deixar uma estudante universitária hiper-realista viver na sua área de trabalho
Em um momento em que a solidão digital se torna tema central da experiência humana contemporânea, a MiHoYo — criadora de mundos fantásticos habitados por milhões — volta seu olhar para o cotidiano mais íntimo: a mesa de trabalho de uma pessoa comum. Com BSide: Olivia Lin, lançada em early access na China, o estúdio oferece não um herói para batalhas, mas uma presença silenciosa, uma estudante virtual de Xangai que toca piano e troca cartas enquanto o mundo lá fora continua girando. É a tecnologia tentando responder a uma pergunta antiga: o que significa não estar sozinho?
- A MiHoYo abandona temporariamente dragões e espadas para criar algo mais perturbador em sua sutileza: uma jovem hiper-realista que simplesmente existe ao lado do usuário, dia após dia.
- Olivia Lin não é um personagem de jogo — ela tem perfil no Letterboxd, coleciona discos de vinil e pesquisa a relação entre música e memória, detalhes que borram a linha entre ficção e simulação de vida real.
- O sistema de correspondência por IA, baseado em ChatGPT, transforma cartas escritas pelo usuário em conversas respondidas por uma entidade que nunca dorme, nunca se cansa e nunca vai embora.
- O lançamento ocidental permanece sem data confirmada, enquanto a empresa observa silenciosamente como o mercado chinês absorve — ou rejeita — a ideia de uma companheira permanente na tela.
- A corrida por companheiros digitais se intensifica: Hatsune Miku, o Project AVA da Razer e a Ani do Grok já disputam atenção, e a MiHoYo entra com uma proposta gratuita e fotorrealista que eleva o nível da competição.
A MiHoYo, estúdio por trás do fenômeno Genshin Impact, surpreendeu ao lançar BSide: Olivia Lin em early access na China via Steam — não um jogo, mas um software de companheira digital. Em vez de personagens anime para batalhas, o usuário recebe uma estudante universitária hiper-realista que habita a área de trabalho como papel de parede vivo.
Olivia Lin foi construída com uma identidade elaborada: aluna da Universidade de Xangai, pianista com formação em psicologia, colecionadora de discos de vinil, cinéfila com perfil no Letterboxd e pesquisadora amadora da relação entre música e memória. Sua estética fotorrealista a aproxima da Lofi Girl, mas com um realismo consideravelmente mais avançado.
As funcionalidades incluem performances de piano ao vivo na tela, geração de vídeos musicais a partir de arquivos enviados pelo usuário e um sistema de correspondência por IA onde cartas escritas pelo usuário recebem respostas geradas por ChatGPT — essencialmente um pen pal digital com presença constante.
O movimento da MiHoYo acontece em um mercado já aquecido: Hatsune Miku, a Ani do Grok de Elon Musk e o Project AVA da Razer já disputam espaço no segmento de companheiros digitais. A empresa entra com uma proposta gratuita, testando primeiro a recepção no mercado chinês antes de qualquer expansão global — que, por ora, segue sem data confirmada.
A MiHoYo, estúdio responsável pelo fenômeno global Genshin Impact, acaba de lançar algo completamente diferente de seus jogos de coleta de personagens: um software de companheira digital chamado BSide: Olivia Lin, disponível em early access na China através da Steam. Em vez de montar equipes para batalhas, o usuário convida uma estudante universitária hiper-realista a habitar sua área de trabalho como um papel de parede vivo.
Olivia Lin é apresentada como aluna da Universidade de Xangai, especializada em piano com formação complementar em psicologia. Seu perfil foi construído com detalhes específicos: coleciona discos de vinil, aprecia filmes clássicos, mantém uma lista de filmes no Letterboxd e dedica tempo livre a uma pesquisa pessoal sobre a relação entre música e memória. Ela gosta de dias chuvosos tranquilos. Diferentemente dos personagens anime que definem o catálogo da MiHoYo, Olivia possui uma estética fotorrealista, aproximando-se visualmente da Lofi Girl, aquela animação de estudante em loop infinito que se tornou sinônimo de concentração na internet, mas com um nível de realismo muito mais avançado.
O software funciona através de um sistema de live wallpaper, permitindo que Olivia seja posicionada diretamente na área de trabalho. As funcionalidades confirmadas incluem a possibilidade de ouvir suas performances de piano enquanto se trabalha, fazer upload de arquivos musicais próprios para que o sistema gere vídeos acompanhados por ela, e um sistema de correspondência baseado em inteligência artificial onde o usuário escreve cartas que recebem respostas geradas por ChatGPT. É, essencialmente, um pen pal digital com rosto e presença constante.
O mercado de companheiras digitais não é novo. Hatsune Miku circula pela internet há anos, e em 2025 seus fãs tiveram a oportunidade de trabalhar e estudar ao lado dela em uma colaboração especial. No mesmo ano, Ani, a companheira de IA do Grok de Elon Musk, ganhou atenção global. Mais recentemente, a Razer anunciou o Project AVA, prometendo trazer companheiros de IA holográficos para computadores no segundo semestre de 2026. A MiHoYo entra nessa corrida com uma proposta gratuita e já acessível em fase inicial na China.
Por enquanto, BSide: Olivia Lin permanece em early access exclusivamente no mercado chinês, sem presença internacional na Steam. O software será gratuito quando atingir seu lançamento completo, mas a MiHoYo ainda não confirmou quando ou se ele chegará aos mercados ocidentais. A estratégia da empresa sugere que ela está testando a recepção do produto em seu mercado de origem antes de qualquer expansão global.
Notable Quotes
A proposta é bem diferente de qualquer gacha que eles já fizeram, em vez de colecionar personagens anime para montar equipes de batalha, desta vez a ideia é simples: deixar uma estudante universitária hiper-realista viver na sua área de trabalho.— Descrição do conceito do software
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a MiHoYo decidiu sair dos jogos de gacha para criar uma companheira digital?
É uma expansão natural. Eles já entendem como criar personagens que as pessoas querem acompanhar. Aqui, em vez de colecioná-los, você simplesmente deixa um viver com você.
Mas Olivia não é anime. Por que essa escolha de realismo?
Porque o objetivo é diferente. A Lofi Girl funciona como símbolo, mas Olivia precisa estar ali todos os dias na sua tela. O realismo a torna menos personagem e mais presença.
O sistema de cartas com IA — isso não é basicamente um chatbot?
Tecnicamente sim, mas com uma camada de intimidade. Você está escrevendo para alguém específico que vive no seu desktop, não conversando com uma máquina abstrata.
Qual é o risco aqui para a MiHoYo?
Depender de um mercado que ainda está se formando. Hatsune Miku provou que funciona, mas Miku é um fenômeno cultural de duas décadas. Olivia é nova, e o Ocidente ainda não sabe se quer isso.
Se chegar ao Ocidente, o que muda?
Tudo. A China já está acostumada com companheiras digitais. No Ocidente, isso ainda é visto com desconfiança. A MiHoYo terá que convencer pessoas que não cresceram com essa ideia.