Quase metade dos idosos com 85+ anos já vacinada no primeiro mês
No primeiro mês da campanha sazonal, Portugal regista avanços significativos na cobertura vacinal contra a gripe entre os grupos mais vulneráveis — idosos, doentes crónicos e profissionais de saúde mostram adesão crescente, num sinal de que a confiança nas recomendações médicas continua a ser o fio condutor da saúde pública. O Vacinómetro, instrumento de monitorização em tempo real, revela que o progresso não é uniforme: enquanto os Açores mais que duplicam a sua taxa, regiões como a Madeira e o Algarve recuam, e as grávidas, paradoxalmente, vacinam-se menos do que no ano anterior. A campanha lembra-nos que proteger os mais frágeis é um esforço coletivo que exige tanto vigilância contínua como atenção às desigualdades que persistem no território.
- Quase metade dos portugueses com 85 ou mais anos já recebeu a vacina contra a gripe no primeiro mês da campanha, sinalizando uma mobilização precoce sem precedentes neste grupo etário.
- A queda abrupta na vacinação de grávidas — de 54,2% para 38,6% — representa a principal contradição num cenário que, de resto, aponta para melhorias generalizadas.
- A recomendação médica continua a ser o motor decisivo da vacinação, citada por sete em cada dez inquiridos, o que coloca nos profissionais de saúde uma responsabilidade central na adesão das populações.
- As disparidades regionais aprofundam-se: a Madeira despenca de 56% para 23,8%, enquanto os Açores mais que duplicam a cobertura, revelando dinâmicas locais que escapam às tendências nacionais.
- A campanha, que decorre em farmácias e unidades do SNS desde 23 de setembro, mantém o Vacinómetro como bússola em tempo real para identificar onde é urgente reforçar a promoção vacinal.
O Vacinómetro — inquérito conduzido pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar — revela que 49,7% dos portugueses com 85 ou mais anos já receberam a vacina contra a gripe no primeiro mês da campanha sazonal. Os dados, recolhidos entre 15 e 20 de outubro por questionários telefónicos, mostram um quadro geral de progresso: a cobertura aumentou em praticamente todos os grupos prioritários face ao mesmo período de 2024.
Entre os maiores de 65 anos, a taxa subiu sete pontos percentuais, atingindo os 39%. Os doentes crónicos chegaram aos 44,6%, também sete pontos acima do ano anterior, e os profissionais de saúde com contacto direto com pacientes quase duplicaram a adesão, passando de 18,5% para 32,8%. A maioria dos vacinados — 62% — optou por receber simultaneamente a vacina contra a covid-19.
Há, porém, uma exceção que contraria a tendência: as grávidas vacinam-se menos do que em 2024, com a taxa a cair de 54,2% para 38,6%. A recomendação médica permanece o principal motivador para a vacinação, citada por 70% dos inquiridos, com especial peso entre grávidas e doentes crónicos.
As diferenças regionais são marcantes. O Alentejo lidera com 47,8% de cobertura entre os maiores de 65 anos, seguido pelo Centro e por Lisboa. A Madeira, porém, registou uma queda dramática — de 56% para 23,8% —, e o Algarve também recuou. Os Açores, apesar de manterem uma das taxas mais baixas do país (17,1%), mais que duplicaram a cobertura face a outubro de 2024, quando apenas 7,1% da população prioritária estava vacinada. O Vacinómetro, ativo desde 2009, continua a permitir às autoridades identificar em tempo real as regiões e grupos que necessitam de maior reforço nas estratégias de promoção.
Quase metade dos portugueses com 85 ou mais anos já recebeu a vacina contra a gripe no primeiro mês da campanha sazonal. É o que revela o Vacinómetro, um inquérito realizado pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia e pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, que monitora em tempo real a adesão vacinal nos grupos considerados prioritários. Os números, recolhidos entre 15 e 20 de outubro através de questionários telefónicos, mostram um quadro geral de progresso: a cobertura vacinal aumentou transversalmente face ao mesmo período do ano anterior, em praticamente todas as categorias de risco.
Os dados revelam que 39% das pessoas com 65 ou mais anos já se vacinaram, uma subida de sete pontos percentuais comparada com outubro de 2024, quando a taxa rondava os 32%. Entre os doentes com condições crónicas, a adesão atingiu 44,6%, igualmente sete pontos acima do registado no ano passado. Os profissionais de saúde com contacto direto com pacientes também mostram maior adesão: 32,8% já receberam a dose, contra 18,5% em outubro de 2024. Mesmo entre as pessoas entre os 60 e 64 anos, a cobertura subiu de 14,4% para 16,1%.
Há, porém, uma exceção notável nesta tendência ascendente. As mulheres grávidas apresentam uma queda significativa na vacinação: em outubro de 2024, 54,2% tinham recebido a vacina, percentagem que desceu agora para 38,6%. Quanto às crianças entre os 6 e os 24 meses, grupo para o qual a vacinação gratuita foi alargada este ano, 26,2% já foram vacinadas. A maioria dos vacinados — 62% — optou por receber simultaneamente a vacina contra a covid-19.
A decisão de se vacinar continua fortemente ligada à recomendação médica. Sete em cada dez inquiridos apontaram o conselho do médico como razão principal, especialmente entre grávidas e doentes crónicos. Cerca de um quarto dos vacinados disse ter tomado a iniciativa por conta própria. Outros motivadores incluem iniciativas laborais (14,6%), notificações de agendamento pelo Serviço Nacional de Saúde (9,4%) e a consciência de integrar um grupo de risco (2,9%).
As disparidades regionais são pronunciadas. No Alentejo, 47,8% das pessoas com 65 ou mais anos já receberam a vacina, seguido pelo Centro com 44,9%, Lisboa com 39,7% e o Norte com 39,2%. Todas estas regiões registam aumentos face ao ano anterior. A Madeira, porém, apresenta uma queda acentuada: apenas 23,8% da população prioritária foi vacinada, comparado com 56% em outubro de 2024. O Algarve também recuou, de 18,9% para 14,8%. Os Açores, apesar de manterem uma das taxas mais baixas do país com 17,1%, mais que duplicaram a sua cobertura vacinal — em outubro de 2024, apenas 7,1% da população prioritária tinha sido vacinada.
A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19 começou em 23 de setembro e decorre em farmácias e unidades do Serviço Nacional de Saúde. O Vacinómetro, que funciona desde 2009, continua a servir como ferramenta de monitorização em tempo real, permitindo às autoridades de saúde acompanhar a evolução da cobertura vacinal e identificar grupos ou regiões que necessitem de reforço nas estratégias de promoção.
Notable Quotes
A recomendação do médico mantém-se como principal motor para a vacinação, sobretudo nas situações de gravidez e doença crónica, em que foi apontada por sete em cada dez inquiridos.— Vacinómetro (Sociedade Portuguesa de Pneumologia e APMGF)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que a queda nas grávidas é tão acentuada? Algo mudou na comunicação ou na recomendação médica?
Não há dados no inquérito que expliquem a razão. Mas é preocupante porque as grávidas são um grupo de risco. Pode ser hesitação, desinformação, ou simplesmente menos contacto com o sistema de saúde nesta altura.
E os Açores — por que é que duplicaram a taxa quando outras regiões caíram?
Os Açores começaram de um ponto muito baixo, 7,1%. Duplicar significa chegar aos 17,1%, o que ainda é baixo comparado com o Alentejo nos 47,8%. Pode haver uma campanha regional mais agressiva, ou simplesmente uma recuperação após um ano particularmente fraco.
A recomendação médica é tão importante — 70% nas grávidas e doentes crónicos. Isso significa que o sistema de saúde tem poder real aqui?
Tem. Se o médico diz para se vacinar, a maioria das pessoas faz. Mas também significa que quando o médico não recomenda, ou quando há dúvida, a taxa cai. A Madeira é um exemplo: caiu de 56% para 23,8%. Algo falhou na comunicação ou na oferta.
E as crianças pequenas, com 26,2% vacinadas — é um número bom ou fraco para um novo programa?
É cedo para dizer. O programa é novo este ano, a campanha começou em setembro. Mas 26,2% em outubro é um começo modesto. Pode acelerar até ao fim do ano.
Mais de metade escolheu tomar as duas vacinas ao mesmo tempo. Isso é conveniência ou confiança?
Provavelmente ambas. Uma injeção em vez de duas é mais fácil. Mas também sugere que as pessoas confiam o suficiente para aceitar a coadministração. Se houvesse medo, recusariam.