Uma recuperação que parecia significativa até olhar para trás
Em um mês marcado por perdas expressivas, o milho futuro encontrou alívio passageiro em Chicago na última sessão de junho, impulsionado por estoques americanos abaixo do esperado segundo o USDA. A alta de 2,6% no pregão de terça-feira não apaga, porém, a desvalorização acumulada de até 11% ao longo do mês — um contraste que revela a fragilidade do otimismo pontual diante de tendências mais profundas. No mercado brasileiro, o eco foi discreto: liquidez baixa, preços físicos em leve recuo e operadores em compasso de espera.
- Os estoques trimestrais americanos vieram 3,37 milhões de toneladas abaixo do esperado, surpreendendo o mercado e detonando uma alta imediata nos contratos futuros.
- A valorização de 2,6% em Chicago soou como vitória, mas escondia uma sangria: o contrato de setembro acumulava queda de 11% desde o fim de maio, o pior desempenho entre os vencimentos.
- No Brasil, a B3 respondeu com timidez — o contrato de julho avançou apenas 0,22% e a liquidez permanecia baixa, sinalizando cautela dos operadores locais.
- No mercado físico, a distância entre oferta e demanda ficou evidente em Querência (MT), onde vendedores pediam R$ 47,00 a saca enquanto compradores ofereciam R$ 45,00 — negócios difíceis de fechar.
- O mercado encerra junho em modo de espera, com atenção voltada à evolução da safra americana e à incerteza que deve continuar pautando as próximas sessões.
O pregão de terça-feira trouxe um respiro ao milho futuro em Chicago. Com a divulgação dos relatórios do USDA, os contratos subiram 2,6% após o órgão revelar estoques trimestrais de 134 milhões de toneladas — abaixo dos 137,37 milhões esperados pelo mercado. O contrato de julho fechou em US$ 4,12, com valorização de 2,67%, enquanto setembro, dezembro e março de 2027 registraram ganhos menores, entre 1,29% e 1,58%. Uma pequena redução na intenção de plantio americano também contribuiu para o movimento de alta.
Mas o alívio do dia não apaga o cenário do mês. Ao longo de junho, o milho acumulou perdas expressivas em Chicago: setembro caiu 11%, julho perdeu 9,83%, dezembro recuou 7,28% e março de 2027 desvalorizou 6,87%. A recuperação de terça-feira foi, na prática, um pequeno respiro dentro de uma tendência de queda que dominou todo o período.
No mercado brasileiro, o reflexo foi modesto. Na B3, os contratos oscilaram pouco — julho subiu apenas 0,22% e a liquidez permanecia baixa desde o início da semana. No acumulado de junho, o desempenho foi praticamente neutro para a maioria dos vencimentos. Já no mercado físico, os preços recuaram levemente nas principais praças: em Querência (MT), a diferença entre oferta de vendedores e proposta de compradores chegou a R$ 2,00 por saca, dificultando o fechamento de negócios. Sorriso (MT), Cândido Mota (SP) e Ubiratã (PR) também registraram desvalorizações, com apenas Campinas (SP) na contramão. O quadro geral é de um mercado cauteloso, aguardando os próximos sinais da safra americana para definir direção.
O pregão de terça-feira trouxe alívio momentâneo para o milho futuro negociado em Chicago. Após a divulgação dos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, os contratos subiram 2,6% — uma recuperação que parecia significativa até o momento em que se olhava para trás. O relatório do USDA trouxe uma notícia que o mercado interpretou como positiva: os estoques trimestrais de grãos americanos chegaram a 134 milhões de toneladas, número inferior aos 137,37 milhões que os operadores esperavam. Essa redução, ainda que modesta, foi suficiente para impulsionar as cotações no pregão do dia.
Os números do contrato de julho de 2026 fecharam em US$ 4,12, com ganho de 10,75 pontos, representando uma valorização de 2,67% em relação ao fechamento anterior. Setembro subiu 1,58%, dezembro avançou 1,40% e março de 2027 ganhou 1,29%. Esses movimentos refletiram também uma pequena redução na intenção de plantio reportada pelo USDA — de 38,58 milhões de hectares em março para 38,57 milhões na divulgação de terça-feira. Para os analistas da Agrinvest, o dia representou uma resposta esperada do mercado a dados que vieram ligeiramente abaixo das projeções.
Mas o contexto mensal conta uma história bem diferente. Ao longo de junho, o milho futuro acumulou perdas substanciais. O contrato de julho perdeu 9,83% desde o final de maio, setembro caiu 11%, dezembro recuou 7,28% e março de 2027 desvalorizou 6,87%. A recuperação de terça-feira, portanto, representava apenas um pequeno respiro em uma tendência de queda que dominou todo o mês. Os estoques americanos em 1º de junho de 2025 haviam sido de 117,94 milhões de toneladas, enquanto em março deste ano estavam em 229,22 milhões — uma redução natural esperada conforme o grão é consumido e exportado ao longo da safra.
No mercado interno brasileiro, a movimentação acompanhou a valorização internacional, mas com intensidade muito menor. Na B3, o contrato de julho fechou em R$ 64,75, com ganho de apenas 0,22%. Setembro subiu 0,84%, janeiro de 2027 caiu 0,03% e março ganhou 0,11%. Ao longo de junho, os contratos brasileiros tiveram desempenho praticamente estável: setembro acumulou alta de 0,13%, janeiro ganhou 0,12%, março avançou 0,04%, enquanto julho perdeu 1,02%. A liquidez permanecia baixa desde o início da semana, segundo os analistas da Agrinvest, com poucas movimentações significativas.
No mercado físico, onde o milho é efetivamente comprado e vendido entre produtores e compradores, os preços registraram leves recuos. Em Querência, no Mato Grosso, o milho de julho era ofertado próximo de R$ 47,00 a saca, enquanto compradores indicavam R$ 45,00 via cooperativa — uma diferença que reflete a dificuldade em fechar negócios. Em novembro, os prêmios de exportação permaneciam sem grandes movimentações, com ofertas próximas de R$ 50,00 a saca. Levantamentos realizados em Sorriso (MT), Cândido Mota (SP) e Ubiratã (PR) mostraram desvalorizações, enquanto apenas Campinas (SP) registrou valorização. O quadro geral sugeria um mercado em espera, com operadores cautelosos diante da volatilidade que caracterizou junho e da incerteza sobre os próximos passos da safra americana.
Citas Notables
Os estoques trimestrais vieram abaixo do que o mercado esperava— Analistas da Agrinvest
Desde o início da semana o mercado segue com baixa liquidez e poucas movimentações— Agrinvest
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que um relatório que mostrou estoques menores que o esperado não conseguiu sustentar a alta do milho ao longo de junho?
Porque o mercado não reage apenas ao que acontece hoje. Junho inteiro foi marcado por pressão de oferta global e preocupações com demanda. Um dia de recuperação não apaga semanas de queda.
Qual é a diferença entre o que acontece em Chicago e o que acontece aqui no Brasil?
Chicago estabelece o preço base. Mas o Brasil adiciona custos de transporte, armazenagem, câmbio. Por isso a volatilidade é menor aqui — o mercado interno está mais protegido, mas também mais desconectado das oportunidades.
Essa diferença de R$ 2,00 entre oferta e demanda em Querência é normal?
Reflete exatamente o que os analistas chamam de baixa liquidez. Quando poucos estão comprando e vendendo, o spread aumenta. Ninguém quer vender barato, ninguém quer comprar caro, então o mercado congela.
O que os exportadores estão esperando?
Sinais mais claros sobre a safra americana e sobre a demanda global. Enquanto isso não fica evidente, eles mantêm os prêmios estáveis, sem arriscar grandes movimentos.
Se junho foi tão ruim para o milho, por que alguém ainda está plantando?
Porque as decisões de plantio já foram tomadas meses atrás. Agora o que importa é colher o que foi plantado e tentar vender no melhor momento possível.