O verão vende menos que o inverno. O ano só inicia após o Carnaval
Em pleno verão escaldante, com Porto Alegre registrando temperaturas acima dos 30°C e previsões de até 41°C no interior gaúcho, distribuidoras de água mineral e gelo vivem uma contradição silenciosa: as vendas caem quando o calor mais convida à sede. O paradoxo revela que o mercado obedece menos ao termômetro e mais ao calendário — férias escolares esvaziam as rotas, famílias se dispersam pelo litoral, e o ritmo comercial só retoma seu pulso depois do Carnaval. É um lembrete de que a economia humana tem suas próprias estações, nem sempre alinhadas às da natureza.
- A Gelo Mix, no bairro Anchieta, registrou queda de 12% nas vendas em janeiro de 2026 — exatamente quando o calor extremo deveria turbinar a demanda.
- Férias escolares dispersam os clientes habituais de Porto Alegre, esvaziando as rotas de entrega e levando o consumo para o litoral gaúcho, fora do alcance das distribuidoras metropolitanas.
- A onda de calor que avança pelo Rio Grande do Sul, com máximas previstas entre 38°C e 41°C, não deve ser suficiente para reverter a tendência de queda que marca este verão.
- O setor aguarda o Carnaval e o retorno às aulas como o verdadeiro ponto de virada — o ano comercial, na prática, começa depois das festas.
Os termômetros de Porto Alegre ultrapassam os 30°C e a previsão promete dias ainda mais quentes, com máximas que podem chegar a 38°C na capital e superar os 40°C no interior gaúcho. Em teoria, seria o momento ideal para quem vende água mineral e gelo. Na prática, o setor vive o oposto.
A Gelo Mix, distribuidora do bairro Anchieta, registrou queda de 12% nas vendas em janeiro de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. O sócio Jonathan Cardoso confirma que a demanda esperada simplesmente não se materializou. O fenômeno não é isolado: outros distribuidores da cidade enfrentam o mesmo cenário.
A explicação está na sazonalidade. André Thome, proprietário da Quero Água, no Centro Histórico, aponta que as férias escolares dispersam os clientes habituais — famílias deixam Porto Alegre, as rotas de entrega perdem volume e o consumo migra para o litoral gaúcho, onde o fluxo de turistas é maior. Distribuidoras que atendem apenas a região metropolitana ficam de fora dessa oportunidade.
O setor aguarda o Carnaval e o retorno às aulas para recuperar o fôlego. Thome resume a lógica com clareza: o verão vende menos que o inverno, e o ano comercial de fato só começa depois das festas. A onda de calor que se aproxima pode trazer algum alívio pontual nas vendas, mas dificilmente reverterá a tendência que marca este verão — um ciclo que se repete ano após ano, independentemente de quão intenso seja o calor.
Os termômetros de Porto Alegre marcam acima dos 30°C, e a previsão meteorológica promete piorar. Nos próximos dias, o calor extremo deve avançar do Oeste do Rio Grande do Sul até a capital, com máximas que podem chegar aos 38°C na sexta-feira e ultrapassar os 40°C em outras regiões do estado. Em teoria, seria o cenário perfeito para quem vende água mineral e gelo. Na prática, o setor está vivendo o oposto.
Distribuidoras de água mineral e gelo em Porto Alegre registram queda nas vendas durante este verão, apesar das condições climáticas que deveriam impulsioná-las. A Gelo Mix, localizada no bairro Anchieta, viu suas vendas caírem 12% em janeiro de 2026 comparado ao mesmo mês do ano anterior. Jonathan Cardoso, sócio da empresa, relata que não houve aumento na demanda esperado. Pelo contrário: os pedidos diminuíram conforme registra a fábrica. O fenômeno não é isolado. Outros distribuidores enfrentam a mesma situação.
A explicação para esse paradoxo está na sazonalidade do mercado e nos padrões de consumo durante o verão. André Thome, proprietário da distribuidora Quero Água no Centro Histórico, oferece uma perspectiva que revela como o setor funciona além das variações de temperatura. As férias escolares dispersam os clientes habituais pela região, reduzindo a demanda nas rotas tradicionais de entrega. Muitas famílias saem de Porto Alegre durante o período de recesso, e com elas vai parte do consumo que sustenta essas empresas durante o resto do ano.
Cardoso acrescenta que o aumento no consumo está concentrado no litoral gaúcho, onde o fluxo de turistas e veranistas é maior. Mas sua distribuidora atende apenas Porto Alegre e região metropolitana, ficando de fora dessa oportunidade sazonal. O que deveria ser a melhor época do ano para o setor — quando o calor extremo torna a hidratação uma necessidade — acaba sendo um período de espera e redução de faturamento.
A expectativa do setor é que as vendas retomem seu ritmo após o Carnaval e com o encerramento das férias escolares. Thome é direto ao resumir a lógica do negócio: o verão vende menos que o inverno, e o ano comercial só realmente começa depois do Carnaval. É um ciclo que se repete anualmente, independentemente de quão intenso seja o calor. A onda de calor extrema que se aproxima — com previsões de 38°C a 41°C em muitos pontos do Oeste gaúcho nesta quarta-feira, e 38°C em Porto Alegre na sexta — pode trazer algum alívio nas vendas, mas dificilmente revertará a tendência de queda que marca este verão. O setor aguarda o retorno à normalidade do calendário escolar e festivo para recuperar o fôlego.
Citas Notables
Verão vende menos que no inverno. Os motivos são as férias, com clientes espalhados. Sempre falamos que o ano só inicia após o Carnaval— André Thome, proprietário da distribuidora Quero Água
Não tivemos aumento na demanda. Inclusive, teve uma queda nos pedidos. O aumento está no litoral, mas só atendemos Porto Alegre e região— Jonathan Cardoso, sócio da distribuidora Gelo Mix
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o calor extremo não está ajudando as vendas se as pessoas precisam se hidratar mais?
Porque a sazonalidade do mercado é mais forte que a temperatura. Quando as escolas fecham em janeiro, as famílias se dispersam. Muitas saem de Porto Alegre. Os clientes habituais desaparecem das rotas de entrega.
Então o problema não é falta de demanda por água e gelo, mas falta de clientes na cidade?
Exatamente. A demanda existe, mas está no litoral, onde os turistas estão. As distribuidoras locais não conseguem alcançar esse mercado. Ficam com as rotas vazias.
E isso acontece todo verão?
Sim. É tão previsível que os empresários já falam sobre isso como parte do ciclo. O inverno vende mais que o verão. É contraintuitivo, mas é assim que funciona.
Quando as coisas melhoram?
Após o Carnaval, quando as férias acabam e as escolas reabrem. As famílias voltam, os clientes retornam às suas rotinas, e as rotas de entrega voltam a fazer sentido economicamente.
A onda de calor que vem não vai mudar isso?
Pode trazer algum alívio pontual nas vendas, mas não reverte a tendência. O calendário escolar é mais determinante que o termômetro.