Ministério lança campanha contra hepatites virais com foco em prevenção e tratamento

Mais de 82 mil pessoas morreram de hepatites virais no Brasil entre 2000 e 2020, com hepatite C responsável por 62.611 óbitos, representando 76,2% do total de vítimas.
O vírus trabalha nas sombras por décadas antes de avisar
Hepatites B e C frequentemente não apresentam sintomas, permitindo evolução silenciosa até estágio avançado.

No Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, o Brasil confrontou uma epidemia silenciosa: mais de 82 mil mortes em duas décadas causadas por vírus que frequentemente não anunciam sua presença. O Ministério da Saúde lançou em Brasília uma campanha nacional que oferece vacinas, testes rápidos e tratamentos gratuitos pelo SUS, reconhecendo que a invisibilidade da doença é, ela mesma, parte do perigo. O país se comprometeu a eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030 — uma promessa que exige transformar o silêncio em diagnóstico.

  • A hepatite C matou mais de 62 mil brasileiros em duas décadas, mesmo existindo tratamento que cura em mais de 95% dos casos — uma tragédia amplificada pelo desconhecimento.
  • O vírus age sem avisar: hepatites B e C podem permanecer silenciosas no organismo por décadas, avançando para cirrose e câncer enquanto o portador ignora sua condição.
  • O Ministério da Saúde mobilizou vacinas gratuitas, testes rápidos com uma gota de sangue e medicamentos pelo SUS para enfrentar uma doença que já infectou mais de 718 mil pessoas desde 2000.
  • Grupos específicos — pessoas acima de 40 anos, quem fez hemodiálise, recebeu transfusões antes de 1993 ou está privado de liberdade — concentram os maiores riscos e precisam de atenção prioritária.
  • O Brasil firmou compromisso com meta global de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, tornando a campanha um passo concreto numa corrida contra o tempo.

Na quarta-feira 27 de julho, o Ministério da Saúde lançou em Brasília uma campanha nacional contra as hepatites virais, aproveitando o Dia Mundial de Luta contra a doença para divulgar também o Boletim Epidemiológico de 2022. Os números são pesados: entre 2000 e 2021, o Brasil registrou mais de 718 mil casos confirmados, e entre 2000 e 2020, mais de 82 mil pessoas morreram em decorrência dessas infecções. A hepatite C concentra o maior impacto letal — 62.611 óbitos, ou 76,2% de todas as mortes por hepatites virais no período.

O que torna esse cenário ainda mais perturbador é a natureza silenciosa da doença. Hepatites B e C raramente apresentam sintomas, permitindo que o vírus avance por décadas sem que o portador saiba de sua condição, até que surjam complicações graves como fibrose, cirrose ou câncer hepático. A hepatite A, diferente das demais, manifesta sintomas visíveis como febre, fadiga e icterícia entre 15 e 50 dias após a infecção.

A campanha aposta nas ferramentas já disponíveis. Vacinas contra hepatite A e B são oferecidas gratuitamente em postos de saúde para diferentes faixas etárias. Para a hepatite C, sem vacina disponível, o SUS oferece medicamentos capazes de curar a doença em mais de 95% dos casos em cerca de 12 semanas. Testes rápidos feitos com uma gota de sangue também estão acessíveis na rede pública.

O ministro Marcelo Queiroga destacou que o SUS tem condições de reduzir o peso da hepatite C — responsável por casos de câncer hepático, necessidade de transplante e morte. A prevenção passa também por hábitos simples: lavar as mãos, não compartilhar objetos perfurocortantes, usar preservativos e garantir biossegurança em tatuagens e piercings. Gestantes devem realizar testes no pré-natal, pois é possível evitar a transmissão da hepatite B ao bebê.

O Brasil integra uma estratégia global para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030. A campanha é, em essência, um esforço para dar visibilidade a uma epidemia que por décadas matou em silêncio.

O Ministério da Saúde apresentou na quarta-feira 27 de julho uma campanha nacional contra as hepatites virais, doenças que mataram mais de 82 mil brasileiros entre 2000 e 2020. O lançamento, realizado em Brasília, coincidiu com a divulgação do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais de 2022 e marcou o dia mundial de luta contra a doença, celebrado na quinta-feira seguinte.

Os números revelam a dimensão do problema. Entre 2000 e 2021, o Brasil registrou 718.651 casos confirmados de hepatites virais. A hepatite B respondeu por 264.640 casos (36,8%), a hepatite C por 279.872 (38,9%), a hepatite A por 168.175 (23,4%) e a hepatite D por apenas 4.259 (0,6%). Mas o impacto mais grave vem da hepatite C: foram 62.611 mortes entre 2000 e 2020, representando 76,2% de todas as vítimas de hepatites virais no período. Globalmente, as complicações dessas doenças — infecção aguda, câncer hepático, cirrose — matam cerca de 1,4 milhão de pessoas por ano.

O desafio da detecção precoce é real. Hepatites B e C frequentemente não apresentam sintomas, permitindo que o vírus permaneça silencioso no corpo por décadas. Uma pessoa pode estar infectada sem saber, enquanto a doença avança lentamente em direção a complicações graves como fibrose, cirrose e câncer. A hepatite A, por sua vez, manifesta-se com fadiga, febre, dores musculares, enjoo e vômitos entre 15 e 50 dias após a infecção, além de icterícia — o amarelamento da pele e dos olhos.

A boa notícia é que existem ferramentas para combater essas doenças. Para hepatite A e B, as vacinas estão disponíveis gratuitamente em salas de vacinação em todo o país, com esquemas específicos para crianças, adolescentes, adultos e gestantes. Para hepatite C, não há vacina, mas há medicamentos que curam a doença em mais de 95% dos casos, com tratamento durando em média 12 semanas. O Sistema Único de Saúde oferece testes rápidos para hepatite B — feitos com uma gota de sangue — e exames para hepatite C através de rotina ou doação de sangue. Para hepatite B, existem medicamentos que controlam a carga viral, embora ainda não haja cura definitiva.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, destacou durante o lançamento que a hepatite C causa hepatocarcinoma, necessidade de transplante e morte, mas que o SUS permite reduzir esse importante problema de saúde pública. O Brasil é signatário de uma estratégia global para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

A prevenção vai além da vacinação. Para hepatite A, recomenda-se lavar as mãos, cozinhar bem os alimentos — especialmente frutos do mar — e evitar contato com água contaminada. Para todas as hepatites, é essencial não compartilhar objetos perfurocortantes como seringas e agulhas, não compartilhar escovas de dente ou lâminas de barbear, usar materiais esterilizados em tatuagens e piercings, e usar preservativos nas relações sexuais.

Certos grupos enfrentam risco maior. Hepatite C apresenta maior taxa de detecção em pessoas acima dos 40 anos, mas também afeta aqueles que realizaram hemodiálise, têm diabetes ou hipertensão, sofreram procedimentos invasivos sem biossegurança adequada, receberam transfusões sanguíneas antes de 1993, compartilharam objetos para uso de drogas ou estão privados de liberdade. Mulheres grávidas devem fazer testes no pré-natal: na hepatite B, é possível evitar transmissão para o bebê; na hepatite C, o tratamento ocorre após o parto.

A campanha representa um esforço para transformar a realidade de uma doença que permaneceu invisível por décadas, matando silenciosamente enquanto muitos infectados desconheciam sua condição.

Hepatite C é causa de hepatocarcinoma, de necessidade de transplante e é causa de óbitos. Por meio do SUS, é possível reduzir esse importante problema de saúde pública
— Marcelo Queiroga, ministro da Saúde
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a hepatite C é tão mais letal que as outras, se todas são virais?

Model

Porque a hepatite C não dá sinais. A pessoa pode carregar o vírus por 20, 30 anos sem sentir nada, enquanto o fígado vai sendo destruído lentamente. Quando descobre, muitas vezes já está em estágio avançado — cirrose, câncer. A hepatite A, pelo menos, avisa: você fica amarelo, sente febre. Mas a C trabalha nas sombras.

Inventor

E por que não existe vacina para hepatite C se existe para A e B?

Model

Essa é a pergunta que os pesquisadores também fazem. O vírus da hepatite C é muito variável, muta constantemente. É como tentar acertar um alvo que não para de se mover. Mas o lado bom é que agora temos medicamentos que curam. Antes não tinha nada.

Inventor

Mais de 95% de cura em 12 semanas — isso é recente?

Model

Sim. Esses antivirais de ação direta são relativamente novos. Mudaram completamente o jogo. O problema é que nem todo mundo sabe que tem hepatite C, então não procura tratamento. Muitos descobrem por acaso, doando sangue ou fazendo exame de rotina.

Inventor

Então a campanha é basicamente sobre testar mais gente?

Model

É sobre testar, sim, mas também sobre vacinar quem ainda não tem proteção contra A e B, e sobre as pessoas entenderem os riscos reais. Compartilhar uma seringa, fazer tatuagem em lugar errado, transfusão de sangue antes de 1993 — essas coisas deixam marcas. A campanha quer que as pessoas saibam disso antes de acontecer.

Inventor

E as gestantes? Por que elas precisam de atenção especial?

Model

Porque na hepatite B é possível evitar que o bebê nasça infectado se a mãe souber que tem o vírus e receber acompanhamento. Na hepatite C, o tratamento espera até depois do parto. São situações diferentes, mas ambas exigem que a mulher saiba sua condição antes de dar à luz.

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