Milhões de mulheres se sentem excluídas ao não poder fazer terapia hormonal na menopausa

Mulheres com contraindicações médicas sofrem sintomas graves de menopausa sem acesso ao tratamento mais eficaz, enfrentando isolamento emocional e exclusão social enquanto observam outras se beneficiarem da terapia hormonal.
Eu me sinto completamente excluída disso
Mulher com câncer de mama alimentado por estrogênio reflete sobre a onipresença da terapia hormonal.

Contraindicações médicas como câncer de mama alimentado por estrogênio, problemas cardiovasculares e distúrbios de coagulação impedem milhões de mulheres de acessar terapia hormonal. Influenciadoras e empresas promovem terapia hormonal como solução milagrosa para menopausa, deixando mulheres ineligíveis se sentindo isoladas e excluídas do tratamento.

  • Câncer de mama alimentado por estrogênio, problemas cardiovasculares e distúrbios de coagulação impedem acesso à terapia hormonal
  • Fezolinetant aprovado em 2023; elinzanetant aprovado em 2025 como alternativas não hormonais
  • Médicos frequentemente desconhecem opções alternativas para tratar sintomas da menopausa

Mulheres com histórico de câncer de mama, problemas cardiovasculares e distúrbios de coagulação não podem fazer terapia hormonal na menopausa, gerando frustração enquanto tratamento é amplamente promovido. Existem alternativas pouco conhecidas que médicos raramente sugerem.

Cybele Maylone ouve falar sobre terapia hormonal em todos os lugares. As amigas mencionam. As influenciadoras postam. Alguém sempre está contando como os fogachos desapareceram, como a névoa mental se dissipou, como o sono voltou. Para quem pode tomar, parece um remédio milagroso. Para Maylone e milhões de outras mulheres, não é uma opção.

Em 2023, Maylone recebeu o diagnóstico de câncer de mama alimentado por estrogênio. Agora toma um medicamento que suprime o hormônio para reduzir o risco de recorrência. A terapia hormonal — que fornece estrogênio ou progesterona por comprimidos e adesivos — está contraindicada para ela. Não é apenas o câncer de mama. A lista de impedimentos é longa: câncer de endométrio, certos problemas cardiovasculares, doença hepática grave, distúrbios de coagulação sanguínea. Cada uma dessas condições torna a terapia hormonal perigosa, potencialmente fatal. E cada uma delas afeta milhões de mulheres em idade de menopausa.

O que Maylone sente é frustração profunda. "A mensagem sobre terapia hormonal é tão positiva e onipresente agora", diz ela. "Parece que você pode viver essa fase da sua vida de forma totalmente diferente, e há alívio. Eu me sinto completamente excluída disso." Rebecca Hastings, 46 anos, carrega uma mutação genética que aumenta seu risco de coágulos sanguíneos. A terapia hormonal pioraria esse risco. Em uma festa de família, ela começou a conversar com outra mulher sobre os sintomas da perimenopausa — suores noturnos, fogachos. Estavam reclamando, rindo, quando a mulher ficou séria: tinha desperdiçado dois anos sofrendo antes de começar a terapia hormonal. Tinha resolvido tudo. "Imediatamente perdi a conexão e me senti isolada", diz Hastings.

Os médicos de Hastings recomendaram um suplemento fitoterápico, cafeína zero, bebidas quentes evitadas, um ventilador na cama. O suplemento ajudou um pouco. As mudanças na dieta também. Mas nada eliminou os fogachos. "Eu tenho que me esforçar muito para me sentir melhor, lutando contra tudo isso, enquanto outras pessoas podem simplesmente colocar um adesivo e viver suas melhores vidas", diz ela. Jamie Davis Smith, escritora e professora adjunta de 51 anos em Washington, tem risco aumentado de AVC. Sua médica desaconselhou a terapia hormonal mas não sugeriu nenhuma alternativa para tratar a névoa mental que frequentemente a faz perder uma palavra no meio da frase enquanto escreve ou dá aula.

Quando Maylone tentou levantar o assunto com seus médicos, bateu em uma parede. Rajita Patil, diretora do Programa Abrangente de Menopausa da UCLA, identifica o problema: existe uma "enorme lacuna de conhecimento dos profissionais" quando se trata de cuidados com a menopausa. A demanda explodiu. Muitos médicos ainda não estão atualizados sobre todos os tratamentos, incluindo opções não hormonais.

Essas opções existem. Fezolinetant, aprovado em 2023, é o primeiro comprimido não hormonal especificamente para fogachos moderados a graves. A FDA aprovou elinzanetant em 2025. Ambos funcionam direcionando o mecanismo neurológico por trás dos fogachos, em vez de repor estrogênio. Terapia cognitivo-comportamental pode beneficiar fogachos e problemas de sono. Certos antidepressivos e outros medicamentos podem ser usados off-label. Exercícios com peso ajudam a manter a densidade óssea perdida durante a menopausa. Evitar cafeína e álcool, controlar o estresse — tudo isso alivia alguns sintomas. A maioria das mulheres que não pode fazer terapia hormonal sistêmica também pode usar estrogênio vaginal tópico para secura vaginal ou dor pélvica.

"Temos tantas outras coisas em nosso arsenal", diz Stephanie Faubion, diretora médica da The Menopause Society. Mas muito poucas mulheres ouviram falar dessas opções. Isso pode ser reflexo de como a conversa sobre menopausa se concentrou diretamente na terapia hormonal. Faubion diz que a mensagem em torno do tratamento contribuiu para que mulheres se sintam excluídas. A terapia é aprovada apenas para aliviar fogachos, suores noturnos e manter densidade óssea. Mas influenciadoras e empresas de cuidados com a menopausa a promovem como solução para todos os tipos de sintomas, proteção cerebral e cardíaca, até retardo do envelhecimento. A realidade é mais restrita. E para quem não pode tomar, a lacuna entre a promessa e a possibilidade é um abismo.

A mensagem sobre terapia hormonal é tão positiva e onipresente agora. Parece que você pode viver essa fase da sua vida de forma totalmente diferente, e há alívio. Eu me sinto completamente excluída disso.
— Cybele Maylone, 46 anos, diagnosticada com câncer de mama em 2023
Existe uma enorme lacuna de conhecimento dos profissionais quando se trata de cuidados com a menopausa.
— Rajita Patil, diretora do Programa Abrangente de Menopausa da UCLA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a terapia hormonal se tornou tão central na conversa sobre menopausa se existem tantas contraindicações?

Model

Porque funciona muito bem para quem pode tomar. Os resultados são rápidos e visíveis. Mas isso criou uma narrativa que deixa para trás quem não pode acessá-la.

Inventor

As alternativas são realmente eficazes?

Model

Algumas sim. Os novos medicamentos não hormonais funcionam bem para fogachos. Terapia cognitivo-comportamental ajuda. Mas nenhuma é tão abrangente quanto a terapia hormonal, e exigem mais esforço do paciente.

Inventor

O problema é apenas falta de conhecimento dos médicos?

Model

Não é só isso. É também como a indústria e as influenciadoras vendem a terapia hormonal como milagre. Isso cria expectativas irreais e deixa as mulheres ineligíveis se sentindo fracassadas.

Inventor

Essas mulheres estão realmente sofrendo?

Model

Sim. Fogachos graves, suores noturnos que interrompem o sono, névoa mental que afeta o trabalho. Não é cosmético. É qualidade de vida.

Inventor

E a sensação de exclusão que você mencionou?

Model

É real e profunda. Quando todo mundo ao seu redor está se beneficiando de algo que você não pode ter, você se sente deixada para trás. Isolada. Como se não merecesse alívio.

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