Militares europeus desembarcam na Groenlândia enquanto EUA mantêm ambição de anexação

A ambição americana segue intacta apesar dos diálogos
Frederiksen advertiu que nenhuma conversa diplomática havia arrefecido a determinação de Trump sobre a Groenlândia.

No coração do Ártico, onde o gelo guarda recursos estratégicos e rotas de poder, sete nações europeias desembarcaram tropas na Groenlândia em resposta às ameaças de anexação do presidente Donald Trump — um gesto que transforma retórica em mobilização concreta. A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen advertiu que a ambição americana 'segue intacta' mesmo após encontros diplomáticos em Washington, enquanto moradores de Nuuk exibem bandeiras groenlandesas como afirmação silenciosa de identidade. O que era discurso de campanha tornou-se, em poucos meses, um dos episódios mais delicados da geopolítica ártica desde a Guerra Fria.

  • Trump não descarta intervenção militar na Groenlândia e a Casa Branca analisa abertamente a possibilidade de compra do território, elevando a tensão além da retórica.
  • Sete países europeus lançam a operação 'Arctic Endurance', enviando contingentes militares à ilha no mesmo dia em que diplomatas dinamarqueses se reuniam com JD Vance e Marco Rubio em Washington.
  • Os efetivos são modestos — 13 soldados alemães, um neerlandês — mas o simbolismo é imenso: a Otan sinaliza que a soberania ártica é uma linha que não será cruzada sem resposta coletiva.
  • Trump rebate com ironia nas redes sociais, a Rússia chama a mobilização de 'provocação ocidental', e a Groenlândia fica no centro de um triângulo de pressões que seus habitantes descrevem como 'algo enorme'.

Na quinta-feira, enquanto militares europeus desembarcavam na Groenlândia, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen deixou claro que nenhum diálogo havia arrefecido a determinação de Washington. A ambição de Donald Trump de anexar o território ártico, disse ela, 'segue intacta'. Trump justifica a pretensão com argumentos de segurança nacional — sem controle americano, a ilha seria ocupada pela Rússia ou pela China — e a Casa Branca não descartou nem a compra nem uma intervenção militar.

Na véspera, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia haviam se encontrado em Washington com o vice-presidente JD Vance e o secretário Marco Rubio. O resultado foi imediato: sete nações — Alemanha, França, Finlândia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia — iniciaram a operação 'Arctic Endurance'. Os contingentes eram simbólicos em número, mas carregados de significado político. Emmanuel Macron confirmou que uma equipe francesa já estava no terreno, com mais recursos a caminho.

Frederiksen destacou o consenso dentro da Otan sobre a importância de uma presença reforçada no Ártico e lembrou que a Dinamarca já havia investido quase 14 bilhões de dólares na segurança da região. Trump respondeu com escárnio nas redes sociais: 'Digam à Dinamarca que saiam daí, JÁ!'. A Rússia, por sua vez, chamou a mobilização de 'provocação ocidental' e negou representar qualquer ameaça à ilha.

Em Nuuk, bandeiras groenlandesas surgiam em vitrines, janelas e ônibus como afirmação de identidade em meio à incerteza. A professora Vera Stidsen, de 51 anos, resumiu o que muitos sentiam ao sair de um supermercado: 'É muito assustador, porque é algo enorme'. Com 2,16 milhões de quilômetros quadrados, a Groenlândia tornaria os Estados Unidos o segundo maior país do mundo em extensão — e o que começou como retórica havia se convertido em mobilização militar real.

Na quinta-feira, enquanto militares de sete países europeus desembarcavam na Groenlândia, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen deixou claro que nenhuma conversa diplomática havia arrefecido a determinação americana. A ambição do presidente Donald Trump de anexar o território ártico dinamarquês, disse ela, "segue intacta".

Trump vem ameaçando tomar a Groenlândia desde seu retorno ao poder há quase um ano, justificando-se com argumentos de segurança nacional. Segundo sua lógica, sem o controle americano, a ilha seria inevitavelmente ocupada pela Rússia ou pela China. A Casa Branca foi além das ameaças retóricas: afirmou estar analisando a possibilidade de compra e não descartou uma intervenção militar no território rico em recursos minerais. O tom escalou ainda mais após a operação americana na Venezuela que depôs Nicolás Maduro.

Na quarta-feira, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se encontraram em Washington com o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. O encontro resultou em um anúncio: mais tropas da Otan seriam enviadas ao território a partir daquele dia. Sete nações — Alemanha, França, Finlândia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia — iniciaram uma operação de reconhecimento militar batizada "Arctic Endurance". Dois aviões dinamarqueses já haviam pousado com tropas. O presidente francês Emmanuel Macron confirmou que uma primeira equipe francesa já estava no terreno e que mais recursos terrestres, aéreos e marítimos chegariam nos dias seguintes.

Os contingentes, porém, eram modestos. A Alemanha enviou 13 soldados; os Países Baixos, apenas um. O Ministério da Defesa alemão explicou que o objetivo era "explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico", com a operação prevista para durar até o sábado. Fontes de defesa europeias afirmaram que os reforços visavam preparar as forças armadas para exercícios futuros na região.

Frederiksen tentou apaziguar Washington destacando que havia "consenso dentro da aliança da Otan em que uma presença reforçada no Ártico é crucial para a segurança da Europa e da América do Norte". A Dinamarca, acrescentou, já havia investido quase 14 bilhões de dólares na segurança ártica. Trump respondeu com ironia nas redes sociais: "Digam à Dinamarca que saiam daí, JÁ! Dois trenós de cães não bastam!". A Casa Branca publicou um desenho satírico mostrando dois trenós — um rumo à Casa Branca e à bandeira americana, outro em direção ao Kremlin e à Grande Muralha, atingidos por raios.

O primeiro-ministro groenlandês Jens-Frederik Nielson adotou tom diferente, reiterando que "o diálogo e a diplomacia são o caminho certo a seguir" e celebrando que as conversas estivessem em andamento. Mas a realidade geopolítica era mais tensa. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, qualificou como "mito" as alegações de que seu país representava uma ameaça à Groenlândia, chamando a mobilização da Otan de "provocação dos países ocidentais".

Em Nuuk, a capital do território autônomo dinamarquês, as bandeiras vermelhas e brancas groenlandesas apareciam em vitrines de lojas, janelas de casas, carros e ônibus — um símbolo de identidade em um momento de incerteza. A professora Vera Stidsen, de 51 anos, saindo de um supermercado, resumiu o sentimento: "É muito assustador, porque é algo enorme". A incorporação dos 2,16 milhões de quilômetros quadrados da Groenlândia transformaria os Estados Unidos no segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia e à frente de China e Canadá. O que começou como retórica de campanha havia se convertido em mobilização militar real.

A ambição americana de assumir o controle da Groenlândia segue intacta
— Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca
É muito assustador, porque é algo enorme
— Vera Stidsen, professora em Nuuk
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente Trump quer a Groenlândia? Parece absurdo.

Model

Não é absurdo se você pensa em termos de recursos e posicionamento estratégico no Ártico. A ilha tem minerais raros, hidrocarbonetos, e fica em uma posição geográfica crucial enquanto o gelo ártico derrete e novas rotas comerciais abrem. Para Trump, é segurança nacional disfarçada de expansão.

Inventor

Mas a Dinamarca é aliada da Otan. Como ele pensa que conseguiria isso?

Model

Ele não descarta intervenção militar. Isso é o que torna a situação tão tensa. Não é apenas conversa — a Casa Branca deixou claro que está analisando compra e não afasta a possibilidade de força.

Inventor

E os europeus? Por que enviam apenas 13 soldados, um soldado?

Model

É simbólico. Eles estão sinalizando presença, mostrando que a Otan se importa, mas sem escalar demais. É um equilíbrio delicado — apoiar a Dinamarca sem provocar Trump diretamente.

Inventor

A Rússia está realmente ameaçando a Groenlândia?

Model

Provavelmente não de forma imediata. Mas o Ártico está se abrindo, e tanto Rússia quanto China têm interesse na região. Trump usa isso como justificativa, mesmo que seja exagerado.

Inventor

E os groenlandeses? O que eles querem?

Model

Querem ser deixados em paz. O primeiro-ministro fala em diálogo e diplomacia. Mas as pessoas nas ruas estão assustadas — é sua identidade, sua terra, e de repente é um prêmio que grandes potências querem tomar.

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