Apenas 48% do público prioritário se vacinou contra gripe no RS, com crianças em situação crítica

Influenza provocou 126 mortes no Rio Grande do Sul em 2026, com 1.478 internações registradas, afetando principalmente crianças menores de 5 anos e idosos acima de 60 anos.
A baixa cobertura vacinal, aliada ao frio, nos coloca em risco
Alerta de especialista sobre o cenário que se forma no Rio Grande do Sul com a chegada do inverno.

No Rio Grande do Sul, a proteção coletiva contra a gripe permanece como uma promessa incumprida: com doses gratuitas disponíveis desde março, apenas metade do público prioritário aceitou o imunizante, e as crianças — as mais vulneráveis — ficaram ainda mais para trás. Com 126 mortes já registradas em 2026 e o inverno ainda por vir, o Estado enfrenta aquela tensão antiga entre o que a ciência oferece e o que a sociedade aceita. O obstáculo já não é a escassez de vacinas, mas a escassez de urgência sentida por quem ainda pode se proteger.

  • Com apenas 48% dos grupos prioritários vacinados e a meta em 90%, o Rio Grande do Sul entra no inverno com uma janela de proteção perigosamente aberta.
  • A influenza já matou 126 gaúchos em 2026 e gerou 1.478 internações, com crianças e idosos respondendo pela maior parte dos casos graves.
  • Hospitais de Porto Alegre operam em colapso: o São Lucas está a 800% da capacidade em leitos de alta complexidade, e outros grandes hospitais ultrapassam 150%.
  • A abertura da vacinação para o público geral gerou um pico de 10 mil doses diárias em Porto Alegre, mas o interesse caiu rapidamente para menos de 4.500 por dia.
  • Especialistas alertam que a combinação de baixa cobertura vacinal, frio crescente e curva de casos em ascensão configura risco iminente para os mais vulneráveis.

No Rio Grande do Sul, a campanha de vacinação contra gripe esbarra em um obstáculo que as doses gratuitas, por si sós, não conseguem superar: a relutância das pessoas em se vacinar. Até meados de junho, apenas 48% do público prioritário — idosos, crianças e gestantes — havia recebido o imunizante, muito aquém da meta de 90%. Entre as crianças, o cenário é ainda mais grave: somente 36% foram imunizadas, apesar de serem um dos grupos mais expostos à doença.

Desde o início da campanha nacional, em 28 de março, as doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades públicas de saúde. No final de maio, a vacinação foi ampliada para toda a população, e uma nova remessa de 420 mil doses chegou aos municípios em junho. O Ministério da Saúde já havia repassado ao Estado cerca de 4 milhões de imunizantes, dos quais aproximadamente 2,7 milhões foram aplicados. O problema, portanto, não é falta de vacina.

Os dados de mortalidade e internação revelam o custo dessa hesitação. A influenza matou 126 pessoas no Estado em 2026 — com o inverno ainda por começar. Das 1.478 internações registradas, 24% envolveram crianças menores de 5 anos e 47,3% afetaram pessoas com mais de 60 anos. Roberta Vanacor, da Divisão de Vigilância Epidemiológica, alertou que os casos seguem em ascensão e que o frio crescente agrava o risco para quem ainda não se protegeu.

Em Porto Alegre, a cobertura dos grupos prioritários chegava a 56%, com apenas 39% das crianças vacinadas. A abertura para o público geral gerou um breve pico de até 10 mil aplicações diárias, mas o interesse logo recuou para entre 2.500 e 4.500 doses por dia. Enquanto isso, os hospitais da capital operavam em situação crítica: o Hospital Clínicas a 250% da capacidade, a Santa Casa a 196% e o São Lucas a 800% nos leitos de alta complexidade para adultos. O desafio agora é de outra natureza — não distribuir vacinas, mas convencer quem ainda pode se proteger de que precisa fazê-lo.

No Rio Grande do Sul, a campanha de vacinação contra gripe enfrenta um obstáculo que nenhuma quantidade de doses gratuitas conseguiu contornar: a relutância das pessoas em se proteger. Até meados de junho, apenas 48% do público prioritário — idosos, crianças e gestantes — havia recebido o imunizante, deixando o Estado longe da meta de 90% de cobertura. O cenário é ainda mais alarmante quando se olha para as crianças: apenas 36% foram vacinadas, apesar de representarem um dos grupos mais vulneráveis à doença.

Desde 28 de março, quando a campanha nacional começou, as doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde pública para os grupos prioritários. No final de maio, a vacinação foi expandida para o público geral, e uma nova remessa de 420 mil doses foi distribuída aos municípios na segunda quinzena de junho. Até aquele momento, o Ministério da Saúde havia repassado 84% dos lotes previstos para o Estado — cerca de 4 milhões de imunizantes no total. Desses, aproximadamente 2,7 milhões já haviam sido aplicados.

Os números de internações e mortes revelam por que essa cobertura baixa é tão preocupante. A influenza já havia matado 126 pessoas no Rio Grande do Sul em 2026, e o inverno ainda estava por chegar. As internações somavam 1.478 casos, com 24% envolvendo crianças menores de 5 anos e 47,3% afetando pessoas com mais de 60 anos. Roberta Vanacor, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, alertou que o Estado ainda estava em ascensão quanto ao número de casos, e que a combinação de baixa cobertura vacinal com o frio crescente e a chegada do inverno criava um cenário de risco iminente.

Em Porto Alegre, a capital, a situação refletia o padrão estadual. A cobertura vacinal dos grupos prioritários atingia 56%, com apenas 39% das crianças imunizadas. Entre gestantes, a taxa era de 54%, enquanto nos idosos chegava a quase 60%. A procura pela vacina havia aumentado brevemente no início de junho, quando a vacinação foi aberta para toda a população, com picos de 10 mil aplicações diárias. Mas nos dias seguintes, o interesse caiu novamente, estabilizando-se próximo aos 2.500 a 4.500 imunizantes por dia.

Os hospitais da capital já sentiam o peso dessa cobertura insuficiente. Os leitos de alta complexidade para adultos estavam superlotados: o Hospital Conceição operava a 169% da capacidade, o Clínicas a 250%, a Santa Casa a 196% e o São Lucas a 800%. Os leitos pediátricos apresentavam ocupação menor, mas ainda preocupante, variando entre 75% e 107%. A Secretaria Estadual da Saúde havia notado que, apesar da expansão da vacinação desde o final de maio, não houve aumento significativo na procura pelos postos de vacinação. O desafio não era mais a disponibilidade das doses, mas convencer as pessoas de que precisavam delas.

A gente está ainda em ascensão com relação ao número de casos. A baixa cobertura vacinal, aliada aos dias de mais frio e a chegada do inverno, nos coloca em risco
— Roberta Vanacor, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que você acha que as pessoas não estão se vacinando, mesmo com doses gratuitas e disponíveis?

Model

Há uma desconexão entre o risco real e o que as pessoas percebem como risco. A gripe parece comum, controlável. Mas quando você vê 126 mortes já registradas antes do inverno chegar, percebe que essa percepção está errada.

Inventor

As crianças estão particularmente desprotegidas. Como isso acontece?

Model

Os pais precisam levar as crianças aos postos. Não é uma decisão que a criança toma sozinha. Talvez haja falta de informação, talvez desconfiança, talvez simplesmente a vida esteja tão ocupada que a vacinação fica para depois.

Inventor

Os hospitais estão superlotados. Qual é o risco real disso?

Model

Quando um hospital opera a 250% da capacidade, como o Clínicas, não há espaço para emergências. Se você sofrer um acidente grave ou tiver uma complicação, pode não haver leito disponível. A influenza não mata apenas diretamente — mata porque sobrecarrega o sistema.

Inventor

A campanha começou em março. Estamos em junho. Por que a cobertura não melhorou mais?

Model

Porque campanhas de saúde pública dependem de confiança e percepção de urgência. Quando a doença ainda parece distante, as pessoas adiam. Quando chega o inverno e os casos explodem, é tarde demais para vacinar.

Inventor

O que muda agora?

Model

Tudo depende do que acontecer nas próximas semanas. Se os casos dispararem, talvez haja pânico e corrida aos postos. Mas isso significaria que muitas pessoas já estarão doentes. O ideal seria que a mensagem chegasse agora, antes do inverno.

Contact Us FAQ