A memória nunca foi uma parte tão valiosa da pilha de computação
Lucros da Micron saltaram 15 vezes, com receitas crescendo 350% e margens brutas atingindo 84,9% devido à demanda por chips de memória para IA. A empresa garantiu 16 acordos estratégicos de longo prazo com bilhões em pagamentos antecipados, refletindo a criticidade da memória na infraestrutura de IA.
- Lucro líquido saltou para US$ 28,2 bilhões no trimestre, 15 vezes maior que o ano anterior
- Receitas cresceram 350%, chegando a US$ 41,5 bilhões
- Margem bruta ajustada atingiu 84,9%, comparada a 39% um ano atrás
- 16 acordos estratégicos de longo prazo com bilhões em pagamentos antecipados
- Quatro gigantes de tecnologia devem gastar US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA este ano
A Micron registrou lucro líquido de US$ 28,2 bilhões no trimestre, superando previsões de Wall Street, impulsionada pela escassez global de chips de memória para data centers de inteligência artificial.
Na quinta-feira passada, as ações da Micron dispararam mais de 16% em Nova York após a empresa anunciar resultados que pareciam saídos de um cenário de ficção científica: lucro líquido de US$ 28,2 bilhões no trimestre fiscal encerrado em 28 de maio, quase 15 vezes superior ao resultado do mesmo período do ano anterior, quando havia sido de US$ 1,9 bilhão. O anúncio elevou o valor de mercado da gigante de semicondutores para quase US$ 1,4 trilhão, recuperando perdas sofridas dias antes em uma liquidação mais ampla em Wall Street.
Os números superaram as previsões de analistas por cerca de US$ 4 bilhões. As receitas saltaram quase 350%, chegando a US$ 41,5 bilhões, enquanto a empresa projetou vendas de cerca de US$ 50 bilhões para o trimestre atual, bem acima das expectativas de US$ 43,7 bilhões. Por trás desses números extraordinários está um fenômeno simples mas poderoso: a escassez global de chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para os servidores que treinam e executam os principais modelos de inteligência artificial.
A Micron, junto com a sul-coreana SK Hynix e a Samsung, domina o mercado global de memória. Seus chips são críticos para sistemas de IA porque processadores como os da Nvidia e AMD exigem memória de altíssima performance para lidar com as cargas de trabalho intensivas necessárias ao treinamento de grandes modelos. Com a demanda disparando e a oferta limitada, a empresa conseguiu cobrar prêmios extraordinários. Sua margem bruta ajustada saltou para 84,9% no trimestre de maio, comparada a 39% um ano atrás. A empresa projeta que essa margem suba ainda mais para 86% no trimestre atual.
Em um sinal de como a dinâmica do mercado mudou, a Micron garantiu 16 acordos estratégicos de longo prazo com alguns de seus maiores clientes, incluindo gigantes de data centers de IA e fabricantes de eletrônicos de consumo. Esses contratos, que cobrem períodos de três a cinco anos, incluem bilhões de dólares em pagamentos antecipados — uma prática inédita nesse mercado. Manish Bhatia, vice-presidente executivo de operações globais da Micron, explicou que esses pagamentos funcionam como depósitos reembolsados ao longo do tempo, dando à empresa maior visibilidade sobre a demanda futura. "A Nvidia percebeu seu momento de IA há alguns anos com suas unidades de processamento gráfico. Agora, a memória nunca foi uma parte tão valiosa da pilha de computação", disse Bhatia.
O contexto que alimenta essa escassez é imenso. Quatro gigantes de tecnologia — Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet — devem gastar coletivamente US$ 725 bilhões em infraestrutura de IA este ano. Essa corrida por capacidade computacional criou um gargalo: os chips de memória se tornaram o componente mais crítico e escasso. A SK Hynix, concorrente sul-coreana da Micron, anunciou na quarta-feira que buscava captar US$ 29 bilhões em uma listagem nos EUA, com suas ações subindo até 12% em Seul na quinta-feira. As três principais fabricantes de memória — Micron, SK Hynix e Samsung — ultrapassaram US$ 1 trilhão em capitalização de mercado este ano.
Os resultados da Micron ajudaram a estabilizar o setor após uma semana volátil. O índice de semicondutores da Filadélfia, que acompanha 30 das maiores fabricantes de chips listadas nos EUA, subiu quase 90% desde o início de 2026, apesar das oscilações recentes. Dec Mullarkey, diretor-gerente da gestora de ativos SLC Management, afirmou que o desempenho da Micron deveria dissipar o pessimismo que havia derrubado as empresas sul-coreanas de chips no início da semana e estabilizar as perspectivas do setor de hardware em geral.
A escassez de memória teve efeitos em cascata. Fabricantes de chips concentram suas novas linhas de produção em memória avançada para data centers, deixando chips de consumo mais tradicionais com oferta reduzida. Na semana passada, o CEO da Apple, Tim Cook, alertou que essa escassez geracional forçaria a empresa a aumentar os preços de seus produtos. A Micron, por sua vez, recebeu mais de US$ 6 bilhões em subsídios diretos do governo americano sob a Lei de Chips de 2022 para apoiar investimentos em novas instalações fabris. No mês passado, a empresa recebeu o secretário de Comércio dos EUA Howard Lutnick e outros altos funcionários em um evento na Virgínia, quando começou a fabricar alguns de seus chips de memória mais avançados em sua instalação em Manassas.
Citas Notables
A Nvidia percebeu seu momento de IA há alguns anos com suas unidades de processamento gráfico. Agora, a memória nunca foi uma parte tão valiosa da pilha de computação— Manish Bhatia, vice-presidente executivo de operações globais da Micron
Os resultados devem ajudar a dissipar o pessimismo que derrubou as empresas sul-coreanas de chips no início da semana. Este forte desempenho da Micron deve estabilizar as perspectivas do setor de hardware em geral— Dec Mullarkey, diretor-gerente da gestora de ativos SLC Management
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como a Micron conseguiu lucros 15 vezes maiores em um trimestre? Isso parece impossível.
Não é impossível quando você controla um recurso que todos precisam e que ninguém mais consegue fornecer em quantidade suficiente. A escassez de memória de alta largura de banda é real e global.
Mas por que a memória se tornou tão crítica agora? Sempre foi importante.
Porque os modelos de IA atuais exigem quantidades massivas de memória para funcionar. Um chip de processamento gráfico da Nvidia sem a memória certa é como um motor de Fórmula 1 sem combustível.
E a Micron é a única que pode fornecer?
Não é a única, mas é uma das três que dominam o mercado global, junto com SK Hynix e Samsung. Quando três empresas controlam tudo e a demanda explode, os preços explodem também.
Esses acordos com pagamentos antecipados — isso muda algo fundamental?
Muda tudo. Pela primeira vez, os clientes estão pagando bilhões adiantado para garantir que receberão chips nos próximos três a cinco anos. É um sinal de desespero, na verdade. Ninguém quer ficar sem memória.
E quanto aos outros fabricantes de chips, como a Apple?
Eles estão sendo espremidos. A Apple avisa que terá que aumentar preços porque não consegue memória suficiente. Enquanto isso, a Micron coloca margens de 85% e projeta 86% para o próximo trimestre.