Montenegro: sem economia forte não há verdadeira democracia

Sem economia forte, não há verdadeira democracia
Montenegro liga a criação de riqueza e acesso a serviços públicos à qualidade da democracia.

Num fim de tarde de campanha em Penalva do Castelo, o primeiro-ministro Luís Montenegro foi além do ritual eleitoral para enunciar uma convicção política de fundo: a democracia sem economia, educação e saúde é uma promessa vazia, e são sempre os mais frágeis quem paga essa fragilidade. Ao apresentar o candidato independente apoiado pelo PSD, Montenegro reafirmou que os territórios de baixa densidade não são margens do país, mas centros possíveis de um desenvolvimento assente na agricultura, na floresta e no turismo. As autárquicas de 12 de outubro tornam-se assim um pequeno espelho de uma disputa maior sobre quem governa — e para quem — o interior de Portugal.

  • Montenegro desafia a narrativa de que democracia se sustenta apenas em eleições, vinculando-a à criação concreta de riqueza, saúde e educação acessíveis.
  • Penalva do Castelo é terreno adverso para o PSD: em 2021, o PS venceu com mais de 56% dos votos e elegeu três dos cinco mandatos disponíveis.
  • O governo aposta na complementaridade entre agricultura, turismo e indústria como antídoto para a periferização dos territórios de baixa densidade.
  • A campanha misturou argumentos de fundo com memórias partilhadas — Montenegro e o candidato Michael Baptista já cozinharam juntos durante a iniciativa 'Sentir Portugal'.
  • Com quatro candidatos em campo — PS, PSD, CDU e Chega — o resultado de 12 de outubro será lido como um teste de força entre o governo e a oposição socialista no interior.

Luís Montenegro deslocou-se a Penalva do Castelo para apresentar Michael Baptista, independente apoiado pelo PSD à câmara municipal, e aproveitou o momento para enunciar uma tese política mais ampla: democracia sem economia forte, escolas públicas dignas e acesso a cuidados de saúde é uma democracia incompleta — e os mais vulneráveis são sempre os primeiros a sentir essa incompletude.

No distrito de Viseu, o primeiro-ministro reafirmou que o seu governo coloca a agricultura, a floresta e a pecuária no centro da estratégia nacional, argumentando que a complementaridade entre esses setores, o turismo e o comércio é o caminho para que os territórios de baixa densidade deixem de ser periféricos. É possível, insistiu, ter uma agricultura mais tecnológica, uma floresta mais ordenada e empresas que coexistam com o ambiente — tudo para que as pessoas se sintam em casa nas suas terras.

O tom da campanha não foi apenas sério. Montenegro recordou que conheceu Baptista durante a iniciativa 'Sentir Portugal', quando percorria todos os concelhos do país ainda como líder da oposição, e que os dois chegaram a cozinhar pratos tradicionais juntos. O candidato respondeu com humor, prometendo uma feijoada à sua moda caso vença a 12 de outubro.

O contexto eleitoral é exigente para o PSD: em 2021, o PS conquistou Penalva do Castelo com 56,68% dos votos, elegendo três mandatos, enquanto a coligação PSD/CDS-PP ficou pelos 37,11% e dois eleitos. Desta vez, além de Baptista e do socialista José Laires, concorrem ainda António Vilarigues pela CDU e Paula Rebelo pelo Chega. O resultado será lido como um barómetro da capacidade do governo em recuperar terreno no interior do país.

Luís Montenegro chegou a Penalva do Castelo no final de um dia de campanha para apresentar Michael Baptista, um independente apoiado pelo PSD à presidência da câmara municipal. O primeiro-ministro tinha uma mensagem clara: sem economia forte, sem escolas públicas decentes, sem acesso a cuidados de saúde, a democracia fica vazia. E quem paga o preço são sempre os que têm menos.

Montenegro reiterou que o seu governo coloca a agricultura, a floresta e a pecuária no centro da estratégia de desenvolvimento. Neste território do distrito de Viseu, disse, essa aposta "assenta que nem uma luva". Não é retórica vazia. O primeiro-ministro vê na complementaridade entre agricultura, turismo, comércio e indústria a chave para que territórios de baixa densidade deixem de ser periféricos. É possível, argumentou, ter empresas e turismo sem descurar o ambiente. É possível ter uma agricultura mais tecnológica e rentável. É possível ordenar melhor a floresta. Tudo isto, insistiu, para que as pessoas se sintam melhor nas suas terras.

O tom da campanha misturou seriedade com leveza. Montenegro recordou o encontro com Baptista durante a iniciativa "Sentir Portugal", quando ainda era líder da oposição e percorria todos os concelhos do país. Nessa altura, ambos cozinharam pratos tradicionais. O primeiro-ministro brincou sobre a sua experiência: fez caneja com cinco galos e precisou de ajuda apenas para mexer a panela. Baptista respondeu com humor próprio, prometendo uma feijoada à sua moda se vencesse as eleições de 12 de outubro.

Montenegro também tocou em temas que o ocupam além das autárquicas. Reafirmou a segurança como um ativo do país. Sobre imigração, foi direto: Portugal precisa de imigrantes para trabalhar, mas eles devem vir respeitando os hábitos e a cultura portuguesa, recebendo dignidade e oportunidades em troca, para que ajudem a criar riqueza.

O encerramento foi uma mensagem de esperança. O primeiro-ministro pediu aos eleitores que acreditassem que o país se constrói também com a sua participação, e garantiu que não ficarão sozinhos. Manifestou confiança de que o PSD conseguirá conquistar Penalva do Castelo ao Partido Socialista.

O contexto eleitoral é claro. Em 2021, o PS venceu com 56,68% dos votos (2.893 votos), elegendo três mandatos. A coligação PSD/CDS-PP ficou-se pelos 37,11% (1.894 votos) e dois eleitos. A CDU teve 1,59% (81 votos). Dos 7.448 inscritos, votaram 5.104 pessoas. Desta vez, além de Baptista pelo PSD, concorrem José Laires (PS), António Vilarigues (CDU) e Paula Rebelo (Chega). A disputa de 12 de outubro será um teste de força entre o governo e a oposição socialista num território que o PS domina há quatro anos.

Se não houver criação de riqueza, se não houver uma economia forte, se não houver uma boa escola pública, se não houver acesso a cuidados de saúde, nós não temos uma verdadeira democracia
— Luís Montenegro
A agricultura, o setor primário, a produção florestal e a complementaridade entre agricultura, turismo, comércio e indústria são uma estratégia de desenvolvimento
— Luís Montenegro
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que Montenegro liga tanto a economia à democracia? Parece uma ligação estranha.

Model

Não é. Ele está a dizer que democracia sem capacidade de criar riqueza é vazia. Se as pessoas não têm emprego, educação ou saúde, o voto delas não muda nada na vida delas.

Inventor

Mas há muitos países ricos com democracias fracas.

Model

Verdade. Mas Montenegro está a falar do inverso: sem essas bases materiais, os mais pobres sofrem sempre, independentemente de votarem.

Inventor

E porque escolheu Penalva do Castelo para esta mensagem?

Model

Porque é um território de baixa densidade, rural, onde a agricultura e a floresta são a vida. Se conseguir mostrar que o governo investe ali, ganha credibilidade.

Inventor

O tom foi muito descontraído para um primeiro-ministro.

Model

Sim, mas era intencional. Brincadeiras sobre cozinha tradicional humanizam a mensagem. Mostram que ele não está distante daquelas comunidades.

Inventor

E se o PS vencer à mesma?

Model

Seria um sinal de que a mensagem não chegou, ou que os eleitores confiam mais no PS naquele território. Em 2021, o PS teve 56% dos votos.

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