lugar que já está sob pressão. Ela não está no mapa de monitoramento, não está protegida formalmente. Quando a terra se move, ela sente que ninguém está realmente cuidando daquele espaço.

Inventor

Ela menciona a Braskem. O que a Braskem tem a ver com isso?

Model

A Braskem é uma empresa química na região. Há uma história de instabilidade geológica ligada às operações industriais em Maceió. Quando Andréa fala em medo de chuva e estrondos, ela está falando de um medo que vem de algo maior do que um tremor isolado.

Inventor

Mas não houve feridos, não houve danos. Por que ela está tão preocupada?

Model

Porque segurança não é só sobre o que já aconteceu. É sobre o que pode acontecer. Ela viu vizinhos sendo desocupados, recebendo aluguel social, tendo que recomeçar. Ela quer ficar, mas quer garantias. O tremor apenas confirmou que essas garantias não existem.

Inventor

Ela diz que ama o lugar onde mora. Isso é importante?

Model

Muito. Não é uma questão de sair para melhorar de vida. É sobre ser forçada a abandonar um lugar que você construiu ao longo de 40 anos. O medo dela não é do tremor — é de perder a casa.

Inventor

E a Defesa Civil? Ela confiou no que ouviu?

Model

Parcialmente. Eles disseram que não tinham sentido nada no início, mas depois confirmaram o tremor. Ela viu as equipes saindo para verificar. Mas estar no mapa de monitoramento e estar fora dele são duas realidades muito diferentes.

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