Sete Copas, sete fracassos na estreia. Agora, finalmente, o México diz não.
Em uma noite carregada de história e expectativa, o México encerrou quase um século de frustrações ao vencer a África do Sul por 2 a 0 na estreia da Copa do Mundo 2026, diante de 80 mil torcedores no Azteca. A vitória, a primeira em oito tentativas de abertura de torneio, confirmou o favoritismo da seleção anfitriã, mas foi marcada por três expulsões que lembraram que o futebol raramente entrega seus momentos sem sombra. O tabu estava quebrado, porém o próximo passo exigirá mais do que alívio — exigirá disciplina.
- Após sete edições sem vencer a partida de abertura — acumulando cinco derrotas e dois empates desde 1930 —, o México carregava um peso histórico raro para uma seleção que joga em casa.
- Quiñones abriu o placar aos oito minutos aproveitando erro da defesa sul-africana, e Raúl Jiménez ampliou de cabeça no segundo tempo, dando ao México o controle que o torcedor tanto esperava.
- Três cartões vermelhos — dois para a África do Sul e um para o capitão mexicano Montes nos acréscimos — transformaram a vitória em um espetáculo de indisciplina que ofuscou a celebração.
- A África do Sul, que retornava a uma Copa após 16 anos de ausência, nunca conseguiu reagir após ficar com dez jogadores e encerrou a estreia sem perspectivas claras de avanço na fase de grupos.
- O México segue para o duelo contra a Coreia do Sul em 18 de junho, em Guadalajara, com o moral elevado pela vitória histórica, mas sem seu capitão — um alerta sobre os custos da euforia.
O México entrou na Copa do Mundo 2026 carregando um tabu que atravessava quase um século: em sete estreias anteriores, a seleção jamais havia vencido. Na noite de 11 de junho, diante de mais de 80 mil pessoas no reformado Estádio Azteca, esse peso finalmente foi depositado no chão. O placar de 2 a 0 contra a África do Sul, com gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez, encerrou uma sequência que remontava a 1930.
O jogo começou sob o brilho de uma cerimônia de abertura com Andrea Bocelli, Salma Hayek e o presidente da Fifa Gianni Infantino. Quando a bola rolou, o México atacou desde o primeiro minuto. Aos oito, Quiñones — colombiano naturalizado mexicano e artilheiro da liga saudita na temporada anterior, à frente até de Cristiano Ronaldo — aproveitou um erro defensivo para marcar o primeiro gol da Copa. O gol silenciou parte da torcida que havia questionado sua convocação.
No segundo tempo, o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio expulsou o volante sul-africano Sithole por entrada dura, deixando a África do Sul com dez jogadores. Jiménez aproveitou para ampliar de cabeça, consolidando a vitória. Mas o jogo ainda reservava drama: o meia Zwane foi expulso por agressão, e nos acréscimos o capitão mexicano Montes também recebeu cartão vermelho ao interromper um contra-ataque. Três expulsões em uma única partida deixaram a vitória com gosto agridoce.
O México conquistou o que tanto buscava, mas pagou um preço. Sem Montes, a seleção anfitriã enfrenta a Coreia do Sul em 18 de junho, em Guadalajara, sabendo que talento sem disciplina raramente sustenta uma campanha longa em Copa do Mundo.
O México entrou em sua Copa do Mundo em casa com a pressão de um favoritismo que carregava há décadas. Na noite de 11 de junho, diante de mais de 80 mil pessoas no Estádio Azteca reformado, a seleção mexicana finalmente quebrou um tabu que a perseguia: venceu sua partida de estreia em uma Copa do Mundo. O placar foi 2 a 0 contra a África do Sul, com gols de Julián Quiñones e Raúl Jiménez, mas a vitória veio temperada por uma sequência de expulsões que marcou o jogo com uma violência incomum.
Era a primeira vitória mexicana em oito tentativas de estreia em Copas do Mundo. Nas sete edições anteriores — 1930, 1950, 1954, 1958, 1962, 1970 e 2010 — o México havia acumulado cinco derrotas e dois empates. Aquela noite no Azteca, sob a direção do técnico Javier Aguirre, finalmente interrompeu uma sequência que atravessava quase um século de história do futebol mexicano. O estádio, que havia sido palco das finais das Copas de 1970 e 1986 quando o México também foi sede, estava repleto, embora críticas sobre os preços dos ingressos ecoassem entre torcedores que viam espaços vazios nas arquibancadas.
O jogo começou sob o brilho de uma cerimônia de abertura que reuniu nomes como o tenor Andrea Bocelli, a atriz Salma Hayek e o presidente da Fifa Gianni Infantino. Quarenta e oito porta-bandeiras representaram cada uma das 48 seleções do Mundial expandido. Quando a bola finalmente rolou, o México atacou com intensidade desde o primeiro minuto. Aos quatro, Raúl Jiménez, o experiente atacante do Fulham com 35 anos, criou o primeiro lance perigoso com um chute que o goleiro Ronwen Williams defendeu com segurança. Quatro minutos depois, Julián Quiñones aproveitou um erro na saída de bola da defesa sul-africana para fazer o primeiro gol da Copa com um chute rasteiro. Quiñones, colombiano naturalizado mexicano, havia terminado a temporada anterior como artilheiro da liga saudita com 33 gols pelo Al-Qadisiyah, à frente até de Cristiano Ronaldo, que marcou 28 vezes pelo Al Nassr. Sua presença na seleção havia gerado críticas entre parte da torcida mexicana, mas naquela noite ele silenciava os questionamentos.
Com a vantagem no placar, o México recuou e controlou o jogo. A África do Sul pouco oferecia em resposta. Aos 41 minutos do primeiro tempo, Quiñones quase ampliou quando seu chute acertou a trave esquerda após ajuste de Brian Gutiérrez. O segundo tempo começaria de forma dramática. Aos quatro minutos, o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio expulsou o volante sul-africano Sithole por uma entrada dura em Gutiérrez, deixando a África do Sul com dez jogadores e praticamente enterrando qualquer esperança de reação. Aos 22 minutos, Raúl Jiménez completou um cruzamento de Reyes pela direita para ampliar de cabeça, consolidando a vitória mexicana.
Mas o jogo não terminaria ali. Aos 38 minutos, o meia sul-africano Zwane foi expulso por agressão contra Roberto Alvarado em uma disputa sem a bola. Nos acréscimos, aos 46 minutos do segundo tempo, o zagueiro e capitão mexicano Montes também recebeu cartão vermelho ao interromper um contra-ataque adversário. Três expulsões em um único jogo transformaram a partida em um espetáculo de indisciplina que ofuscou a performance mexicana. O México havia conquistado sua vitória de estreia, mas perderia seu capitão para o próximo compromisso.
No dia 18 de junho, em Guadalajara, o México enfrentaria a Coreia do Sul sem Montes. A África do Sul, que retornava a uma Copa do Mundo após 16 anos — sua última participação foi em 2010, quando foi sede — nunca havia avançado da fase de grupos em suas três aparições no torneio. Para o México, a melhor campanha em Copas havia sido as quartas de final em 1970 e 1986, ambas como país-sede. Em 2022, no Qatar, havia caído na fase de grupos. Agora, com a vitória de estreia finalmente conquistada, o caminho estava aberto, mas a disciplina seria tão importante quanto o talento.
Citas Notables
Julián Quiñones terminou a temporada anterior como artilheiro da liga saudita com 33 gols, à frente de Cristiano Ronaldo com 28— Dados da temporada 2025-26
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que essa vitória importa tanto para o México, além do óbvio?
Porque quebra um padrão que durava desde 1930. Sete Copas, sete fracassos na estreia. Há algo psicológico nisso — você começa perdendo ou empatando, e isso marca o torneio inteiro. Agora, em casa, diante da sua torcida, o México finalmente diz: não somos aquele time que tropeça no primeiro passo.
E quanto às expulsões? Três em um jogo é muito.
É um sinal de que a pressão estava lá. A África do Sul entrou sabendo que era azarão e começou a jogar de forma mais agressiva, mais desesperada. O México respondeu com força. Mas três cartões vermelhos — um deles no próprio capitão mexicano — isso não é normal. Sugere que o jogo saiu do controle emocional.
Quiñones é naturalizado. Isso foi um problema?
Para alguns torcedores, sim. Mas ele marcou o primeiro gol e terminou a temporada anterior como artilheiro da Arábia Saudita. No futebol, a performance fala mais alto que a origem. Ainda assim, há um debate legítimo sobre identidade e seleção.
O México perdeu seu capitão para o próximo jogo. Isso muda as coisas?
Muda, sim. Montes é experiente, é liderança. Mas o México tem profundidade. O que realmente importa agora é se conseguem manter essa intensidade sem deixar a disciplina desaparecer. Uma vitória é ótima, mas três expulsões é um aviso.
Qual é o próximo teste?
Coreia do Sul em Guadalajara. Uma seleção que também quer surpreender. Se o México conseguir vencer sem cair em mais cartões vermelhos, aí sim terá uma campanha de grupo muito sólida.